Media Director da TVI: "Não vamos fazer protestos contra a Netflix"

Director da TVI: "Não vamos fazer protestos contra a Netflix"

Bruno Santos rejeita "fazer igual aos taxistas" na reacção às concorrentes plataformas digitais de conteúdos e assegura que o canal de televisão "vai continuar a ser líder" depois da saída de Cristina Ferreira para a SIC.
Director da TVI: "Não vamos fazer protestos contra a Netflix"
Sábado
António Larguesa 01 de outubro de 2018 às 10:33

O director-geral de antena e de programas da TVI encara a queda dos canais em sinal aberto como "uma inevitabilidade", até pela concorrência das plataformas de "streaming" em que o espectador escolhe o que e quando quer ver, mas acredita que "a televisão é e continua a ser o meio que mais e melhor impacto tem no espectador, que melhor cobertura dá aos anunciantes [e] que mais garantias dá às marcas".

 

"Não podemos parar o vento com as mãos e fazer igual aos taxistas. Não vamos fazer protestos contra a Netflix, contra essas plataformas. Olhamos para esses fenómenos como novas formas de se consumir televisão. Achamos que as pessoas estão a consumir de forma diferente mas estão a consumir cada vez mais. Nunca houve tanto consumo de vídeo, de conteúdo de televisão. Esse é que é o desafio", sustenta Bruno Santos, anunciando que vai começar a produzir conteúdos específicos para o TVI Player, uma forma de "consumir stock" e ver o canal no mobile.

 

Numa entrevista ao Público esta segunda-feira, 1 de Outubro, em que justifica a continuação da aposta nos "reality shows" pela audiência, diferenciação e pelo crescimento que traz ao canal nas plataformas digitais, o responsável garante estar atento à CMTV, que vai fazer a primeira novela. "Não desprezamos nenhum movimento de nenhum concorrente. A CMTV tem uma postura muito atrevida e orçamentos muito mais limitados que os generalistas, mas estamos muito atentos", acrescenta.

 

Questionado sobre se a TVI pensa candidatar-se, sozinha ou em consórcio, aos concursos para a atribuição de duas novas licenças aos operadores privados na Televisão Digital Terrestre (TDT), Bruno Santos responde que há "sempre interesse se o negócio for bom e viável e trouxer benefícios para o grupo". Já sobre os canais públicos virem a ter publicidade na TDT, lembra as dificuldades actuais em "manter o negócio saudável" antes de concluir que "tudo o que signifique dificultá-lo ainda mais na obtenção de receita vai prejudicar uma indústria que dá pão para muitas famílias".

 

Líder de audiências há 13 anos consecutivos, a TVI "quer continuar e vai continuar a ser líder" mesmo depois de perder para a concorrente SIC um dos rostos mais importantes do entretenimento, Cristina Ferreira. Que ainda irá continuar a aparecer na grelha do antigo empregador nos próximos tempos, uma vez que há programas gravados com esta apresentadora, que "são milhares de euros que estão em causa e não fazia sentido deitar isso para o lixo" e não os exibir.

 

No entanto, garantindo que esta transferência não põe em causa as "excelentes relações tanto ao nível da administração quanto das direcções" dos dois canais, a mensagem de Bruno Santos é desdramatizar e seguir em frente. "A TVI é muito pragmática nessa matéria. A Cristina Ferreira era um quadro importante e foi embora. Temos outras soluções, acreditamos na nossa força e capacidade de liderança e é assim que estamos a trabalhar. Muito serenamente (…) e olhando para a frente", conclui.



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