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Passos Coelho fala em histeria à volta da RTP mas "quem criou a histeria foi Relvas"

O primeiro-ministro veio a público recuar na hipótese de concessão da RTP, na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa. O comentador considera que esta questão voltou a pôr em cima da mesa a necessidade de remodelação do Governo, devido ao "problema da forma desastrada como Miguel Relvas lida com a comunicação social".

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Setembro de 2012 às 09:50
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Marcelo Rebelo de Sousa acredita que a forma como foi tornada pública a hipótese de a RTP ser concessionada a uma empresa privada intensificou a necessidade de uma reformulação do Governo.

Anunciada numa entrevista à TVI por António Borges, conselheiro do Executivo para as privatizações, o modelo de concessionar o serviço público de televisão levantou dúvidas não só pelo conteúdo mas pela forma como foi anunciada. Borges garantiu que fez essa apresentação com a autorização de Miguel Relvas e Miguel Relvas disse que aquele era um modelo interessante que representava uma hipótese “muito provável” para o futuro do grupo RTP.

Com as críticas à concessão, incluindo da própria administração da RTP – que se mostrou contra o modelo e a forma como foi anunciada –, Passos Coelho “sentiu necessidade de recuar um bocadinho”, indicou Marcelo Rebelo de Sousa, no comentário habitual aos domingos na TVI.

O primeiro-ministro estava “entalado”, segundo o comentador político, e, por isso, falou numa “histeria” à volta do modelo.

“O irónico é que quem criou a histeria foi Miguel Relvas ao confirmar à TVI que havia essa hipótese como uma hipótese muito provável”, salientou Rebelo de Sousa.

“É cada vez mais necessária uma remodelação e um dos pontos dessa reformulação é sempre o problema da forma desastrada como Miguel Relvas lida com a comunicação social, que normalmente devia ser a sua especialidade”, acrescentou o antigo líder do PSD.

Miguel Relvas tem sob sua tutela a comunicação social mas tem estado envolvido em várias polémicas que conduzem a pedidos da sua demissão, desde as alegadas pressões ao jornal “Público” à licenciatura que tirou na Universidade Lusófona com a frequência de apenas quatro das 36 cadeiras do curso de Ciência Política.

Coligação sai “beliscada”

“As noticias beliscaram a coligação [PSD-CDS/PP]”, comentou ainda Marcelo Rebelo de Sousa. “Tenho para mim que nenhum dos partidos ganha numa crise e, muito menos, numa publicitação da crise”, acrescentou.

Na edição de sábado do “Expresso”, Paulo Portas mostrava desagrado pela forma como foi tornado público o modelo de concessão, que não estava incluído no Programa do Governo de coligação.

“Vai ser preciso um esforço para recuperar o sentido de compromisso que PSD e CDS demonstraram quando negociaram o programa do Governo. Estamos cá para isso”, disse Portas ao semanário. Rebelo de Sousa diz, contudo, que “nenhum deles pode deixar de estar abraçado ao outro”.


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