Empresas Governo vende Portugal em França depois do 25 de Abril

Governo vende Portugal em França depois do 25 de Abril

O secretário de Estado da Internacionalização vai estar em Paris e Toulouse durante quatro dias para uma missão de diplomacia económica. No segundo maior cliente e terceiro fornecedor do país, a aeronáutica é a estrela que mais brilha.
Governo vende Portugal em França depois do 25 de Abril
António Larguesa 22 de abril de 2016 às 20:04

O secretário de Estado da Internacionalização vai encabeçar uma missão de captação de investimento em França, que arranca na segunda-feira, 25 de Abril, num encontro com empresários de vários sectores em Paris, terminando três dias depois em Toulouse, onde está sediado o forte "cluster" aeronáutico gaulês.

 

No segundo dia da visita, ainda na capital francesa, Jorge Costa Oliveira vai reunir-se com empresas clientes do grupo Altran, que está presente em Portugal em várias áreas, como telecomunicações e media, financeira, indústria ou administração pública. E é no Fundão que está em curso o maior investimento da filial portuguesa, num valor próximo dos 12 milhões de euros. Esse centro de desenvolvimento de software e inovação vai criar 200 postos de trabalho directos e outros tantos indirectos.

 

É ainda em Paris que o governante vai iniciar as conversações com o sector aeronáutico e especial, encontrando-se com a associação empresarial francesa especializada nesta área para "apresentar as potencialidades de Portugal enquanto destino de investimento". No "cluster" de Évora, onde a brasileira Embraer também está a produzir, a francesa Mecachrome investiu perto de 7,2 milhões de euros na construção de uma unidade de componentes aeronáuticos.

 

Segundo a agenda da visita disponibilizada pelo Governo, Jorge Costa Oliveira manterá o foco no mesmo sector durante os dois últimos dias do périplo, já na capital de Haute-Garonne. Na quarta maior cidade do país vai visitar a Airbus, estará com quadros portugueses e empresários franceses deste sector e será testemunha na assinatura de um protocolo de cooperação entre a Associação para a Valorização e Promoção da Oferta das Empresas Nacionais para o Sector Aeronáutico (PEMAS na sigla inglesa) e o reputado Cluster Aeronáutico de Toulouse.

 

Os "filhos da pátria" a investir

 

A França é o segundo maior cliente de Portugal e o terceiro fornecedor do país. E as relações comerciais e de investimento entre Portugal e França até saíram reforçados nos últimos anos, coincidindo com o período de crise económica e financeira. No ano passado, as exportações para aquele mercado voltaram a aumentar mais de 7%, para 6,42 mil milhões de euros, enquanto as importações ascenderam a 4,4 mil milhões de euros, após uma subida de 6,4%.

 

No capítulo do investimento, os maiores montantes foram aplicados pela Altice na Portugal Telecom (7,4 mil milhões de euros), pela Vinci para pagar os três mil milhões da concessão da ANA - Aeroportos de Portugal e também pela Cofidis no Banif Mais, no montante de 400 milhões de euros. Porém, são vários os exemplos de pequenos e médios investimentos industriais com capitais franceses de Norte a Sul do país.

 

É o caso da Vygon que construiu uma fábrica de dispositivos médicos de alta tecnologia em Paredes ou do grupo Derichebourg, um dos maiores operadores na área dos "facility services", que comprou 51% da Safira, que factura 36 milhões de euros, emprega cinco mil pessoas e limpa os metros de Lisboa e Porto, as lojas da Fnac e o Parlamento. Na área do imobiliário, ainda recentemente um investidor privado de origem francesa, de identidade não revelada, comprou em hasta pública o antigo Hospital da Marinha, em Lisboa, por quase 18 milhões de euros.

 

A 18 de Março, durante a 4.ª Conferência Económica Franco-Portuguesa sobre o "Contributo do Investimento Francês para o Crescimento Português", o secretário de Estado do Comércio Externo francês, Matthias Fek, revelou que há "dezenas de projectos" de companhias gaulesas a estudar o país. O embaixador de França, Jean-François Blarel, assegurou que o país é "o principal investidor estrangeiro em termos de valor acrescentado gerado em território português.

 

Esta missão de diplomacia económica promovida pelo Executivo liderado por António Costa segue-se a outras iniciativas privadas de promoção naquele país e em várias áreas. No início de Abril, por iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, liderada por Carlos Vinhas Pereira, Portugal foi o país convidado de honra do Salão dos Seniores em Paris, onde apresentou a isenção fiscal e a segurança como principais argumentos para atrair investimento de reformados em imobiliário.




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