OPA ES Saúde Fidelidade entra na corrida pela ES Saúde e oferece 4,72 euros por acção

Fidelidade entra na corrida pela ES Saúde e oferece 4,72 euros por acção

A seguradora, detida pelos chineses da Fosun, paga mais 22 cêntimos do que o grupo mexicano Ángeles na oferta pública de aquisição que lançou sobre a dona do hospital da Luz. É a terceira OPA sobre a Espírito Santo Saúde.
Fidelidade entra na corrida pela ES Saúde e oferece 4,72 euros por acção

A Fidelidade confirmou que quer o controlo da Espírito Santo Saúde. Para isso, a seguradora que está nas mãos dos chineses da Fosun oferece 4,72 euros por cada acção da empresa que detém o Hospital da Luz. São mais 22 cêntimos, ou 4,89%, do que o preço pago pelos mexicanos Ángeles, cuja oferta pública de aquisição arrancou na segunda-feira, 22 de Setembro. Ao preço pago pela seguradora, com sede em Lisboa, a Espírito Santo Saúde vale 451 milhões de euros. 

 

A companhia detida pela Fosun está, assim, na corrida pela ES Saúde através do lançamento de uma oferta concorrente à dos mexicanos. A oferta pública de aquisição, cujo anúncio preliminar foi publicado na madrugada desta terça-feira 23 de Setembro, é geral e voluntária, ou seja, a empresa é obrigada a adquirir as acções de quem quiser vender. O Finantia é o intermediário financeiro da operação

 

Com a contrapartida oferecida, a ES Saúde está assim avaliada em 451 milhões de euros. Ao fecho de mercado, a empresa portuguesa apresentava uma capitalização bolsista de 449 milhões de euros. 

 

A companhia liderada por João Magalhães Correia acredita que a contrapartida oferecida para atrair os investidores justifica-se porque, além de ser quase 5% superior à oferta do grupo Ángeles, tem também um prémio de 31% face ao preço médio ponderado dos últimos seis meses da empresa sob o comando de Isabel Vaz (3,61 euros). Os 4,72 euros estão, até, acima dos 4,70 euros a que as acções da companhia portuguesa encerraram na sessão desta segunda-feira. 

 

Para apresentar uma oferta concorrente, a seguradora tinha apenas de apresentar uma contrapartida 2% aos 4,50 euros, isto é, 4,59 euros. Mas acabou por elevar a parada, numa altura em que há vários interessados pela empresa de saúde. 

 

Esta é a terceira oferta pela detentora de hospitais como o da Luz, em Lisboa, e o Beatriz Ângelo, em Loures. A oferta inicial partiu do Grupo Ángeles, que começou por oferecer 4,30 euros mas já reviu a contrapartida para 4,50 euros e tem, neste momento, a oferta que protagoniza a decorrer até 3 de Outubro (não é certo que o prazo não possa ser prolongado, já que o aparecimento de uma oferta concorrente pode levar a essa prorrogação). O Grupo José de Mello apresentou uma contrapartida de 4,40 euros e preparava-se, antes da oferta da Fidelidade, para anunciar uma revisão. Não se sabe ainda a posição face a este novo desenvolvimento. 

 

Seguradora quer maioria do capital; já tem 0,0016%

 

Tal como os mexicanos da Ángeles e os portugueses da José de Mello Saúde, a Fidelidade impõe como condição desta operação a obtenção de um mínimo de 50,01% do capital da empresa, ou seja, quer ter uma posição maioritária.

 

De forma a cumprir tal objectivo, é preciso que a Rioforte, que detém 51% da Espírito Santo Saúde através da Espírito Santo Healthcare Investments, venda a sua posição. A empresa do Grupo Espírito Santo encontra-se sob uma espécie de protecção de credores no Luxemburgo ("gestión contrôlée", ou gestão controlada), pelo que é o tribunal que decide as vendas de activos. 

 

Neste momento, a Fidelidade conta com já 1.504 acções da Espírito Santo Saúde, ou seja, uns ínfimos 0,0016% do seu capital social. 

 

Manter "linhas estratégicas" após OPA que traz sinergias para a Fosun

 

No anúncio preliminar, a Fidelidade – Companhia de Seguros indica que, caso adquira a empresa, "tenciona manter a actividade empresarial desenvolvida", "mantendo as grandes linhas estratégicas definidas pelo conselho de administração e apoiando a expansão da actividade". Nada é dito se a equipa de gestão da Espírito Santo Saúde, liderada por Isabel Vaz, é para manter, como anunciaram as anteriores oferentes. 

 

Com esta operação, a Fidelidade acredita que "poderá trazer sinergias e valor acrescentado para o grupo de que faz parte", a Fosun. A seguradora portuguesa tem oferta na área dos seguros de saúde privada, no qual opera a Espírito Santo Saúde. 

 

Estado tem de autorizar passagem de PPP de Loures

 

Nas condições para o sucesso da operação, a seguradora inscreve a autorização – ou não oposição sem condições – do Estado (Ministério da Saúde e Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo) para que o controlo da Sociedade Gestora do Hospital de Loures e a empresa que gere o edifício em que funciona possa trocar de mãos.

 

Esta é, aliás, uma condição imposta tanto pela Ángeles como pela José de Mello Saúde, já que este hospital funciona sob um regime de parceria público-privada. Os mexicanos já receberam esta autorização estatal, os portugueses ainda não. 

 

"A oferta está ciente que a condição referida terá que se encontrar verificada até à data do regime da oferta concorrente", admite a Fidelidade. A seguradora tem 20 dias para apresentar o registo, segundo o código de valores mobiliários, mas será do seu interesse fazê-lo o mais rapidamente possível, tendo em conta que a OPA da Ángeles está a decorrer (ainda que a CMVM a possa prolongar devido ao aparecimento desta oferta concorrente). Assim, as ofertas concorrentes à Ángeles terão de ser registadas até esta sexta-feira, 26 de Setembro. Ou seja, depreende-se da leitura do comunicado que o Governo terá que se pronunciar até essa data e não impedir o registo da OPA da Fidelidade. 

 

Fidelidade evita notificação à Concorrência 

 

Aliás, com prazos apertados, a seguradora deverá optar por não notificar a Autoridade da Concorrência com antecipação. No comunicado, a Fidelidade informa que "pondera" usar uso de uma faculdade legislativa que permite realizar uma OPA antes da pronúncia do regulador, "desde que o adquirente não exerca os direitos de votos inerentes às participações em causa até que haja uma decisão de não oposição".

 

A Fidelidade segue, assim, a Ángeles, que também optou por não enviar uma notificação para aquele organismo. A José de Mello Saúde teve de o fazer, tendo em conta a presença relevante no mercado de saúde que tem em Portugal - o que acabou por prejudicá-la face aos rivais em termos de prazos.  

 

(Notícia actualizada com mais informações pela última vez às 3h25)

 




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