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Tratamento para Parkinson vence Prémio Europeu do Inventor na área da "investigação"

Alim-Louis Benabid, neurocirurgião e físico francês, venceu o Prémio Europeu do Inventor na área da investigação. Cientista desenvolveu tratamento para a doença de Parkinson. Os cientistas portugueses Elvira Fortunato e Rodrigo Martins estavam nomeados nesta categoria.

Bruno Simão
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 09 de Junho de 2016 às 13:17
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São já conhecidos os vencedores da edição deste ano do Prémio Europeu do Inventor. Elvira Fortunato e Rodrigo Martins eram os dois cientistas portugueses que estavam nomeados para estes prémios na área de investigação. Porém, neste segmento, a escolha do júri - presidido pelo português José Luís Arnaut - recaiu sobre o neurocirurgião e físico francês Alim-Louis Benabid.

A investigação desenvolvida por Benabid transformou a forma como as pessoas com Parkinson são tratadas. "Ao realizar uma cirurgia cerebral a um doente com doença de Parkinson em 1987, Alim-Louis Benabid inseriu uma sonda eletrónica no tálamo do doente, regulada com a frequência de 50Hz. Quando Benabid aumentou a frequência para 100 Hz, o tremor do doente – uma complicação muscular associada com a doença de Parkinson avançada – parou completamente", refere o comunicado. Apesar deste método, a estimulação cerebral profunda (ECP), ter sido já investigado para o tratamento desta doença em décadas anteriores, os seus resultados modestos fizeram com que fosse abandonada. No entanto, o interesse sobre a ECP regressou depois do cientista ter "descoberto o intervalo de alta frequência exacto que diminuía os sintomas de tremor".

Muitas vezes, num estado avançado, esta doença impede que uma pessoa tenha um estilo de vida funcional, mas com este método os pacientes podem recuperar esse estilo de vida. Este tratamento tem por base um procedimento cirúrgico no qual os cirurgiões criam uma pequena abertura no cérebro e insere uma sonda eléctrica. Esta sonda é comparada a um pacemaker e é usada para "administrar cargas eléctricas de intensidades controladas de 130 Hz a regiões específicas do tálamo e áreas adjacentes".

Soluções para radiologia e reduzir a poluição

O prémio para o segmento da Indústria vai para Alemanha. Bernhard Gleich e Jürgen Weizenecker, e a sua equipa, desenvolveram as bases para uma nova "categoria de soluções médicas na área da radiologia". "A radiologia com partículas magnéticas (RPM) fornece imagens em tempo real de tecidos humanos com uma qualidade sem precedentes", refere o comunicado. Em fase de ensaios pré-clínicos, este método "promete fornecer aos médicos imagens instantâneas em 3D [três dimensões] de complicações ao nível dos tecidos, incluindo cancros e doenças vasculares".

Por outro lado, os dinamarqueses Tue Johannessen, Ulrich Quaade, Claus Hviid Christensen e Jens Kehlet Nørskov foram os premiados na categoria Pequenas e Médias Empresas. O prémio foi-lhes atribuído por terem tornado possível "usar amónia, sob forma sólida, para reduzir a poluição atmosférica de motores a diesel e para substituir combustíveis poluentes, dada a amónia poder ser usada como um combustível com emissões zero". "Libertada nos sistemas de escape dos motores a diesel, a amónia reduz a emissão nociva de NOx (óxidos de mono-nitrogénio, uma componente chave do smog) até 99%".

Prémio Não-Europeu para os EUA

O engenheiro químico norte-americano, Robert Langer, foi galardoado com o prémio Não-Europeu graças à invenção de "plásticos biodegradáveis que encapsulam medicamentos anticancerígenos fortíssimos que são direcionados para atuar num ponto específico do corpo humano". Segundo a informação disponibilizada, estes bioplásticos podem ser produzidos em forma de chip e conter medicamentos para combater o cancro e "ser implantados mesmo ao lado dos tumores onde o medicamento é libertado por um processo natural que permite uma eficácia máxima". O cientista norte-americano licenciou as suas invenções patenteadas à indústria farmacêutica.

A investigadora britânica Helen Lee ganhou o Prémio do Público. Cientista criou kits de diagnóstico para países com falta de recursos em todo o mundo. "Kits de diagnóstico examinam o sangue com exactidão e a um preço eficiente, detectam vários tipos de doenças contagiosas como o HIV, a hepatite B e a clamidíase".

E ao engenheiro Anton van Zanten foi-lhe atribuído o Prémio de Consagração de Carreira pela sua contribuição pioneira para os sistemas de segurança automóvel. "Anton van Zanten criou o sistema de Controlo de Estabilidade Electrónica (ESP) e outras soluções que previnem as derrapagens dos automóveis, assim como os choques em situações de travagem extrema".

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