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Direito de resposta do gabinete do primeiro-ministro

O gabinete do primeiro-ministro exerce o seu direito de resposta

Gabinete do primeiro-ministro 29 de Junho de 2020 às 18:29
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Acerca da notícia publicada na edição impressa do Jornal de Negócios de dia 26 de junho de 2020, com o título "Testes subiram? Dados oficiais contrariam Costa" (página 7), importa esclarecer o seguinte: os dados oficiais não contrariam Costa.

 

A afirmação proferida pelo Primeiro-Ministro, de que o número de testes subiu desde o início do desconfinamento, corresponde à verdade, qualquer que seja a perspetiva de análise utilizada.

 

O detalhe dos números apresentado pelo Jornal de Negócios relativamente aos testes efetuados não permite retirar a conclusão colocada na capa e na notícia (pág. 7): "Dados oficiais contrariam primeiro-ministro. Testes caem"; "Testes subiram? Dados oficiais contrariam Costa".

 

Seja qual for o horizonte temporal considerado, é claro que o nível de testagem pós confinamento é superior ao pré-confinamento.

 

Numa análise mensal, o mês de maio, mês em que iniciámos o desconfinamento, foi aquele em que mais testes se realizaram, com um acréscimo de 77605 (+22%) testes realizados relativamente a abril. Nos 2 meses anteriores de pandemia (março e abril) temos um total de 427238 testes realizados. Nos 2 meses posteriores (maio e junho ainda incompleto) temos 663537 (+55%)

 

Semanalmente, nas semanas posteriores ao desconfinamento foram realizados 90279 testes em média por semana. Nas semanas anteriores ao desconfinamento a média é de 46056.

 

Analisando diariamente, antes do desconfinamento foram realizados um total de 427238 testes, uma média de 7004 por dia. Após o desconfinamento foram efetuados um total de 663537, uma média de 12760 por dia.

 

Fica, assim, claro que não houve qualquer redução do número de testes realizados após o desconfinamento, mas sim um aumento, como afirmou o Primeiro-Ministro.

 

Acresce que o anúncio do desconfinamento foi efetuado a 30 de abril. Ora, todas as análises estatísticas podem ser efetuadas, incluindo as efetuadas pelo jornal, considerando o dia 18 de maio como data de referência. O que não pode é referir-se a essa data como o início do desconfinamento.

 

No segundo subtítulo, utilizando uma média móvel de 7 dias, o Jornal de Negócios conclui que a 17 de junho foram feitos 9803 testes, menos 24% que no início do desconfinamento. Ora, essa média móvel de sete dias é notoriamente influenciada pelo facto de abranger um período em que ocorreram três feriados, sendo que a partir de uma semana tão atípica não podem ser retiradas ilações gerais. O facto de terem sido selecionados esses dias para o cálculo da média móvel é mesmo revelador de má-fé e enviesamento na análise dos dados. Se em vez de considerarmos os sete dias anteriores a 17 de junho (com três feriados) considerarmos os sete dias subsequentes a essa data, facilmente constatamos uma realidade bem distinta: de 17 a 23 de junho foram realizados em média 12080 testes.

 

Deste modo, o facto de a testagem ter diminuído na semana dos feriados de 10, 11 e 13 de junho não permite retirar a conclusão de que os testes diminuíram no período pós confinamento.

 

Sendo os dados públicos e as análises estatísticas possíveis e verificáveis, em nenhuma circunstância, muito menos com os dados apresentados pelo Jornal de Negócios, se pode refutar que "o número de testes subiu desde o início do desconfinamento."

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