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Número de jornalistas detidos este ano atingiu valor recorde

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já reagiu ao relatório do CPJ através do seu porta-voz, manifestando-se "indignado" com o aumento dos ataques e das restrições ao trabalho dos jornalistas.

Lusa 15 de Dezembro de 2020 às 23:06
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O número de jornalistas detidos no exercício da sua profissão atingiu este ano o valor máximo, denunciou hoje o Comité para a Proteção de Jornalistas (CPJ), indicando que a 1 de dezembro havia, pelo menos, 274 profissionais presos.

Segundo o relatório anual do Comité para a Proteção de Jornalistas, este é o número mais elevado de jornalistas presos em todo o mundo desde que esta entidade, sediada em Nova Iorque, começou a recolher dados estatísticas no início da década de 1990.

O CPJ ressalva que este número reflete apenas os detidos naquele momento e não inclui todos os que foram presos e libertados ao longo do ano.

"É alarmante e escandaloso ver um número recorde de jornalistas presos no meio de uma pandemia global", lamenta o diretor executivo do CPJ, Joel Simon, em comunicado citado pela agência de notícias Efe.

Para Joel Simon, esta "onda de repressão é uma forma de censura que interrompe a livre circulação da informação e alimenta a infodemia".

De acordo com o CPJ, os protestos e as tensões políticas foram os catalisadores de muitas prisões, com dois países em crise a registaram um aumento especialmente significativo: Etiópia e Bielorrússia.

A China com 47 detidos, a maioria na província de Xinjiang, a Turquia com 37, o Egito com 27 e a Arábia Saudita, com 24, destacam-se como os Estados que mais jornalistas prendem.

Em geral, os detidos concentram-se no Médio Oriente, em África e na Ásia, ao lado de alguns países como a Rússia. Na lista do CPJ, não existe nenhum jornalista detido no continente americano, na Europa Ocidental e na Oceânia.

A organização destacou ainda o risco que o coronavírus SARS-CoV-2 representa para os jornalistas nas prisões, relatando pelo menos duas mortes por covid-19, uma no Egito e outra nas Honduras.

De acordo com o relatório, a maioria dos jornalistas detidos são acusados de cometer crimes contra o Estado, como terrorismo ou adesão a um grupo ilegal.

Contudo, o Comité para a Proteção de Jornalistas também está preocupado com o aumento de casos ligados às chamadas "fake news" (notícias falsas).

Em 2020, 34 jornalistas em todo o mundo foram presos por alegadamente terem espalhado "fake news", um fenómeno pelo qual a organização responsabiliza o Presidente norte-americano cessante, Donald Trump, pela sua retórica contra a comunicação social e pela forma como tem sido aproveitada por outros líderes.

"O número recorde de jornalistas presos em todo o mundo é o legado do Presidente Trump em matéria de liberdade de imprensa", disse Simon, que apelou ao próximo governo liderado por Joe Biden para trabalhar como parte de uma coligação mundial para reduzir este número.

Nos Estados Unidos, não havia nenhum jornalista preso pelo seu trabalho no dia 1 de dezembro, mas o relatório destaca que ao longo do ano foram presos ou processados criminalmente até 110 profissionais, um número inédito, e pelo menos 300 foram agredidos, principalmente pelas forças de segurança durante a cobertura das manifestações.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já reagiu ao relatório do CPJ através do seu porta-voz, manifestando-se "indignado" com o aumento dos ataques e das restrições ao trabalho dos jornalistas.

"O Secretário-Geral volta a apelar aos governos para que libertem imediatamente os jornalistas que foram detidos apenas por exercerem a sua profissão", disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado.
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