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Intercâmbios de empreendedorismo - Empresas sem fronteiras

Marco Cordeiro, Bruno Caldeira e José Esteves tinham ideias e negócios, mas quiseram aumentar os seus conhecimentos além-fronteiras. O Erasmus para Jovens Empreendedores foi a ferramenta que escolheram para aprender com quem faz vida do empreendedorismo há mais tempo.

Ana Pimentel 02 de Dezembro de 2010 às 14:19
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Mais contactos, mais conhecimento e um novo mercado. Quando José Esteves fez as malas para se aventurar no empreendedorismo espanhol, eram estas as razões que levava na algibeira. Para trás, ficava a sua recente criação, a Carbono Eficiente, projecto que nasceu enquanto tirava um mestrado em sistemas energéticos sustentáveis.

Lançada a empresa, por que não aprender com os mais experientes? Através da Universidade de Aveiro (UA), concorreu ao programa da União Europeia "Erasmus para Jovens Empreendedores". A UA foi a primeira entidade portuguesa a fazer parte do programa, através da sua Unidade de Transferência de Tecnologia. Apesar de ter arrancado "a valer" em meados de 2009, tornou-se organização intermediária desde a sua fase-piloto, em 2008.

O IPN - Incubadora Associação para o Desenvolvimento de Actividades de Incubação de Ideias e Empresas também assumiu este desafio desde o início. A participação no programa foi considerada "estratégica". O objectivo era o de alargar o âmbito de serviços disponibilizadas pelo IPN, para apoiar processos de internacionalização das empresas incubadas.

"Para minha surpresa, a adesão até tem sido bastante razoável, pelo menos ao nível do número de candidatos", confessa Filipe Neves, coordenador da Gestão de Projectos. Contudo, nos últimos meses, o número de novos candidatos caiu "substancialmente". "Muitas vezes, os candidatos são rejeitados porque o seu perfil não se enquadra nos requisitos do programa, que são bastante exigentes", acrescenta.

Até Novembro, foram formalizadas 17 candidaturas na UA, que resultaram em quatro intercâmbios. "Apesar da adesão dos empreendedores, a estrutura do programa e a natureza do apoio, infelizmente, inviabilizam a participação de muitos dos interessados." Marlos Silva, responsável da UA pelo programa, refere-se à duração mínima do intercâmbio (um mês) e à necessidade de disponibilidade financeira dos empreendedores.

Estes têm de ter condições para suportar, à partida, parte dos custos, que são reembolsados apenas no final. No entanto, acrescenta que os projectos apoiados até ao momento são de elevada qualidade e potencial de sucesso, representando sectores estratégicos da economia nacional.

Para Filipe Neves, tem sido possível estabelecer contactos com outras instituições congéneres, de renome internacional. "O relacionamento com os empreendedores também tem sido bastante positivo e proveitoso", comenta. No entanto, sublinha as dificuldades de gestão, visto a área geográfica de actuação do IPN ser bastante extensa. De que forma pode ser uma mais-valia para o tecido empresarial português? Filipe Neves acredita que, "bem aproveitado, pode ser mais uma ajuda no estimulo à internacionalização da nossa economia, no geral, e, particularmente, das nossas PME".

Internacionalizar o negócio
A Universidade do Porto (UP) é outra organização intermediária do programa. Aderiu a este desafio apenas em Janeiro de 2010, através da UPIN - Universidade do Porto Inovação. "É nossa missão centrarmo-nos no apoio aos empreendedores da comunidade da UP", adianta Sofia Varge, da gestão de financiamento de investigação e desenvolvimento. O objectivo é o de apoiar a cadeia de inovação e fomentar o "interface" Empresa - Universidade. A adesão à iniciativa tem sido muita, segundo Sofia Varge. "Verificamos que existem muitas pessoas interessadas em saber mais sobre as condições de participação e, paralelamente, muitas que se interessam em participar, como empreendedores ou entidades acolhedoras", acrescenta. Apesar dos obstáculos profissionais ou financeiros que possam surgir, o programa permite que se invista, sem custos elevados, na criação de um negócio próprio.

