Start-ups No Europeu das start-ups, Viena concorre com Lisboa

No Europeu das start-ups, Viena concorre com Lisboa

Lisboa está nas bocas do mundo pelo seu ecossistema e por ter derrotado Dublin na competição pelo Web Summit. Mas há outra capital europeia com um festival de start-ups e em que estas empresas estão a ganhar fôlego.
No Europeu das start-ups, Viena concorre com Lisboa
Reuters
Ana Laranjeiro 19 de junho de 2016 às 14:00

Viena será, porventura, conhecida pelos compositores clássicos que nasceram e viveram na capital austríaca. Mas a cidade é também o palco do festival Pioneers – evento vocacionado para start-ups – um dos mais conhecidos dedicados ao empreendedorismo na Europa, a seguir ao Web Summit e ao TechCrunch. É um festival que quer mostrar ao mundo o que se faz na Áustria empreendedora.

Para se ter uma ideia, e de acordo com os números oficiais, apenas na capital austríaca nasceram, em 2013, 8.403 novas empresas, das quais 638 eram start-ups. O "business angel" austríaco Hansi Hansmann reconhece em entrevista ao Negócios que "o ecossistema austríaco fez grandes progressos nos últimos cinco anos". "Podemos estar realmente orgulhosos do que alcançámos.

Se compararmos, numa escala [ascendente] de 1 a 10, diria que há cinco anos estaríamos no [nível] 1 ou 2. Agora estamos no 5 ou no 6. Há ainda muito espaço para melhorar." O secretário de Estado do Ministério da Ciência, Investigação e Economia da Áustria, Harald Mahrer, concorda que o ecossistema tem evoluído de forma positiva e salienta: "Ao nível europeu,  numa análise comparativa, iremos ver que o ecossistema vienense é muito mais desenvolvido do que provavelmente" se reconheceria se se olhasse para os "rankings".

Em Portugal, a aposta governativa passa pelo apoio em três vectores tidos como de grande importância: o ecossistema, o financiamento e a internacionalização das empresas. Na Áustria, o panorama não é muito distinto.

Harald Mahrer conta ao Negócios que a estratégia do Executivo assenta em três pilares: excelência em investigação e desenvolvimento, com a aplicação de uma abordagem à "open inovation", foco em indústrias muito específicas "que acreditamos que vão ter um papel fundamental no futuro" e nas redes internacionais.

"Decidimos não focarmo-nos em Silicon Valley, mas numa área em que acreditamos que nos próximos 10 ou 15 anos ou vai haver um efeito muito disruptivo na área da inovação, ou um efeito disruptivo em aspectos do crescimento económico. Definimos Israel, Japão, Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul como os principais parceiros para o nossos programa para reforçar estes laços", disse.

Arestas a limar

Tal como na maioria dos ecossistema jovens, há lacunas a colmatar. "É ainda muito difícil obter financiamento de série A, e no futuro, diria, não vamos ter start-ups suficientes na Áustria", admite Hansi Hansmann. Uma visão em parte partilhada pelo governante. "Há muitos desafios para as start-ups por todo o mundo, mas os típicos para as austríacas são: questões regulatórias, flexibilidade no mercado de trabalho e a questão financeira". Harald Mahrer admite que as empresas não têm muitas dificuldades em angariar rondas "seed" ou "pre-seed", mas "no que diz respeito ao financiamento de série A" o cenário é diferente.

Com os olhos postos no Oriente, o mercado doméstico, e muitas vezes o germânico, funciona sobretudo como mercado-teste para estas empresas. A Kiweno é uma start-up austríaca com dois anos, que disponibiliza testes a intolerâncias alimentares para serem feitos em casa. Recentemente, angariou uma ronda de financiamento de série A, mas ainda assim nem tudo é fácil para as empresas.

"O ecossistema de start-ups não é considerado tão importante como poderia ser pelos políticos, reguladores. Há muita burocracia. Não é muito amigável para uma equipa jovem", disse Julia Alunovic, da Kiweno, ao Negócios.

Festival Pioneers para inovadores Em 2012, foi dado o pontapé de saída para aquele que é um dos eventos de start-ups mais conhecidos da Europa: o Festival Pioneers. Durante dois dias, o Palácio Imperial Hofburg, em Viena, é o local para onde convergem cerca de 2.500 pessoas entre investidores, empreendedores e meios de comunicação internacionais. Natalie Thonhauser, directora-geral deste festival, considera que o ecossistema austríaco "evoluiu muito nos últimos anos" e que os fundadores do Pioneers "contribuíram muito", nomeadamente para colocar as start-ups na agenda governativa. 



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