Indústria “Sr. Trump, tenha cuidado: A indústria portuguesa de calçado está a chegar"

“Sr. Trump, tenha cuidado: A indústria portuguesa de calçado está a chegar"

Alberto Castro, presidente do chamado “banco de fomento” e coordenador dos últimos quatro planos estratégicos do sector português de calçado, traça um caminho optimista para a “indústria mais sexy da Europa”, agora apostada em conquistar o mercado norte-americano.
“Sr. Trump, tenha cuidado: A indústria portuguesa de calçado está a chegar"
A "indústria mais sexy da Europa", slogan do sector português do calçado, está a apostar na sua mais agressiva campanha promocional nos EUA
Rui Neves 17 de maio de 2018 às 12:24

O economista Alberto Castro chamou a música para ilustrar o caminho trilhado pela indústria portuguesa de calçado, na apresentação (em inglês) que efectuou na manhã desta quinta-feira, 17 de Maio, no congresso mundial do sector (UITIC), que decorre no edifício da Alfândega do Porto.

 

"A história recente [da indústria portuguesa de calçado], se assim fosse, era um enredo para um musical", justificou Castro, presidente da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), também conhecida por "banco de fomento", e que foi o coordenador dos últimos quatro planos estratégicos do sector.

 

"I (We) Will Survive" (eu vou sobreviver), a eterna música cantada por Gloria Gaynor, serviu de rampa de lançamento para Alberto Castro passar em revista a evolução da "indústria mais sexy da Europa", desde que, em 1978, quando havia quem tivesse decretado a sua morte, definiu aquele que foi o seu primeiro plano estratégico.

 

Relembrou então que as exportações de calçado, que representam 95% da produção, aumentaram 55% desde 2010, tendo fechado o último ano com 1,965 mil milhões de euros de vendas para mais de 150 países, num total de 83 milhões de pares de sapatos, registando uma balança comercial positiva de 1,342 mil milhões de euros.

 

Já o preço médio de par exportado aumentou 155% desde 1988, de 9,7 euros para quase 25 euros em 2017, sendo apenas superado pela Itália, enfatizou o economista.

 

E agora? "Para onde vamos?", questionou-se Alberto Castro.

 

A resposta está na execução do actual plano estratégico da indústria portuguesa de calçado, que foi por si coordenado e que tem "como objectivo fundamental trabalhar o posicionamento percebido do calçado português, aproximando-o do líder mundial, a Itália". E conseguir entrar na próxima década a exportar 2,5 mil milhões de euros.

 

Para isso, a associação do sector (APICCAPS) definiu como estratégico o mercado dos Estados Unidos, o maior importador mundial de sapatos, para onde pretende duplicar as exportações para 160 milhões de euros em 2020.

 

"If you could make it everywhere, you can make it there: New York, New York", garantiu Alberto Castro, numa alusão à música eternizada por Frank Sinatra.

 

E finalizou a sua apresentação com um aviso brincalhão mas que marca o trilho conquistador do sector, avisando o presidente norte-americano da ambição dos industriais portugueses de calçado: "Mr. Trump, be aware! The portuguese footwear industry is coming…"




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