Start-ups Se o Reino Unido sair da UE, como fica o ecossistema londrino?

Se o Reino Unido sair da UE, como fica o ecossistema londrino?

Com o referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia, os empreendedores londrinos estão preocupados. Londres é tida como a capital das start-ups na Europa e um dos receios é que esse estatuto fique em causa.
Se o Reino Unido sair da UE, como fica o ecossistema londrino?
Reuters
Ana Laranjeiro 20 de junho de 2016 às 13:54

Esta é a semana do tudo ou nada. O referendo britânico à permanência do país na União Europeia realiza-se na próxima quinta-feira, 23 de Junho. As últimas sondagens apontam agora para uma vantagem dos apoiantes à manutenção do país no bloco europeu. O que pensam os empreendedores londrinos sobre este tema e que efeitos antecipam se o país decidir sair? Várias publicações ligadas ao empreendedorismo e inovação têm escrito sobre o tema há vários dias. E a conclusão parece ser mais ou menos clara: a saída do Reino Unido não seria positiva.

Segundo o TechCrunch, uma sondagem realizada pelo Tech London Advocates, um grupo de campanha, indica que 87% dos 320 membros acreditam que o facto de o Reino Unido ser um dos Estados-membros da UE traz benefícios económicos para o país. Gary Stewart, director do Wayra, uma aceleradora de start-ups, considera que muitos empreendedores vão para o Reino Unido porque acreditam que Londres é o melhor local na Europa para começar uma empresa. Por isso, citado por esta publicação, aponta: "O meu receio [em relação ao Brexit] é que se as pessoas sentirem que há melhores hipóteses de explorar o mercado europeu de um local como Berlim, escolhem isso ou outros locais". "As start-ups vão sempre para locais onde vão ter as melhores possibilidades para o sucesso".

Hussein Kanji, do fundo de capital de risco Hoxton Ventures, considera que serão precisos cinco ou dez anos para perceber qual será o impacto de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia no ecossistema britânico. Londres é tida como a capital europeia das start-ups, isto porque é onde estão sedeadas várias centenas de start-ups, fundos de capital de risco e aceleradores de empresas. O Governo britânico implementou também programas de apoio aos empreendedores. O programa SEIS (Seed Enterprise Investment Scheme) dá benefícios fiscais a investidores e é considerado como um dos mais ambiciosos ao nível europeu. O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, disse há dias ao Negócios que, com o lançamento do Programa Semente - que também dá benefícios fiscais a quem investir em start-ups – as duas iniciativas ficam no mesmo patamar.

cotacao Os líderes empresariais não querem apenas que o Reino Unido fique na UE, estão também extremamente preocupados com os prejuízos económicos que a saída pode causar Rohan Silva
Co-fundador do Second Home, num artigo de opinião no Evening Standard

"Berlim ainda é muito básica, Estocolmo é muito pequena e o resto da Europa ainda está muito fragmentada", assinalou Hussein Kanji ao TechCrunch. "De alguns pontos de vista, o Brexit seria tanto um revés para a Europa como para Londres - é quase uma destruição assegurada, em termos de tirar o momento para todo o ecossistema", acrescentou. O gestor considera que o estatuto que Londres como capital do capital de risco seria afectado. "O Brexit coloca isso em causa, porque é mais difícil ser capaz de fazer negócio em Londres para o continente, pode ver-se os fundos europeus locais e regionais a começar a florescer novamente", acrescentou.

A revista Wired esteve em Berlim recentemente e esteve à conversa com Alexander Möller, da Berlin Partner, uma instituição que encoraja o investimento em negócios e tecnologia na capital alemã. "Se uma start-up fora da UE estiver a pensar vir para cá, provavelmente não vai olhar para Londres", afirmou. O responsável caracteriza Londres como "um dos maiores concorrentes de Berlim". Möller assume em declarações à Wired, contudo, que uma saída do Reino Unido "pode ser um problema" para o ecossistema londrino.

Num artigo de opinião publicado no Evening Standard, Rohan Silva, co-fundador da aceleradora Second Home e antigo conselheiro do primeiro-ministro britânico David Cameron, escreve que a maioria dos principais empreendedores britânicos presentes na semana passada no Founders Forum apoia a manutenção do país no bloco europeu. "Os líderes empresariais não querem apenas que o Reino Unido fique na UE, estão também extremamente preocupados com os prejuízos económicos que a saída pode causar", apontou.


Rohan Silva, que se caracteriza como um empreendedor e como um apoiante relutante da permanência na União Europeia, defende que dado que as duas opções estão, nas sondagens, tão próximas, há uma pergunta que surge: "como devem responder os empreendedores se isso acontecer [Brexit]?". No fórum que decorreu na semana passada, vários empreendedores apontaram para a possibilidade de mudarem o seu investimento para outros países e travar algumas actividades novas no Reino Unido até as coisas acalmarem.

"A reacção da comunidade empresarial para com o desfecho [do referendo] vai desempenhar um grande papel nas consequências do Brexit. Se eles correrem para as montanhas, ficamos todos em problemas", defendeu.


No seu artigo de opinião, o empreendedor sinalizou ainda que: "se na quinta-feira votarmos para 'sair', os empreendedores têm uma escolha: podem fugir assustados ou conseguir o melhor do novo mundo em que se vão encontrar", acrescentou.



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