Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Microsoft nas comunicações móveis preocupa operadores

A entrada da Microsoft nas comunicações móveis, ainda que através de software, suscita algumas preocupações aos operadores móveis, devido ao que passou no mercado de computadores pessoais.

Bárbara Leite 19 de Novembro de 2003 às 15:33
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

A entrada da Microsoft nas comunicações móveis, ainda que através de software, suscita algumas preocupações aos operadores móveis, devido ao que passou no mercado de computadores pessoais, de acordo com declarações destas empresas no decorrer do 13º Congresso das Comunicações, que decorre até amanhã em Lisboa.

TMN, Vodafone e Optimus partilham que tem de haver controlo para que não se caia numa situação monopolista no segmento de sistemas operativos para os telemóveis, onde a Microsoft entrou com uma forte aposta na mobilidade.

Gomes de Azevedo, administrador da TMN, apesar de ter dito que «como operador não estou muito preocupado», salientou, no entanto, estar preocupado com a possibilidade de a Microsoft ter contratos exclusivos com desenvolvedores de conteúdos que limitem o acesso a aplicações e serviços aos utilizadores com terminais com o Windows Mobile (sistema operativo). Esse seria o principal problema, já que em termos de sistema operativo «os utilizadores não ligam ao que está por dentro».

Nesse sentido, «a minha preocupação é se na actual cadeia de valor os operadores não serão prejudicados com a entrada de um fabricante como a Microsoft», diz Gomes de Azevedo, lembrando declarações de Bill Gates que diz pretender receber, daqui a uns anos, 20 dólares por cada telemóvel vendido.

Apesar da preocupação, Gomes de Azevedo diz ser favorável que o mercado encontre plataformas universais, já que a «fragmentação das plataformas não ajudava o desenvolvimento dos serviços apelativos para os consumidores».

António Casanova, presidente da Optimus, partilha desta opinião, de que é necessário sistemas operativos universais. Pelo que quer o sistema Microsoft quer o Symbian, desenvolvido pela Motorola são bem vindos. «Parece insofismável que a chegada da Microsoft é globalmente positiva», já que tem «uma comunidade de ‘developers’ que até agora trabalhavam quase em exclusivo o mundo fixo», no entanto, «gostaria que não tivesse nos móveis os aspectos negativos do fixo», pelo que «cabe a nós ser polícias desse desenvolvimento».

Finalmente, António Coimbra, vice-presidente da Vodafone Telecel, que também considera positiva a entrada da Microsoft neste mercado, pois «potencia o surgimento de novas aplicações móveis». Por isso é um parceiro da Vodafone. Mas «também pode ser concorrente e ninguém vê com bons olhos a Microsoft ser monopolista». Mas quem deve estar preocupada é a Nokia, disse António Coimbra.

De qualquer forma, António Coimbra diz que o mercado móvel está mais salvaguardado – face ao poder que a Microsoft conseguiu nos computadores pessoais – porque os operadores móveis «têm maior controlo sobre os seus clientes e, por isso, há formas de garantir concorrência sã».

Wi-Fi versus GSM/UMTS

Não suscitou tanto consenso entre os operadores móveis a importância atribuída à tecnologia Wi-Fi (comunicações via tecnologia rádio, mas com acesso limitado através dos designados ‘hot spots’). António Casanova foi o mais crítico em relação a esta tecnologia, dizendo que «há sempre possibilidade de o Wi-Fi ser o UMTS dos pobres. Não estimamos que venha a ser uma tecnologia esmagadora» e terá «um espaço limitado em Portugal».

Já António Coimbra e Gomes de Azevedo têm opinião distinta. A Vodafone Telecel já lançou o serviço em Portugal, a TMN deverá lançá-lo.

Para o representante da Vodafone, «a nossa missão não é sermos um prestador de serviços de uma tecnologia. É ser líderes nas telecomunicações móveis, seja no wireless lan, UMTS, GPRS. Com sentido de complementaridade e não concorrencial». António Coimbra considera, mesmo, que «o wi-fi vai ter um papel preponderante, em mobilidade restrita», ainda que «não prevemos que poderia substituir o UMTS, mas como fonte de complementaridade».

Gomes de Azevedo diz que o importante é proporcionar o que os consumidores querem, por isso tem também de se preparar para o wi-fi. «É uma tecnologia interessante e barata».

Ver comentários
Outras Notícias