A experiência tem sido globalmente positiva, mas "os processos levam algum tempo a decorrer até à aprovação final da Comissão Europeia. Temo-nos apercebido que esse pode ser um factor desencorajador para os participantes", explica. A UP tem recibo propostas de jovens empreendedores, mas, na prática, são mais as empresas de acolhimento que participam, "visto que deles não é exigido nenhum encargo financeiro".

Regra geral, os empreendedores estão a terminar os estudos ou têm uma experiência profissional pouco satisfatória. Com o programa, pretendem pôr em prática o seu objectivo, que, na maioria dos casos, tem a ver com o desenvolvimento do seu próprio negócio. "Do ponto de vista do empreendedor de acolhimento [empresa], trata-se de uma real possibilidade de internacionalizar o seu negócio", adianta Sofia Varge.

Desta forma, existe uma proximidade com um empreendedor que, independentemente de ter ou não uma ideia definida sobre o negócio que pretende lançar, partilha os mesmos interesses da empresa. "Para o jovem, existem claras vantagens no intercâmbio: conhecer a realidade do negócio de outro país, trabalhar numa empresa que, à partida, tem afinidades com a sua própria ideia de negócio", acrescenta. Para Sofia Varge, o programa estimula a internacionalização das empresas portuguesas.

Ir e voltar
Paulo Santos, 46 anos, é director-geral da Tomorrow Options, empresa especializada no "design" e produção de dispositivos electrónicos inovadores para os mercados da saúde, desportivo e industrial. Em Agosto, recebeu uma jovem romena, de 20 anos, na sua empresa. Teve conhecimento do programa através da UP e resolveu participar porque estava curioso.

"Achei que era um pouco contra-senso existir um programa financiado para empreendedorismo", revela, acrescentando que o empreendedor tem de "pedalar e procurar atingir os seus objectivos". E questiona: ao existir um programa destes, financiado, como vamos distinguir os verdadeiros empreendedores dos que procuram apenas uma experiência no estrangeiro?

Madalina Burghlea esteve na Tomorrow Options durante quatro semanas. O seu projecto era construir um infantário ecológico. Por que é que a escolheram? O director explica que não existiu nenhum critério específico. "Como é que se escolhe um empreendedor?", questiona.

Em quatro semanas, recolheu informação de mercado sobre um produto que estavam a pensar lançar, mas "não poderia revolucionar a empresa". Talvez se o intercâmbio durasse mais tempo. "Continuo a achar este programa estranho. As pessoas vêm mas vão embora para fazer o negócio deles". Por isso, não está interessado em receber mais nenhum participante. "Parece-me uma forma preguiçosa de empreender e com objectivos políticos, quando há outras coisas que poderiam ser feitas para motivar as pessoas a criarem empresas", revela.




BÊ-A-BÁ do Erasmus para jovens empreendedores



Quais são as vantagens?
Permite que os novos empreendedores adquirem conhecimentos importantes para o lançamento e gestão das suas PME nas seguintes áreas: factores-chave do sucesso, planeamento eficaz, gestão financeira e operacional, desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, práticas de sucesso na área de vendas e comercialização. Permite, também, alargar conhecimentos em direito comercial europeu e mercado único europeu, harmonização europeia e ápio europeu às PME.

O que oferece?
Incentiva, por um lado, o empreendedorismo e a competitividade, e por outro, a internacionalização e o crescimento das novas e "velhas" PME. Oferece a oportunidade de aprenderem junto de um empreendedor experiente, permite a troca de experiências, facilita o acesso a novos mercados e a busca de potenciais parceiros comerciais, promove a criação de redes entre empresários e permite aos empreendedores experientes desenvolverem novas relações comerciais.

Quem pode participar?
Podem participar tanto os novos empreendedores, que planeiam criar a sua própria empresa ou que já tenham iniciado actividade nos últimos três anos, como os empreendedores experientes. A correspondência entre os novos e os empresários de acolhimento é determinada com a ajuda das organizações intermédias.
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