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Apple recusa desbloquear iPhone de autor de ataque terrorista na Califórnia

A Apple recusou desbloquear o iPhone de um dos autores dos ataques terroristas em San Bernardino, na Califórnia. A tecnológica liderada por Tim Cook diz que poderia abrir um "perigoso precedente".

Bloomberg
André Vinagre andrevinagre@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2016 às 11:54
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A Apple anunciou que vai desobedecer ao Departamento de Justiça norte-americano, não desbloqueando o iPhone usado por um dos autores do ataque terrorista de San Bernardino, na Califórnia. A gigante tecnológica anunciou a decisão na terça-feira, 16 de Fevereiro, através de uma carta assinada por Tim Cook, presidente executivo da empresa, publicada no site da Apple.

 

Os investigadores não conseguiram desbloquear o aparelho utilizado por Syed Rizwan Farook, um dos autores do tiroteio de San Bernardino que matou 14 pessoas a 2 de Dezembro, e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América pediu à Apple "assistência técnica" para o FBI recuperar as informações do iPhone.

 

Esta terça-feira a Apple respondeu: "Opomo-nos a esta ordem, que tem implicações muito além do caso legal em questão". "Este momento pede uma discussão pública e queremos que os nossos clientes e todas as pessoas do país compreendam o que está em causa", pode ler-se na carta da Apple.

 

A Apple referiu ainda que "embora acreditemos que as intenções do FBI são boas, seria errado o Governo forçar-nos a dar acesso aos nossos produtos". "Tememos que este pedido contrarie as mesmas liberdades que o Governo supostamente protege", justificou Tim Cook.

 

A Apple diz ainda estar "chocada e indignada" com os actos terroristas de San Bernardino. "Lamentamos as vidas perdidas e queremos justiça para todos os afectados", referiu a tecnológica na carta. "Quando o FBI pediu os dados em nossa posse, nós fornecemo-los", esclareceu a Apple.

cotacao Embora acreditemos que as intenções do FBI são boas, seria errado o Governo forçar-nos a dar acesso aos nossos produtos. Tememos que este pedido contrarie as mesmas liberdades que o Governo supostamente protege. Tim Cook CEO da Apple

Esta recusa vem aumentar a tensão entre o Governo norte-americano e as empresas de tecnologia acerca do acesso a conteúdos encriptados. A Bloomberg diz que as tecnológicas, como a Apple, têm resistido a dar acesso aos dados privados dos utilizadores às autoridades governamentais.

 

O aumento do uso de informação encriptada está a "afectar grandemente a aplicação da lei", referiu James Comey, director do FBI, no Senado norte-americano a 9 de Fevereiro.

 

A 2 de Dezembro, 14 pessoas morreram e 22 ficaram gravemente feridas depois de um ataque terrorista em San Bernardino, na Califórnia. O ataque consistiu num tiroteio durante uma festa de uma empresa e foi perpetrado por Syed Rizwan Farook e Tashfeen Malik, que acabaram por morrer depois de uma troca de tiros com a polícia.

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