Media Balsemão: "Há uma sanha persecutória” sobre os meios de comunicação social

Balsemão: "Há uma sanha persecutória” sobre os meios de comunicação social

O presidente da Impresa dá vários exemplos de casos que estão a enfraquecer os órgãos de comunicação social. E uma comunicação social enfraquecida, diz, é "um rude golpe na democracia".
Balsemão: "Há uma sanha persecutória” sobre os meios de comunicação social
Alexandra Machado 25 de fevereiro de 2016 às 18:03

Francisco Pinto Balsemão, presidente do conselho de administração da Impresa, não tem dúvidas em dizer que há actualmente "uma sanha persecutória" sobre os meios de comunicação social. "Tão persecutória que é legítimo interrogarmo-nos sobre se o verdadeiro e último objectivo não é impedir, inviabilizar a existência de jornalismo de qualidade".


Palavras que proferiu, de acordo com o discurso enviado às redacções, na cerimónia do jornal O Mirante, que distinguiu Balsemão como Prémio Personalidade do Ano.


O presidente da Impresa, que tem nos últimos anos lutado contra o poder da Google, fala no enfraquecimento das "empresas ditas clássicas ou tradicionais de comunicação social". E aponta várias razões para a sua afirmação.


A queda no investimento publicitário é uma das razões, uma redução acompanhada pela deslocação da publicidade para as redes sociais, agregadores de conteúdos e para os gigantes da internet. Balsemão, nos últimos anos, tem falado, diversas vezes, do poder de empresas como a Google que, além de captarem o investimento publicitário, utilizam conteúdos dos meios de comunicação social sem o que diz ser o legítimo pagamento. Esta tem sido uma luta de Balsemão, que volta a falar dos agregadores de conteúdos, e lembrando que o Correio da Manhã noticiou que a Google factura em Portugal 100 milhões de euros sem criar emprego ou pagar impostos.

O enfraquecimento acontece também, acrescenta o "patrão" da Impresa, pelo que apelida de "puritanismo popularucho considerar a publicidade como a mãe de todos os males e a culpada de todos os excessos". E para explicar este seu argumento lembra as propostas de alteração ao Código da Publicidade apresentados pelo PS, PAN e Verdes, as quais pretendem restringir os anúncios a alimentos e bebidas com elevado teor em açúcar, gordura ou sódio, em certos horários na televisão e restringir ainda a publicidade em eventos desportivos, culturais ou recreativos. Balsemão fez as contas: "resulta de todas estas restrições um corte de cerca de 50 milhões de euros no investimento publicitário".

Balsemão não se fica por aqui. E lembra o projecto de divulgação da propriedade dos meios que, embora seja concordante em relação à transparência, diz ter obrigações que se tornam de difícil cumprimento.

 

"Como, por exemplo, quem é o verdadeiro e último proprietário de um fundo estrangeiro que compra, na Bolsa de Lisboa, acções da Impresa. E, sobretudo, não me apliquem coimas de dezenas de milhar de euros, porque não tenho meios nem vocação para partir para as ilhas Cayman, ou outros paraísos fiscais, à descoberta do último dono dessas acções".

E continua: "Mais exemplos da sanha persecutória contra as empresas de comunicação social portuguesas?". Dá mais dois: "a impunidade com que emissões televisivas com origem noutros países entram pelo nosso espaço, em concorrência desleal com os canais portugueses, por não estarem sujeitas à nossa legislação, em matéria de publicidade e de conteúdos portugueses ou europeus"; e a proposta de resolução do Bloco de Esquerda para se pôr fim a um memorando entre vários intervenientes sobre pirataria e direitos de autor.

Depois dos exemplos, a conclusão: "dificultar ou enfraquecer as empresas de comunicação social é abrir caminho à perda da liberdade de imprensa. Mais do que isso: é um rude golpe na democracia já de si tão debilitada como o revelam o aparecimento de grupos extremistas de direita ou de esquerda, a xenofobia, o terrorismo, e outros fenómenos ameaçadores da liberdade e da paz".




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