Start-ups Start-ups: Os unicórnios já eram. Agora são as baratas?

Start-ups: Os unicórnios já eram. Agora são as baratas?

Um artigo publicado recentemente pelo Business Insider revela que os investidores estão agora mais atentos às start-ups que conseguem superar uma “guerra nuclear”, que sejam “baratas”- o único animal que poderá sobreviver a tal evento.
Start-ups: Os unicórnios já eram. Agora são as baratas?
Bloomberg
Ana Laranjeiro 05 de abril de 2016 às 14:40

Depois dos centauros e dos unicórnios, aparentemente, este ano vão ser as baratas que vão "ditar as regras" no mundo das start-ups tecnológicas. De acordo com um artigo publicado pela Business Insider, o investimento em start-ups e, em tecnologia, vai ser definido este ano por um animal diferente: as baratas (cockroach, em inglês).

"Agora é tudo sobre a resiliência para enfrentar a tempestade", contou à publicação norte-americana Tim McSweeney, director do banco comercial focado em tecnologia Restoration Partners. Esta instituição não investe em start-ups mas presta serviços bancários a start-ups tecnológicas. "Os unicórnios são criaturas míticas, enquanto uma barata pode sobreviver a uma guerra nuclear", acrescentou.

Uma start-ups para ter um estatuto de unicórnio tem de ter uma avaliação igual ou superior a mil milhões de dólares. Mas também um crescimento veloz, impulsionado por fundos de capital de risco. A ideia generalizada, até como sustenta o artigo do Business Insider, é que um unicórnio tem de primeiro escalar o negócio e posteriormente dedicar-se em fazer dinheiro quando já tem uma elevada quota de mercado. A única start-up unicórnio que tem as cores portuguesas é a Farfetch, de José Neves. Trata-se de uma empresa de comércio electrónico de artigos de moda de luxo, que entrou  para o "clube" das start-ups unicórnio em Março do ano passado. 

Entretanto, no passado dia 17 de Março, a Feedzai entrou para a lista das empresas europeias com maior crescimento. É considerada como um potencial unicórnio. Nuno Sebastião, CEO desta start-ups, em declarações ao Negócios na altura defendeu que ser um unicórnio "não é um objectivo, é uma consequência".

Por outro lado, uma barata é um negócio que pauta-se por ser construído de forma lenta e constante desde o início, tendo em atenção as receitas e os lucros, aponta a Business Insider. "Da parte do investimento, é minimizar o risco. Vamos descobrir uma empresa que possa sobreviver a uma guerra nuclear e que depois regresse para lutar no dia seguinte ou para ser o pivot para algo diferente – tem a equipa certa, a base de clientes certa, etc", afirmou Tim McSweeney, à Business Insider.

Segundo o autor do artigo, o termo "barata" foi-lhe mencionado num evento recente em Londres, sendo que esta expressão tinha sido já destacada, em Setembro passado, pela fundadora do Flickr, Caterina Fake. "Mas a ideia da barata versus o unicórnio capta generalizadamente a disposição da comunidade de investimento actualmente", refere ainda o artigo.

O motivo pelo qual os investidores agora estão mais atentos às baratas que os unicórnios é o financiamento. No ano passado, graças a taxas de juro em mínimos históricos mais dinheiro entrou para os fundos de capital de risco, escreve a publicação americana. Mas este ano, o cenário é, para já, diferente. O financiamento através de capital de risco está a "secar" devido às oscilações da economia mundial. E isto, segundo a mesma fonte, revelou problemas nos modelos de negócios de muitas start-ups consideradas como unicórnios e em outros negócios do segmento tecnológico de elevado crescimento. 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI