Start-ups TechCrunch: Start-ups e investidores dividem-se quanto a efeitos do Brexit

TechCrunch: Start-ups e investidores dividem-se quanto a efeitos do Brexit

Um inquérito realizado pelo TechCrunch indica que os investidores e as start-ups estão divididos no que diz respeito aos efeitos do Brexit para o ecossistema de empreendedorismo. Mas partilham um receio: os recursos humanos.
TechCrunch: Start-ups e investidores dividem-se quanto a efeitos do Brexit
Reuters
Ana Laranjeiro 27 de setembro de 2016 às 11:41

O TechCrunch realizou um inquérito para avaliar o sentimento de investidores e start-ups sobre o Brexit. A amostra é pequena (pediram a 300 pessoas para responderem e apenas 70 o fizeram mas que representam, diz a publicação, alguns dos maiores investidores e start-ups da Europa) mas permite ter uma ideia do que pensa a comunidade empreendedora sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Uma das coisas que este inquérito mostra é que não há um consenso sobre os efeitos do Brexit. "A divisão é bastante próxima em termos de [pontos] positivos e negativos, indicando que, novamente, ninguém sabe mesmo o que realmente significa o Brexit ou os efeitos que vai ter", escreve o TechCrunch.

Do ponto de vista das start-ups – todas as que responderam são londrinas  – o pessimismo domina no que diz respeito ao clima para estas empresas na capital britânica mas "sentem que o status quo vai manter-se estável ou melhorar significativamente em outros mercados". Amesterdão e Tel Aviv estão entre as favoritas. Lisboa não surge entre as cidades citadas.

Além disso, as start-ups estão também pessimistas porque não encontram vantagens na saída do Reino Unido da UE. Ainda assim, a maioria das start-ups considera que há algo favorável na desvalorização da libra – desde 23 de Junho a moeda britânica caiu 13% face ao dólar e 12% face ao euro. Apontam que há a possibilidade de serem introduzidos incentivos fiscais e sugerem a possibilidade do mercado imobiliário ficar mais barato.

Num ponto, os receios dos investidores e das start-ups coincidem: os recursos humanos. Esta é mesmo uma das preocupações principais do sector. O TechCrunh escolheu algumas citações de líderes de start-ups sem os identificar. Um dos empreendedores assinalou que "precisamos com urgência de uma confirmação do Governo britânico que os cidadãos da União Europeia que estão actualmente a trabalhar/viver no Reino Unido vão poder ficar cá depois de o Brexit ser efectivo".

Do lado dos investidores, o inquérito do TechCrunh reflecte alguma confiança que "o status quo vai manter-se na maioria dos mercados mas vêm Berlim como uma área em crescimento". "Os investidores não estão optimistas sobre Londres mas estão mais optimistas que as start-ups", escreve o site.

Além dos receios em torno dos recursos humanos, os investidores temem também restrições ao nível de restrições de viagens e atribuição de vistos, bem como, um crescimento da intolerância social. Uma quebra na confiança no mercado britânico e os efeitos que o Brexit pode ter nas operações de FinTech devido às restrições aos passaportes para as licenças bancárias europeias são também alguns dos receios revelados ao TechCrunch. O chamado passaporte comunitário bancário é um documento que confere aos bancos a capacidade para operar nos 28 Estados-membros da União Europeia.

A desvalorização da moeda britânica é para os investidores inquiridos uma vantagem. Os investidores acreditam ainda que com a saída do Reino Unido do bloco europeu vai ser possível captar mais investimento oriundo da União Europeia e Estados Unidos, o mercado imobiliário vai ser mais barato e, potencialmente, pode haver inovação regulatória.

Um dos investidores citados pela publicação, sem ser identificado, indica que "os fundamentais para Londres continuam a ser fortes mas a incerteza em torno de questões como a imigração e os passaportes/autorizações de residência são muito prejudiciais. Quando a incerteza passar, Londres provavelmente vai recuperar rapidamente".

Outro investidor assinalou que a "questão mais importante é que ainda não temos ideia do que significa o Brexit ou quando vai acontecer". "Dois anos de negociação a começar no próximo ano. Até que o desfecho seja claro ninguém pode prever os efeitos na economia ou no panorama das start-ups".

No rescaldo do Brexit, o Negócios falou com start-ups portuguesas presentes em Londres. A surpresa pelo desfecho do referendo era notória mas as empresas falavam também numa oportunidade que poderia ser aberta para Lisboa.

Por outro lado, um inquérito realizado pela plataforma de investimento Seedrs, em meados de Agosto, indicava que a maioria dos inquiridos acreditava que Londres vai manter-se como um dos principais centros de negócios do empreendedorismo.




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