Indústria Quebra fora da Europa estabiliza exportações do metal em 2016

Quebra fora da Europa estabiliza exportações do metal em 2016

As vendas ao exterior da indústria de metalurgia e metalomecânica subiram apenas 0,2%, penalizadas por Angola, China e Alemanha. Peças técnicas, máquinas e componentes automóveis conduziram a novo recorde fora de portas.
Quebra fora da Europa estabiliza exportações do metal em 2016
Miguel Baltazar/Negócios
António Larguesa 01 de março de 2017 às 13:27

A redução de 18,6% das exportações para os mercados fora da União Europeia, equivalente a uma perda de 713 milhões de euros, contribuiu para a estabilização das vendas ao exterior por parte da indústria portuguesa de metalurgia e metalomecânica durante o ano passado. Peças técnicas de alto valor acrescentado, componentes para a indústria automóvel e tecnologias de produção (máquinas) foram os segmentos com melhor comportamento.

 

Segundo os dados divulgados esta quarta-feira, 1 de Março, pela principal associação industrial do sector (AIMMAP), as exportações atingiram um valor total de 14.596 milhões de euros – sendo 78,6% realizados pelas cerca de 15 mil empresas nos países comunitários. Esta progressão global de apenas 0,2% foi, ainda assim, suficiente para "superar ligeiramente o ano de 2015, que tinha sido o melhor de sempre" para o sector.

 

Ao Negócios, o vice-presidente da AIMMAP explicou que "esta trajectória descendente [fora da UE] foi claramente condicionada pelo mau desempenho nas vendas para Angola e China". "Na verdade, só nestes dois mercados foram perdidos mais de 500 milhões de euros de vendas. O caso angolano foi de longe o mais negativo, com um decréscimo de 316 milhões de euros face ao ano anterior", detalhou Rafael Campos Pereira.

 

Rafael Campos Pereira adianta que, apesar de se ter verificado alguma recuperação do mercado interno” em 2016, as exportações continuam a valer cerca de metade no negócio do sector.
Rafael Campos Pereira adianta que, apesar de se ter verificado alguma recuperação do mercado interno” em 2016, as exportações continuam a valer cerca de metade no negócio do sector.

Outro factor que impediu uma maior progressão nas exportações foi o comportamento da Alemanha, o único dos principais mercados europeus a registar uma quebra (-6,5%). Apesar de em 2016 ter recuado as compras às empresas portuguesas, de 2.718 para 2.542 milhões de euros, mantém-se como o segundo destino mais relevante no estrangeiro.

 

Na liderança mantém-se a Espanha, que vale 23% do total do total das exportações e foi também o país que mais cresceu em termos absolutos (cerca de 282 milhões de euros), equivalente a uma progressão homóloga de 9,1%. O terceiro lugar do ranking é ocupado pela França, com uma quota de 14,5%.

 

Rafael Campos Pereira deixou ainda "uma menção muito especial" aos 1.385 milhões de euros facturados no Reino Unido, num ano marcado pelo referendo sobre a saída da União Europeia. Dos dez maiores, foi o que teve a subida mais significativa em termos percentuais (17,7%) e, mesmo em valores absolutos, o aumento de 208 milhões de euros face a 2015 é classificado como "verdadeiramente notável". O porta-voz do sector completou que, com uma quota acima de 9% nas vendas globais, o mercado britânico "assumiu-se definitivamente como o quarto mais importante".

 

A metalurgia e a metalomecânica abrangem uma multiplicidade de subsectores – desde agulhas a gruas, passando por talheres e máquinas –, o que contribui para a classificação de sector industrial mais exportador da economia portuguesa. A quota de exportação em 2016 apenas será apurada no final do primeiro trimestre deste ano depois da entrega dos compromissos fiscais. No ano passado, o sector facturou no exterior cerca de 47% do valor total, com a AIMMAP a estimar que a quota em 2016 "não deverá ser muito diferente, embora se tenha verificado alguma recuperação do mercado interno que poderá alterar ligeiramente esta percentagem".

 

Brexit, Trump e Europa "lenta" condicionam 2017

 

Para 2017, o vice-presidente desta associação empresarial mantém "boas expectativas", ainda que admita que "os vários acontecimentos políticos recentes possam condicionar este comportamento". Quais? O Brexit, que no final do ano já trouxe "alguns sinais preocupantes" ao nível das vendas; a "pressão por via das políticas proteccionistas" de Donald Trump nos EUA – o quinto maior mercado em 2016, onde havia "expectativas legítimas de crescimento" e "agora há muita incerteza" –; e também "a retoma na Europa [que] está muito lenta".

 

Apesar destes constrangimentos num sector que aumentou as exportações na ordem dos 40% desde o início da década, Rafael Campos Pereira assegurou que as indústrias do metal vão "continuar a apostar na inovação e na engenharia e qualidade dos seus produtos e serviços" e também numa "política de internacionalização para mercados de valor acrescentado". Para este ano está programada a presença nas principais feiras de subcontratação industrial e um alargamento do "leque de missões para mercados com elevado potencial".




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