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AICEP pode dar empurrão às start-ups em alguns mercados. Conheça as dicas

A internacionalização das start-ups é a missão da edição actual do Ativar Portugal. Neste sentido, estiverem em Lisboa quatro elementos do AICEP, com quem falámos para perceber alguns alertas e dicas a ter em atenção.

Bloomberg
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 09 de Abril de 2016 às 12:00
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A internacionalização é uma das principais metas da maioria das start-ups nacionais que, em muitos casos, nascem já com uma vertente internacional.

A AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) tem representação em vários pontos do globo, incluindo nos quatro que estão assinalados no "mapa" da maioria da start-ups nacionais: Londres, Berlim, Nova Iorque e São Francisco.

Elementos das representações locais desta agência estiveram em Lisboa a participar na conferência Ativar Portugal, promovida pela Microsoft. Em conversa com o Negócios deixaram alguns alertas e algumas ideias a ter em atenção para quem tenta entrar nesses mercados.

Londres, Reino Unido 

Miguel Fontoura, que está no gabinete londrino da AICEP, explica que a agência faz um "esforço de identificação de potenciais 'business angels', capitais de risco e 'seed capital'" para que "possamos colocá-los em contacto com as empresas portuguesas". Este organismo tenta ainda colocar as start-ups em contacto com companhias britânicas ou multinacionais a operar em solo britânico para perceberem se podem estabelecer uma relação comercial.

Por outro lado, o responsável assinala que uma das dificuldades destas empresas em Londres passa por "perceber o ecossistema que é muito complexo e muito competitivo". E neste âmbito a Agência para o Investimento tem também uma palavra a dizer, ajudando nessa matéria. Miguel Fontoura recorda ainda que, para uma start-up, estar em Londres, além de poder vir a facilitar o acesso ao financiamento, funciona um pouco como uma validação. A capital britânica "é um mercado de validação", assinalou.

Berlim, Alemanha 

Na capital alemã, a AICEP também procura ajudar os empreendedores a entrar em contacto com as empresas, quer se tratem de potenciais clientes, quer se tratem de fundos de capital de risco que poderão investir em start-ups nacionais. Pedro Leão, do gabinete berlinense, destaca que: "uma característica que Berlim tem é ser ‘german-minded’ [uma maneira de pensar bastante alemã, numa tradução livre], portanto é um pouco específico da Alemanha".

E assinala também que "60% das start-ups [germânicas] trabalham com soluções para o mercado alemão. Só 30% é que trabalham para o mercado global". "Dentro desta lógica, quando as empresas portuguesas vão para Berlim têm de pensar um pouco que estão também a entrar num ecossistema mais ‘german-minded'. Aí a língua inglesa ou ter um parceiro alemão poderá ser diferenciador e poderá ajudar", acrescentou.

São Francisco, Estados Unidos

É em São Francisco que está localizado Silicon Valley, geografia onde estão sedeadas inúmeras empresas tecnológicas e para onde converge muito do financiamento das capitais de risco. Filipe Costa, do gabinete da AICEP em São Francisco, lembra "que 44% do 'venture capital' [capital de risco] nos EUA, em 2015, foi [investido] em São Francisco, sendo que nos Estados Unidos foram [investidos] 60% do total mundial". Tal como no caso da AICEP em Londres e Berlim, em São Francisco a agência tenta também fazer a ponte entre as start-ups portuguesas e as empresas locais.

Desafiámos Filipe Costa a apontar o problema, ou ponto fraco, mais comum que as start-ups portuguesas têm quando chegam a esta região. "A dificuldade que posso identificar como transversal é: as empresas, às vezes, não aparecerem no momento certo. Há fases certas da vida das start-ups para aparecerem em Silicon Valley", assinala. "Há uma altura certa para se ir a São Francisco: ou no início (…) ou numa fase de 'scale up'. Aparecer num estágio intermédio entre essas duas coisas (…) é talvez capaz de ser menos avisado", acrescentou.

Nova Iorque, Estados Unidos

Rui Marques está na representação nova iorquina da AICEP e recorda que esta cidade norte-americana é o segundo grande pólo de inovação nos EUA do ponto de vista do capital de risco investido, ficando apenas atrás da Califórnia. O responsável refere que aconselham as start-ups "nas várias fases de parcerias não só ao nível do 'go-to-market' [entrada no mercado], que é para apresentar o produto, mas também ao nível do financiamento – do capital de risco". "Não é fácil para uma pequena start-up falar com os grandes fundos de capitais de risco e nós somos bons a usar este chapéu institucional que temos" para tentar abrir portas, acrescenta.

O responsável adiantou ainda que estas empresas procuram ajuda para perceber como é que podem estabelecer a empresa nos Estados Unidos - algo que é frequentemente necessário para que as start-ups possam receber financiamento de capitais de risco norte-americanas. São necessários vários passos para isso e a AICEP pode ajudar a perceber quais os trâmites legais e quem pode ajudar a estabelecer um negócio nos EUA.

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