Fidelidade não tem de lançar nova OPA sobre a Espírito Santo Saúde

A seguradora ficou com mais de 96% da ES Saúde após a OPA. Por ter passado a fasquia de 50% do capital, podia ter de lançar uma nova oferta de compra. Mas a CMVM dispensou-a. De qualquer forma, os accionistas com 4% do capital ainda podem vender a sua posição.
Miguel Baltazar/Negócios
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Diogo Cavaleiro 20 de novembro de 2014 às 16:50

A Fidelidade não vai ter de lançar uma nova oferta pública de aquisição sobre a Espírito Santo Saúde, decidiu a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários depois do pedido feito pela seguradora nesse sentido.

A empresa, controlada pelos chineses da Fosun, ficou com 96,1% do capital da dona do Hospital da Luz na sequência da oferta pública de aquisição que lançou em Outubro passado. Antes disso, a Fidelidade tinha uma posição ínfima na cotada.

Como, com a operação, passou a fasquia de um terço (33,33%) e metade (50%) do capital, o Código de Valores Mobiliários obriga ao lançamento de uma nova OPA. Só que a Fidelidade, ao abrigo da mesma legislação, solicitou ser dispensada desse dever. E conseguiu.

"A CMVM deferiu o requerimento de derrogação do dever de lançamento de oferta pública de aquisição por se encontrarem reunidos os pressupostos previstos na alínea a) do número 1 do artigo 189º do Código de Valores Mobiliários: 1) a primeira OPA foi lançada sobre a totalidade dos valores mobiliários referidos no artigo 187º; 2) foi geral e não parcial – sem restrição quanto à quantidade ou percentagem máximas de valores mobiliários a adquirir; 3) foi respeitado o disposto no artigo 188º quanto à contrapartida", justifica o documento emitido através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

A Fidelidade lançou uma OPA sobre a ES Saúde com uma contrapartida de 5,01 euros, acima daquilo que era oferecido pelas várias concorrentes na corrida: Ángeles (grupo mexicano sem presença em Portugal), Grupo José de Mello (donos da Cuf) e UnitedHealth (proprietária da Amil, que detém os Lusíadas). E como esse preço foi oferecido a todos os accionistas que quiseram vender, o regulador presidido por Carlos Tavares considera que não há por que obrigar a uma nova operação idêntica.

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Apesar de ter pedido para não avançar com esta nova OPA, a Fidelidade poderá adquirir as acções dos restantes accionistas da empresa liderada por Isabel Vaz mediante negócios em que pague a mesma contrapartida oferecida na OPA.

Da mesma forma, os accionistas que detêm pouco menos de 4% do capital da empresa podem fazer uso da faculdade da alienação potestativa. Têm, até Fevereiro, para indicar à seguradora que querem que esta compre as suas acções com o mesmo preço.

Desde que a OPA ficou concluída, apenas 3,9% do capital ficou em mãos de investidores. Daí que a negociação em bolsa esteja muito reduzida. Por exemplo, na sessão de hoje, apenas foram transaccionadas 6 mil acções da empresa quando a média era de mais de 200 mil títulos trocados por dia.

A ES Saúde está avaliada em 382,3 milhões de euros de valor de mercado, resultado da cotação dos títulos nos 4 euros (queda de 2,44% face ao valor de ontem).

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