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A um mau líder político não há "marketing" que o salve

A noite de terça-feira não foi propriamente uma sequela do primeiro "take" do dia 31 de Janeiro, que reuniu o comentador José Pacheco Pereira e o consultor de comunicação Luís Paixão Martins. Os protagonistas mudaram, mas a trama manteve-se tendo como pan

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A noite de terça-feira não foi propriamente uma sequela do primeiro "take" do dia 31 de Janeiro, que reuniu o comentador José Pacheco Pereira e o consultor de comunicação Luís Paixão Martins. Os protagonistas mudaram, mas a trama manteve-se tendo como pano de fundo o "marketing" político e o papel das agências de comunicação na "fabricação" de um candidato ideal.

Desta vez, o auditório da Universidade Lusíada, em Lisboa, estava menos composto para receber o socialista Jorge Coelho e o consultor de comunicação António Cunha Vaz, o homem de quem se fala no PSD pela sua "ajuda" ao partido para comunicar melhor com o eleitorado, o profissional que se critica por ter a comunicação de cinco bancos e de outras tantas empresas cotadas no PSI-20. Mas o debate não esteve menos vivo e, nem por isso, deu azo a menos "soundbytes".

Recusando-se a responder a provocações feitas no anterior debate pelo seu concorrente Paixão Martins, António Cunha Vaz, fundador e dono da consultora Cunha Vaz & Associados, foi o primeiro a falar. Tal como se de uma apresentação ao cliente se tratasse, o profissional da comunicação levou "powerpoint" preparado. Primeira ideia a reter: "Não compete às agências de comunicação definir a estratégia política", esclarece, referindo-se às críticas que deputados sociais-democratas e o próprio líder parlamentar fizeram ao seu trabalho no partido. A sua tarefa passa por "contribuir para que as mensagens políticas cheguem melhor aos eleitores".

Jorge Coelho, o homem que foi responsável por levar a cabo várias campanhas eleitorais no Largo do Rato, assumiu logo a sua posição. "Vou falar enquanto cliente de agências de comunicação e já fui cliente de várias". E esclareceu que o "marketing" político não é uma questão nova. "Está agora mais mediatizado pelas más razões, por gente com interpretações erradas do papel das agências de comunicação".

Coelho deu o exemplo da política norte-americana para explicar que o "marketing" político existe há, "pelo menos, 80 anos", descrevendo as preocupações dos vários presidentes com esta matéria. "Em Portugal é que andamos muitos anos atrasados", disse . E conta como, nos anos 80 e ainda nos anos 90, as campanhas eram trabalhadas apenas com "feeling". "Nas eleições contra Cavaco Silva, o PS tinha um cartaz que dizia "Só faltam sete". Ninguém percebeu a mensagem e nós não só não ganhámos os 7% que nos faltavam para sermos governo como perdemos 15% - foi cá uma abada". Um exemplo de má comunicação política do seu partido, recorda.

De acordo estiveram os dois ao minimizarem o risco de artificialidade do discurso político com o recurso às técnicas do "marketing". "Se não houver liderança não há "marketing" político que lá chegue", admite Jorge Coelho.

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