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Incerteza na venda ameaça deixar Sharp sem liquidez até ao fim do mês

Duas linhas de crédito e um empréstimo de dois bancos japoneses no valor de 4.400 milhões de euros vencem no dia 31 de Março. A empresa precisa de encaixar liquidez com a venda à Foxconn para conseguir respeitar compromissos.

Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 01 de Março de 2016 às 10:40
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O fabricante de componentes electrónicos japonês Sharp precisa de fechar até ao dia 31 a sua venda à Foxconn sob pena de ficar sem liquidez para satisfazer os seus compromissos com a banca.

A empresa tem, segundo avança a Bloomberg, de satisfazer o pagamento à banca de 4.400 milhões de euros em linhas de crédito e empréstimos que vencem a 31 de Março e que só poderão ser renovadas se a venda se concretizar.

A alienação da actividade à Foxconn, que permitiria à empresa encaixar 5,66 mil milhões de euros, foi travada na quinta-feira passada depois de a compradora detectar passivos contingentes (riscos financeiros futuros) da companhia no valor de 2,8 mil milhões de euros, inicialmente não declarados.

"A Sharp não pode fazer nada se não obtiver o dinheiro. (…) A empresa morrerá se ninguém a ajudar, embora seja improvável que a banca [Mizuho Financial e Mitsubishi UFJ] não colabore", disse à Reuters o analista Mana Nakazora, do BNP Paribas.


A Foxconn, um dos fornecedores da Apple, anunciou na quinta-feira passada ter chegado a acordo com a administração da Sharp a compra da electrónica japonesa por 5,66 mil milhões de euros. Mas, horas depois, travou a operação para analisar os riscos futuros entretanto detectados.

"Temos de adiar a assinatura até que ambos os lados possam alcançar um acordo. Esperamos clarificá-lo rapidamente para concluir com sucesso este negócio", disse na altura a Foxconn em comunicado. Até ao momento, tal não aconteceu.

A oferta da Foxconn sobrepôs-se à do fundo Innovation Network Corp. of Japan, proposta que era apoiada pelo governo japonês. Pela frente – se o negócio se vier a concretizar -, os taiwaneses da Foxconn têm agora a tarefa de reduzir as perdas da Sharp (401,6 milhões de euros no terceiro trimestre de 2015) evitando uma grande reestruturação, tal como se comprometeram.

O objectivo da compra, referia o Wall Street Journal, é que a Foxconn entre na manufactura de um dos produtos bandeira da Sharp - o ecrã táctil usado nos iPhone da Apple, um dos componentes mais caros. Esta é uma oportunidade para aquela empresa ampliar a gama de dispositivos que já fornece à marca norte-americana, numa altura em que a Apple prepara a transição para ecrãs OLED, produzidos maioritariamente pela Samsung.

Os títulos da Sharp (liderada por Kozo Takahashi, na foto) encerraram a sessão desta terça-feira a desvalorizar 0,78% para os 128 ienes, enquanto em Taiwan as acções da Foxconn avançaram 1,07% para 66,20 dólares taiwaneses.

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