Start-ups Investimento em start-ups britânicas cai 40% em trimestre de Brexit

Investimento em start-ups britânicas cai 40% em trimestre de Brexit

O investimento em start-ups tecnológicas britânicas recuou 40% no segundo trimestre deste ano, segundo dados da CB Insights. Os receios em torno do referendo à permanência do país na União Europeia penalizaram o financiamento.
Investimento em start-ups britânicas cai 40% em trimestre de Brexit
Reuters
Ana Laranjeiro 19 de julho de 2016 às 13:37

O referendo britânico à permanência do país na União Europeia realizou-se a 23 de Junho. E o desfecho, conhecido nas primeiras horas do dia 24, mostrou que os britânicos escolheram deixar o bloco europeu. Mas nas semanas que antecederam o escrutínio, a incerteza era elevada. As sondagens apontavam para diferenças de resultados muito pequenas, o que não permitia ter, antecipadamente, uma ideia relativamente segura do que iam decidir os britânicos. E isso penalizou o investimento em start-ups no Reino Unido.

De acordo com os dados da CB Insights, citados pelo Business Insider, o investimento em start-ups tecnológicas britânicas de Abril a Junho recuou 40%. O que significa que as start-ups tecnológicas investidas por fundos de capital de risco angariaram 549 milhões de libras, mais de 657 milhões de euros, através da conclusão de 104 negócios no segundo trimestre. Os dois números representam quedas trimestrais.

Kerry Wu, analista do sector tecnológico da CB Insights, disse à Business Insider que, além do número de negócios ter sido menor, comparativamente com os três meses anteriores, os montantes envolvidos nas operações eram também mais pequenos. O relatório da CB Insights aponta ainda que os investidores optaram por adiar os investimentos fruto da incerteza em relação ao referendo. "A incerteza raramente é boa para o mercado mas o impacto concreto do Brexit não vai ser conhecido rapidamente", acrescentou Wu.


Mas não foi só no Reino Unido que o investimento recuou. O financiamento a start-ups europeias ascendeu a pouco mais de 2,5 mil milhões de euros de Abril a Junho, o que representa uma queda de 20% face ao trimestre anterior. Por outro lado, o número de negócios aumentou 5% para 385.


O mesmo relatório indica que, em termos mundiais, as empresas financiadas por capitais de risco angariaram 20 mil milhões de libras, perto de 24 mil milhões de euros no segundo trimestre do ano, o que representa um crescimento de 3% face aos três meses anteriores. Ainda assim, o volume de negócios registou a trajectória oposta, tendo deslizado 6% - neste período registaram-se 1886 negócios, escreve o Business Insider.

#London is open

Antes da realização do referendo, uma das questões que surgiu muitas vezes nas notícias foram empresas a assinalar que, se o Reino Unido quisesse sair da União Europeia, elas saíram do país. Depois de conhecidos os resultados, várias start-ups portuguesas presentes em Londres admitiram que tinham sido apanhadas de surpresa mas viam a decisão dos britânicos como uma oportunidade para o ecossistema lisboeta.

Berlim encarou também o resultado do referendo como uma oportunidade. E passou ao "ataque" ao ecossistema londrino de start-ups – considerada a capital europeia de empreendedorismo. De acordo com um artigo recente do The Guardian, tem circulado uma carrinha com a mensagem: "Queridas start-ups mantenham-se calmas e mudem-se para Berlim" na zona londrina de Westminster e de Shoreditch [onde estão muitas start-ups], com o objectivo de captar empresas para a Alemanha.


Sendo que esta é apenas um das medidas assumidas por Berlim. O jornal inglês dá conta que o senado em Berlim escreveu centenas de cartas para empresas que têm as suas sedes em Londres para persuadi-las a mudar as suas operações.

Dada a especulação sobre eventuais saídas de empresas, nomeadamente de Londres, a capital britânica decidiu responder. O mayor, Sadiq Khan, lançou uma campanha promocional: #LondonIsOpen (Londres está aberta) para mostrar aos parceiros internacionais que a capital britânica, de acordo com o Evening Standard, continua aberta ao investimento e ao espírito empreendedor.

 


Apoiada também pela actual primeira-ministra, Theresa May, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo mayor de Londres, Boris Johnson, a campanha conta com celebridades como o actor Jude Law e o cantor dos One Direction, Niall Horan. "Londres é a melhor cidade do mundo. É criativa, internacional, empreendedora e cheia de oportunidades. Estou muito orgulhoso de ser mayor de uma cidade tão confortável com a sua diversidade e tão optimista acerca do seu futuro", disse Sadiq Khan ao Evening Standard.  

"Nós não toleramos simplesmente a diferença uns dos outros, celebramo-la. Muitas pessoas de todo o mundo vivem e trabalham aqui, contribuindo para cada aspecto da vida na cidade. Temos de garantir que as pessoas em Londres e no mundo ouvem que #LondonIsOpen. Peço a todos que se envolvam nesta simples e poderosa campanha para enviar uma mensagem positiva para o mundo", acrescentou.




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