Amnistia Internacional acusa Apple de usar cobalto extraído por mão-de-obra infantil

A Apple e outras marcas tecnológicas podem estar a usar cobalto extraído por mão-de-obra infantil nas minas da República Democrática do Congo e adquirido pelas empresas chinesas que fabricam os seus aparelhos. A acusação é da Amnistia Internacional.
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André Vinagre 19 de Janeiro de 2016 às 14:34

As baterias dos computadores e smartphones da Apple podem conter cobalto extraído por crianças nas minas da República Democrática do Congo, acusa, esta terça-feira, 19 de Janeiro, a Amnistia Internacional.

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As empresas chinesas que fabricam os aparelhos electrónicos de gigantes tecnológicas como a Apple, a Sony ou a Samsung não verificam a proveniência dos minerais usados na produção das baterias para os aparelhos, denuncia a Amnistia Internacional. O cobalto é utilizado na produção das baterias para computadores, telemóveis e até carros eléctricos.

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"As exposições glamorosas nas lojas e a tecnologia de ponta estão em total contraste com as crianças que carregam sacos de pedras e com os mineiros nos estreitos túneis que arriscam permanentemente os seus pulmões", disse Mark Dummett, investigador dos direitos humanos na Amnistia Internacional.

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O Congo é o principal produtor de cobalto do mundo. Só no ano passado o país extraiu mais de 67 mil toneladas de cobalto. A maioria provém de operações industriais, mas cerca de 20% é extraído de minas artesanais da região de Katanga, onde adultos e crianças trabalham em condições precárias, diz a organização.

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Contactada pela Bloomberg, a Apple não comentou o assunto. Já a Samsung disse à Amnistia que os seus aparelhos não eram produzidos pelas empresas chinesas implicadas nesta investigação. À BBC, a Sony disse apenas que a empresa está a trabalhar com os fornecedores para tratar destas questões relativas aos direitos humanos e às condições de trabalho.

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Um dos maiores compradores de cobalto proveniente das minas artesanais do Congo é a Congo Dongfang Mining International, uma unidade da empresa chinesa Huayou Cobalt. A empresa processa o minério na fábrica de Lubumbashi, no Congo, antes de exportar os componentes das baterias para a China e para a Coreia do Sul. A Bloomberg refere que esta empresa exportou em 2014 cerca de 3.561 toneladas de hidróxido de cobalto.

 

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Os mineiros que trabalham nas zonas em que a Congo Dongfang Mining compra o minério podem estar expostos a graves riscos para a saúde ou acidentes fatais. "Pelo menos 80 mineiros artesanais morreram soterrados no sul da República Democrática do Congo entre Setembro de 2014 e Dezembro de 2015. Os verdadeiros números são desconhecidos, já que muitos dos acidentes não são registados e os corpos são abandonados nos escombros", afirma a Amnistia Internacional.

 

A organização internacional descobriu também que a maior parte dos mineiros passa a grande maioria do dia a trabalhar nas minas com cobalto sem o equipamento de segurança adequado, como as luvas, roupa de trabalho ou máscaras. A Bloomberg refere que existem mais de 150 mil mineiros artesanais na região de Katanga.

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