Indústria Leia Ricon ao contrário. Sonix "dá a volta" à têxtil falida

Leia Ricon ao contrário. Sonix "dá a volta" à têxtil falida

Depois de arrendar a fábrica, as máquinas e de contratar 158 ex-trabalhadores, o grupo de Barcelos decidiu virar do avesso o nome da histórica empresa de vestuário de Vila Nova de Famalicão. Conheça a Nocir.
Leia Ricon ao contrário. Sonix "dá a volta" à têxtil falida
António Larguesa 19 de abril de 2018 às 18:00

Nocir. É esta a nova identidade da histórica Ricon, que entrou em processo de falência no início de 2018 e que atirou perto de 800 trabalhadores para o desemprego. Invertendo as letras da anterior denominação – e somando a assinatura "Tailoring Experts" –, os novos donos querem assinalar a mudança na gigante sociedade têxtil de Vila Nova de Famalicão.

 

"Este virar ao contrário do nome é também a nossa maneira de dizer que vamos dar a volta à empresa e transformá-la num caso de sucesso", sublinhou ao Negócios o administrador do grupo Sonix, Samuel Costa, que no final de Março garantiu o arrendamento temporário das instalações e dos activos da Ricon Industrial junto da massa insolvente.

 

Esta nova identidade já começou a ser implementada junto dos vários parceiros de negócio e também a nível institucional. Incluindo nas instalações localizadas em Ribeirão, no concelho de Vila Nova de Famalicão, onde desde o início desta semana esta designação e o logotipo em tons azuis e cinzentos estão visíveis, tanto no interior como no exterior da fábrica.



De regresso aos postos de trabalho estão já 158 ex-trabalhadores das várias empresas do grupo Ricon, que ali estão a produzir amostras e colecções de vários artigos de vestuário. O grupo de Barcelos, fundado há 34 anos pela antiga costureira Conceição Dias e que em 2017 facturou 60 milhões de euros, prevê que "em breve [terá] de contratar mais" pessoas para esta operação, contabilizando um investimento adicional de cerca de 350 mil euros em novos equipamentos.

 

"Estamos a usar uma parte dos equipamentos [da Ricon], alguns não estavam em condições de ser utilizados e necessitam de reparações profundas, pelo que estamos a avaliar. Outros já foram retirados das instalações por estarem desactualizados. Para colmatar as necessidades actuais, recorremos a equipamentos de empresas do grupo, assim como a parceiros que habitualmente trabalham connosco. Neste momento, aguardamos a chegada de novos equipamentos", detalhou Samuel Costa.

 

Diversificar com controlo da produção

 

Foi a 26 de Março que o Grupo Sonix assinou o contrato de arrendamento com o administrador de insolvência, Pedro Pidwell, que inclui as instalações e parte dos activos da falida Ricon Industrial. O acordo celebrado em Anadia prevê o pagamento de um valor mensal a rondar os 17 mil euros, sendo válido pelo período de seis meses, com opção de renovação por mais três meses. Os novos donos já prometeram "fazer tudo o que estiver ao alcance" para ficar com eles em definitivo depois desse período.

 

Com esta nova operação na área dos tecidos, o grupo acaba por diversificar a actividade têxtil e alargar o portefólio de produtos, alavancando uma nova área de negócios que "há muito pretendia retomar", segundo o administrador. É que quase todos os grandes clientes internacionais a quem já vendia produtos de malha – como o grupo PVH, que detém marcas como a Calvin Klein ou a Tommy Hilfiger – também têm a "necessidade transversal" de comprar artigos em tecido. E muitos acabavam por pedir à têxtil barcelense para lhes indicar outros possíveis fornecedores portugueses nesta categoria.

 

Este virar ao contrário do nome é também a nossa maneira de dizer que vamos dar a volta à empresa e transformá-la num caso de sucesso. SAMUEL COSTA, ADMINISTRADOR DO GRUPO SONIX

Detendo as unidades industriais Sonix (tinturaria e produto acabado), DiasTêxtil (confecção produto acabado) e Modelmalhas (tecelagem), instaladas no concelho de Barcelos, este grupo de estrutura de produção vertical já tinha tentado arrancar há três anos com um projecto nesta área de tecidos, num modelo de subcontratação. Porém, precisamente por falta de capacidade de produção própria, acabou por suspendê-lo após fazer as primeiras entregas.

 

"Queríamos controlar o processo produtivo, tal como fazemos nas restantes áreas de actuação, para garantir os níveis de serviço a que habituámos os nossos clientes. (…) Com o surgimento desta infeliz notícia [da falência da Ricon] vimos uma oportunidade para retomar o nosso projecto de tecidos", apontou Samuel Costa, em declarações feitas ao Negócios quando revelou o interesse da Sonix na aquisição destes activos.




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