Media Afinal, Zuckerberg apoia ou não Donald Trump?

Afinal, Zuckerberg apoia ou não Donald Trump?

Algumas empresas americanas, que costumam investir milhões na convenção republicana, este ano estão a cortar os patrocínios. Outras estão a afastar-se da associação ao evento devido à pressão dos grupos anti-Trump. O Facebook é um dos gigantes no centro das críticas.
Afinal, Zuckerberg apoia ou não Donald Trump?
Bloomberg
Sara Ribeiro 10 de maio de 2016 às 16:06

Em Abril, Mark Zuckerberg (na foto), fundador do Facebook, aproveitou o palco da conferência anual da rede social para deixar alguns recados a Donald Trump. Em alusão à pretensão do candidato republicano erguer um muro na fronteira dos EUA com o México, Zuckerberg respondeu a estas "vozes temerosas", segundo o próprio CEO do Facebook, e sublinhou que "em vez de construir muros, podemos ajudar as pessoas a construir pontes". "É preciso coragem para escolher esperança em detrimento do medo", acrescentou.

Passado um mês, a rede social anunciou o apoio à convenção anual do partido republicano, que vai decorrer no Verão em Cleveland, Ohio, e que poderá consagrar Donald Trump na liderança do partido enquanto candidato à Casa Branca.

Uma decisão que gerou de imediato uma onda de críticas. Afinal, Zuckerberg apoia Trump ou não? A rede social apressou-se a esclarecer tendo sublinhado que este patrocínio "não deve ser interpretado como apoio a qualquer candidato ou partido político". Tal como quando patrocinou o congresso republicano que decorreu há uns anos em Philadelphia, relembrou. Além disso, também vai apoiar a convenção do partido democrata.

"Este apoio permite ao Facebook facilitar um diálogo aberto entre os eleitores, candidatos e delegados eleitos durante os congressos, como aconteceu durante outros momentos críticos nas eleições nos Estados Unidos e em eleições em todo o mundo", explicou em comunicado Erin Egan responsável do Facebook.

 

Uma explicação que mesmo assim não terá convencido as vozes mais críticas, incluindo dentro da própria empresa.

 

De acordo com algumas publicações, como o site Gizmodo, os funcionários da tecnológica norte-americana não vêem este apoio de forma tão neutra. E segundo conversas internas, citadas pelo site, os funcionários defendem que a empresa tem "responsabilidade para ajudar a evitar que Trump seja Presidente em 2017".

 

As gigantes tecnológicas têm mais responsabilidade?

 

Alguns grupos anti-Trump também apontaram o dedo à associação da gigante norte-americana ao congresso republicano.

 

O grupo CREDO criticou o Facebook por anunciar o seu apoio precisamente na semana em que Trump se tornou o único candidato do partido às presidenciais, depois de Ted Cruz e John Kasich terem saído da corrida.

                                                                                          

"Eles [Facebook] estão a ‘abraçar’ Trump ", disse Heide Hess, do CREDO. "Vamos tentar convencê-los a reconsiderar a sua decisão", acrescentou.

 

Já Malkia Cyril, directora do Center for Media Justice, que recentemente trabalhou com o Facebook no âmbito de alegados problemas raciais dentro da empresa, sublinha que quer "o Facebook quer o Google têm a responsabilidade de apoiar a liberdade de expressão, não o tipo de discurso de ódio propagado num congresso republicano liderado por Trump", disse ao The Guardian.

"O Facebook tem expressado o que eu esperava que fosse um desejo genuíno: garantir que todos os seus utilizadores estão seguros na sua plataforma ", disse a responsável. Mas o seu apoio à convenção "faz com que todos fiquem, inclusive os utilizadores do Facebook de cor, menos seguros e menos apoiado online", acrescentou.

 

Patrocínios encolhem

O Facebook não é a única tecnológica no centro das atenções dos grupos de manifestantes anti-Trump.

No início do mês, o grupo CREDO divulgou um vídeo com uma selecção de imagens de Donald Trump a insultar mexicanos, a apelar à proibição da entrada de muçulmanos nos EUA e a criticar o Google pela decisão de patrocinar o congresso republicano. A gigante tecnológica vai transmitir o congresso via streaming através do Youtube.

Por pressão ou não dos grupo anti-Trump, este ano o evento não está a contar com a mesma adesão dos anteriores no que toca a patrocínios. As grandes empresas norte-americanas, que costumam marcar presença como patrocinadores do congresso, estão a reduzir de forma significativa a sua presença e investimento.

Em 2012, por exemplo, a Coca-Cola contribuiu com 660 mil euros para a convenção do partido republicano. Este ano, a empresa vai investir 75 mil euros no apoio às duas convenções.

A Microsoft, que no mesmo ano apoiou o evento com 1,5 milhões de euros e apoio técnico, já anunciou que este ano decidiu contribuir apenas produtos e serviços da empresa em vez de doar dinheiro.

O Wal-Mart, que em 2012 contribuiu com 150 mil dólares, ainda não decidiu se este ano vai dar algum apoio ao evento que vai decorrer entre 18 a 21 de Julho. Uma situação que se alastra a outras empresas norte-americanas.

No total, a organização da convenção quer angariar cerca de 64 milhões de euros.




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