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Além de autónomo, carro do futuro poderá fazer pagamentos

Embora os carros já tenham cada vez mais poder computacional, mudar pontos de vista antigos sobre o financiamento de infraestruturas, sobre a propriedade de veículos e até sobre a natureza do dinheiro pode ser um obstáculo insuperável.

Os veículos inteligentes conseguem comunicar entre si e com as infraestruturas urbanas Fetch.ai
Bloomberg 14 de Dezembro de 2019 às 20:00
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Depois de um ano mergulhado em números nos laboratórios de Silicon Valley da Toyota Motor, Chris Ballinger ficou convicto de que o seu sonho de automação automóvel não era mais fantasioso do que a ambição dos seus chefes de fabricar um veículo que pudesse andar sozinho.

 

Assim, o ex-trader de derivados que passou 14 meses como diretor financeiro do centro de inovação da Toyota lançou uma organização sem fins lucrativos que visa transformar carros em "carteiras rolantes" capazes de fazer e receber pagamentos de forma autónoma em moeda virtual.

 

E como? Os motoristas receberiam pequenas quantias por partilharem dados sobre vários tópicos, desde congestionamentos até condições climatéricas, e seriam debitados pelo uso da infraestrutura e contribuição para a poluição.

"Toda a gente que se foca nos veículos autónomos pensa que poderá beber conhaque no banco de trás, mas as máquinas farão muitas outras coisas de forma autónoma antes de se conseguir superar o problema de dirigir em locais como [a congestionada cidade indiana de] Bangalore ou zonas com climas particularmente adversos", comentou Ballinger, de 62 anos, que mora em Los Angeles, de onde comanda a Mobility Open Blockchain Initiative.

 

"É um problema de engenharia muito difícil, mas configurar pagamentos de máquina para máquina é comparativamente muito simples", explicou.

 

Simples é uma palavra relativa. A visão é tão futurista quanto ambiciosa. Depende de uma infinidade de avanços tecnológicos, sem mencionar a mudança regulatória e a cooperação entre as tradicionais rivais.

 

Embora os carros já tenham cada vez mais poder computacional, mudar pontos de vista antigos sobre o financiamento de infraestruturas, sobre a propriedade de veículos e até sobre a natureza do dinheiro pode ser um obstáculo insuperável. E também há a lei das consequências não intencionais.

 

"Quando a tecnologia é aplicada às cidades e ao transporte por pessoas inteligentes que entendem a tecnologia mas não entendem as cidades, o resultado pode ser mau para as cidades e criar problemas novos ou maiores", segundo Brent Toderian, ex-diretor de planeamento urbano de Vancouver.

 

Como exemplo, Toderian referiu que a nova tecnologia pode levar ao aumento do tráfego, reduzindo qualquer impacto ambiental positivo que tais avanços deveriam proporcionar.

(título original: The Plan to Turn Your Car Into a Virtual ATM)

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