PME

Mantenha os seus colaboradores felizes sem aumentos

Numa época em que os peritos aconselham contenção salarial, as empresas são obrigadas a encontrar e a apostar em formas alternativas de manterem os seus colaboradores satisfeitos e motivados. Na Dinamarca a sesta para quem trabalhe por turnos já foi...
Jornal de Negócios
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Patricia Cale /Casa dos Bits 12 de novembro de 2009 às 15:33

Em tempos de crise, o dinheiro é normalmente aquilo que os funcionários mais precisam e os "patrões" menos podem oferecer. Mas nada que não se resolva com boa vontade e alguma criatividade. Afinal, os incentivos não têm necessariamente que ser monetários
para terem um efeito mobilizador.

Numa época em que os peritos aconselham contenção salarial, as empresas são obrigadas a encontrar e a apostar em formas alternativas de manterem os seus colaboradores satisfeitos e motivados.
Na Dinamarca a sesta para quem trabalhe por turnos já foi adoptada de forma voluntária por mais de 1.800 empresas e, em Abril último, acabou mesmo por ser transformada em lei numa das províncias do país, como forma de motivar os trabalhadores e aumentar a rentabilidade.
No Reino Unido, o Google incentivou todos os colaboradores a recorrerem à bicicleta como transporte diário, promovendo hábitos mais saudáveis e um menor impacto ambiental, iniciativas que funcionam não só a nível interno, mas que contribuem também para melhorar a imagem da empresa junto do público.
Em diferentes lugares do mundo existem organizações que idealizam instalações com base na filosofia do Feng Shui (corrente de pensamento nascida na China), oferecem fruta, promovem formação, pagam o ginásio, apoiam nas tentativas de deixar de fumar ou na conclusão dos estudos. "Os exemplos são inúmeros e bastante inspiradores", refere Sandrine Lage, fundadora do Great Place to Work Institute em Portugal, responsável pela elaboração do estudo de ambientes de trabalho com o mesmo nome.


Os Benefícios que contam quando quer motivar os seus colaboradores
As oráticas mais usuais
• Planos de saúde
• Seguros
• Flexibilidade de horários
• Trabalhar a partir de casa
• Formação, nomeadamente cursos de línguas
• Equipamentos de comunicação, como telemóvel ou computador
• Acordos com ginásios e 'health clubs'
Com um toque de originalidade
• Cartões de compras ou cupões de desconto
• Oferecer os chamados "pacotes de experiências"
• Distribuir fruta e lacticinios gratuitamente
• Ter bicicletas à disposição para uso diário
• Apoio nas tentativas de deixar de fumar
• Promover aulas de exercício físico 'in house'

Estas políticas ou estratégias, implementadas em empresas, organizações ou entidades públicas, independentemente da dimensão, do sector ou do país, buscam melhores resultados, a diferentes níveis.
Estratégias funcionais
Os mais de 20 anos de experiência do instituto apontam para três características comuns fundamentais na mobilização dos colaboradores: a credibilidade na administração, o reconhecimento e os benefícios especiais, que não exigem necessariamente um grande investimento por parte das empresas. "Ao interiorizarem no seu ADN práticas de excelência, potencia-se a retenção de talentos, reduz-se o 'turnover' dos colaboradores e melhora-se a produtividade. Adicionalmente, ganha-se em reforço de 'branding' e de competitividade", garante Sandrine Lage.


Critical Software
Gonçalo Fernandes, CFO da Critical Software
A Critical mantém também à mobilidade na empresa, "across" projectos e áreas técnicas, e políticas destinadas a estimular e premiar as ideias inovadoras.
Data de criação 1998
Volume de negócios 16,9 milhões de euros (2008)
N.º de colaboradores Cerca de 300
Média de idades 32
Habilitações literárias 80% licenciados; 5% a 10% doutorados; restantes com bacharelato ou inferior

Medidas diferentes com metas distintas
Na Critical Software as políticas de incentivos datam da génese da organização e são diferenciadas, de modo a cumprir objectivos diversos.
A empresa, que se dedica ao desenvolvimento de aplicações tecnológicas para diversas áreas, aposta em medidas que incentivam a cultura de mérito e a participação individual, como os prémios de desempenho, havendo igualmente políticas orientadas para o bem-estar e conforto dos colaboradores, como os "fringe benefits", explica Gonçalo Fernandes, que acumula as "pastas" da directoria financeira e dos recursos humanos.
A Critical mantém também incentivos à mobilidade na empresa, "across" projectos e áreas técnicas, e políticas destinadas a estimular e premiar as ideias inovadoras.
No futuro, a estratégia da empresa portuguesa para esta área prevê uma maior intensificação dos incentivos à produtividade e à criatividade e uma maior diversificação de políticas que incentivem transversalmente o bem-estar e o conforto, com novas opções de "fringe benefits" que permitam aos colaboradores definirem um "pack" que lhes seja particularmente apelativo.

