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Wikileaks volta a "atacar"

A Wikileaks vai divulgar "milhões" de emails provenientes de uma agência de espionagem privada.

Negócios negocios@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2012 às 13:55
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Depois da divulgação de milhares de comunicações diplomáticas, a WikiLeaks prometeu para hoje o início da publicação de 5,5 milhões de mensagens electrónicas de uma empresa de norte-americana de informações Stratfor, que supostamente trabalha para o Governo norte-americano, mas também para algumas multinacionais.

Julian Assange, fundador da Wikileaks, revelou no fim-de-semana que as mensagens vão explicar como funciona uma agência de serviços de informação, como escolhem os clientes, quem são os informadores e a estrutura de pagamentos, assim como os métodos a que recorre para obter informações.

A divulgação já começou, com a publicação de 167 emails. Para esta nova vaga, a Wikileaks fez contratos de parceria com 25 empresas de media, incluindo a Rolling Stone. Em Espanha, a parceria foi feita com o jornal espanhol "Público" que desde sexta-feira deixou de ter edição imprensa e está apenas na Internet e que revela que a agência de informação, que tinham cerca de 300 mil subscritores, era financiada por serviços secretos públicos de vários países. O "Público" chama à Sratfor, "a verdadeira CIA na sombra".

A Stratfor foi criada nos anos 90 por George Friedman que criou, segundo o espanhol "Público" uma agência de espionagem privada, com informadores em todo o mundo, trabalhando também para empresas como a Dow Chemical.

Ao contrário dos anterior furos da Wikileaks, estes emails, segundo revela o "The Guardian", terão sido obtidos através de uma acção de intrusão em computadores da Stratfor pela Anonymous, em Dezembro último. Segundo este jornal, o FBI já está a investigar este ataque informático.

As anteriores divulgações da Wikileaks tiveram como origem denunciadores. Aliás, em relação às anteriores acções da Wikileaks, no final da semana passada o soldado norte-americano, Bradley Manning, que tem estado preso, foi acusado formalmente de "conluio com o inimigo" no tribunal militar, podendo levar a uma sentença de prisão perpétua. Esse será o crime mais grave de um conjunto de 22 acusações.

Bradley Manning é suspeito de ter sido a fonte de milhares de documentos classificados sobre os conflitos no Iraque e no Afeganistão.

Chávez e Aznar nos mails hoje divulgados

Um relatório sobre a doença de Hugo Chávez e sobre quem o poderá vir a substituir. Uma troca de e-mails em que Asnar é criticado. O pedido da multinacional Dow Chemical para investigar os activistas que a criticam. Estes são três dos temas incluídos nos e-mails da Stratfor, companhia privada de inteligência, que hoje a WikiLeaks começou a divulgar.

Num dos e-mails da base de dados da Stratfor é comentado o estado de saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez. Um dos intervenientes é George Friedman, o líder da companhia, que recebe a informação de que Chávez se encontra num estado “muito sério”. No documento, é ainda referido que a equipa médica que estava a tratar do tumor do presidente venezuelano, em Dezembro do ano passado, o considerava um “mau paciente”.

Também a sucessão de Hugo Chávez é tema do mesmo e-mail, de acordo com os documentos divulgados pela WikiLeaks. “Eu manteria o Nicolas Maduro [ministro dos Negócios Estrangeiros] debaixo de olho. Maduro é leal como um cão a Chávez. Se a saúde de Chávez se deteriorar significativamente antes das eleições marcadas para Outubro de 2012, espero que proclame Maduro como sucessor, de uma forma ou de outra”, revela a informadora da Stratfor.

No “Publico.es” estão também denunciadas conversas consideradas desagradáveis para com o ex-primeiro-ministro José Maria Aznar. “Alguém tem perguntas para o antigo primeiro-ministro espanhol Aznar, não vá acabar por adormecer?”, escreve a directora da inteligência geopolítica num e-mail citado pela publicação antes de uma conferência em que iria participar.

Também a Dow Chemical, criticada pelo desastre industrial em Bhopal, Índia, é referida nos e-mails da WikiLeaks. Alegadamente, e segundo os documentos, a multinacional terá utilizado os serviços secretos da Stratfor para investigar os activistas que continuam a combater o desastre por si criado. Um caso que desperta as ligações da empresa de inteligência privada a grandes companhias internacionais.

A Stratfor já afirmou que a divulgação de e-mails privados, hoje iniciada pela WikiLeaks, é "uma quebra de privacidade deplorável, infeliz e ilegal", de acordo com um comunicado citado pela CNN.

(Notícia actualizada às 14h20)


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