Start-ups Bruxelas quer mais unicórnios na Europa: promove fundos de 2,1 mil milhões para start-ups

Bruxelas quer mais unicórnios na Europa: promove fundos de 2,1 mil milhões para start-ups

A Comissão Europeia lança esta terça-feira, 10 de Abril, o programa Venture EU, que pretende promover a criação na Europa de capitais de risco com dimensão capazes de financiar empresas que se tornem unicórnios.
Bruxelas quer mais unicórnios na Europa: promove fundos de 2,1 mil milhões para start-ups
Alexandra Machado 10 de abril de 2018 às 11:11

A Comissão Europeia vai disponibilizar 410 milhões de euros para ajudar a criar capitais de risco com dimensão no mercado europeu. O objectivo é que esse dinheiro financie fundos que entrem em capitais de risco, que investirão em empresas.


Juntando a este valor de 410 milhões as comparticipações privadas e públicas, o fundo deverá conseguir mobilizar um total de 2,1 mil milhões de euros, de acordo com a comunicação feita esta terça-feira, 10 de Abril, por Bruxelas.


Em comunicado a Comissão Europeia explica que se associa ao Fundo Europeu de Investimento para lançar um programa que "estabelece um fundo de fundos de capitais de risco pan-europeu (Venture EU) para estimular o investimento em empresas inovadoras em fase de arranque e em expansão em toda a Europa".


Com a previsão de que os fundos possam atingir os 2,1 mil milhões de euros, Bruxelas estima que se possa atingir os 6,5 mil milhões de euros de novos investimentos gerados por estes apoios. O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo emprego, crescimento, investimento e competitividade, Jyrki Katainen, citado em comunicado, diz acreditar que "com o Venture EU, muitos empresários inovadores da Europa conseguirão em breve obter o investimento de que necessitam para inovarem e terem êxito à escala global".

A Comissão Europeia não esconde que o seu objectivo é que haja mais unicórnios (empresas avaliadas em mil milhões de dólares) na Europa, região que em 2017 tinha 26 dessas empresas – como a BlaBlaCar, Spotify e TransferWise – o que compara com as 59 existentes na China e com as 109 dos Estados Unidos da América.


Para Bruxelas a Europa é deficitária em fundos de capital de risco com dimensão. "Os fundos de capital de risco na Europa são demasiado pequenos – 65 milhões de euros em média, contra 156 milhões de euros nos Estados Unidos".

Por isso, também com o cunho do comissário português Carlos Moedas, responsável pela investigação, ciência e inovação, o Venture EU "proporcionará novas fontes de financiamento". A Comissão Europeia estima que 1.500 empresas conseguirão ter financiamento por via destes fundos.

Os 410 milhões de euros disponibilizados pela União Europeia têm origem em vários programas: 200 milhões virão do Horizonte 2020 (dedicado à investigação e inovação), 105 milhões do Cosme (para as PME), 105 milhões do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) – designado de Plano Juncker – e 67 milhões serão recursos próprios do FEI (Fundo Europeu de Investimento). O restante dinheiro será "angariado pelos gestores de fundos seleccionados, principalmente entre investidores independentes".

Estes fundos serão colocados junto de seis gestoras de capital de risco: Isomer Capital, Axon Partner Group, Aberdeen Standard Investments, Lombard Odier e Schroder Adveq. Mas nesta fase de arranque, só a Isomer e a Axon Partner poderão seleccionar start-ups. Para as restantes só mais tarde, quando for fechado o acordo formal com as sociedades.

"O Venture EU vai ser gerido por seis profissionais e experientes gestoras de fundos sob supervisão da Comissão e do FEI, assegurando uma abordagem real ao mercado", segundo o comunicado da Comissão.

Bruxelas alerta, desde já, que os fundos de fundos demorarão algum tempo até conseguirem completar o levantamento de fundos (privados) e, por conseguinte, será também demorado o processo de início de investimentos nas empresas. "Os primeiros investimentos em fundos deverão começar dentro de um ou dois anos dos acordos do FEI com as gestoras de fundos", apontando-se por isso os primeiros resultados para 2019.

Carlos Moeda acredita que "este mecanismo de investimento vai permitir às empresas europeias inovadoras encontrar dentro da UE os financiamentos que eram tradicionalmente obrigadas a encontrar fora da UE".




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