Relativamente aos benefícios, em Portugal dá-se bastante importância à flexibilidade de horário e menos à autonomia, esta última "por implicar responsabilização pelo seu próprio trabalho", explica a gestora, mencionando que esta é uma tendência inversa aos restantes países europeus. "Não há uma receita padrão para políticas de incentivos. Como as pessoas, cada organização tem o seu ADN. Há incentivos que agradam a determinados perfis e a outros não".
A cultura de incentivos "verdadeiramente dita" está agora a iniciar-se em Portugal, considera Amândio da Fonseca, presidente do conselho de administração do Grupo Egor. "Antes tínhamos apenas iniciativas avulsas". A empresa da área dos recursos humanos e recrutamento estabeleceu recentemente uma parceria com a ThinkSmart Espanha para a comercialização, em regime de consultoria, de uma plataforma de gestão de políticas de incentivo, que funcionará com base num sistema de pontos que vão sendo atribuídos conforme forem alcançados determinados objectivos e que depois podem ser trocados, e até comprados.


Microsoft Portugal
Teresa Nascimento, directora de Recursos Humanos
Seguros, acções, portátil e telemóvel, pequenos-almoços, fruta fresca e iogurtes disponibilizados gratuitamente, ginásio disponível nas instalações e acordos com ginásios especializados, fazem parte da lista de contrapartidas oferecidas pela Microsoft Portugal aos seus funcionários
Data de criação 1990
Volume de negócios 261,6 milhões de euros (2008)
N.º de colaboradores 450, incluindo o Centro de I&D para a Mobilidade situado em Braga
Média de idades 37 anos

Acima de tudo, ouvir os colaboradores
Seguros, acções, portátil e telemóvel, pequenos-almoços, fruta fresca e iogurtes gratuitos, ginásio disponível nas instalações e acordos com ginásios especializados, fazem parte da lista de contrapartidas oferecidas pela Microsoft Portugal aos seus funcionários, numa altura em que a maior prioridade é a manutenção dos postos de trabalho.
"Estamos num momento de contenção e sobriedade, em que o foco no indivíduo e na sua retenção é uma prioridade. Por isso mesmo também temos o forte compromisso em ser claros e frontais com os nossos colaboradores, face aos desafios do presente", defende Teresa Nascimento, directora de Recursos Humanos da empresa.
No cargo há dois anos, a responsável considera que, no contexto actual, a manutenção de todos os benefícios pode ser considerado um privilégio.
"Aliás, os nossos questionários de satisfação indicam isso mesmo - melhorámos a satisfação dos colaboradores, não obstante termos anunciado a opção de não efectuar aumentos salariais este ano".
Globalmente, a Microsoft afirma que 85% dos seus colaboradores estão muito satisfeitos com o pacote de benefícios, a avaliar pelos resultados de satisfação obtidos num estudo anual interno.
"O mais relevante, contudo, é que nos dão 'feedback' pessoal e regular do que gostariam de ver melhorado".

O princípio é idêntico aos chamados "catálogos de pontos", usados pelas operadoras móveis ou pelas marcas de combustível.
A plataforma diz respeito a políticas 'non cash'. "Se déssemos a escolher, possivelmente a grande maioria dos colaboradores optava pelo dinheiro, mas na prática as políticas 'non cash' funcionam muito bem. O dinheiro gasta-se e esquece-se. Já uma viagem, além do factores prazer e recordação, traz associado o factor prestígio", considera.
Com soluções desenvolvidas internamente, há empresas em Portugal que já mantêm uma estratégia consolidada nesta área. A aposta é diversificada, mas com destaque em áreas como a formação, os seguros e a cultura dos hábitos saudáveis.


ROFF
Francisco Febrero, CEO da ROFF
"Estamos seguros que o espírito fortemente colaborativo da ROFF é único e fruto destas políticas"
Data de criação 1996
Volume de negócios 19,8 milhões de euros
N.º de colaboradores Cerca de 300
Média de idades 33
Habilitações literárias 95% licenciados

Porque os interesses mudam…
À medida que a idade média dos colaboradores aumenta, os interesses alteram-se. Uma boa política de incentivos deverá ter em atenção estes factores, assim o defende a ROFF, uma consultora para a área das tecnologias, que garante ter vindo a alterar os benefícios oferecidos, "porque as necessidades e aspirações dos colaboradores também evoluem", segundo afirma o CEO Francisco Febrero.
A empresa aposta, essencialmente, na formação e na promoção da saúde, da segurança e do bem-estar. Todos os funcionários possuem um seguro de saúde, extensível ao agregado familiar, e podem beneficiar dos acordos firmados com Ginásios e Health Clubs.
Além disso, há fruta fresca, sem quaisquer custos, todos os dias. "Trata-se de uma medida simples, mas essencial para promover hábitos de alimentação saudáveis", garante o responsável. E por falar em hábitos saudáveis, a ROFF tem à disposição dos seus colaboradores bicicletas que podem usar durante o dia…
Francisco Febrero não tem dúvidas em afirmar que estas e outras medidas de estímulo, promovidas dentro da organização, são bastante relevantes na mobilização de todos. "Estamos seguros de que o espírito fortemente colaborativo da ROFF é único e fruto destas políticas", garante.

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