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“Não precisamos de um Sillicon Valley, precisamos é de condições mais ágeis para criar empresas”

Portugal é tecnológico, mas na mentalidade ainda não saiu da era da máquina de escrever. Empreendedores portugueses ligados ao sector admitem que o País precisa de mudar e incentivar a criação de mais empresas.

Bruno Simão/Negócios
Ana Torres Pereira atp@negocios.pt 18 de Fevereiro de 2014 às 20:26
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A proposta da equipa da revista “The Economist” era debater o fu­turo de Portugal. E para um con­junto de empreendedores nacionais que já se fizeram à estrada da internacionalização, o futuro do País só pode passar por uma “mudança de mentalidade”.

 

A maioria ainda não fez 30 anos e não ficou à espera que alguma empresa lhe abrisse as portas. Mas temendo que as suas empresas possam não resistir ao mercado, os empre­en­dedores na­cio­nais “precisam” que o merca­do mude, para que mais novas empresas possam ser criadas.

 

Frederico Oliveira, responsável de produto da Dashboard.io, trabalhou num dos blogues de tecnologia mais reconhecidos internacionalmente, o “Techcrunch”. Actualmente, na empresa onde está, ajuda a desenvolver ferramentas para os fundadores de startups e investidores. Para este responsável é claro que Portugal “não precisa de um Sillicon Valley, tem é que criar condições para haver vontade para criar empresas, muitas vão falhar, mas temos que criar mais empresas”.

 

“Eu pre­ciso de pessoas que tenham falhado para me explicar o que se passou”, admite Afonso Santos, fundador da TUIZZI.com. Responsável de uma empresa que se movimenta no mundo da pu­blicidade “outdoor”, Afonso Santos admite que tem “grande pos­sibi­lidade de falhar e preciso aprender. Eu gosto de pes­soas que falhem e precisamos disso em Portugal”.

 

E vai mais longe di­zendo:“Não há falta de ideias, mas há falta de boas equipas. Em Portugal é difícil haver CEO a trans­mitir a sua experiência”.

 

E se por um lado, os portugueses são avessos ao risco, por outro tam­bém têm de mostrar o que fazem bem. Carlos Silva, fundador da Seedrs, uma organização que promo­ve o empreendedorismo e a inovação, defende que “os por­tugueses também são muito tímidos em dizer que tiveram sucesso e mostrar o que fizeram”, ao contrário de alguma concorrência.

 

Para Inês Silva, co-fundadora da Pi­rates, uma organização que esti­mu­la empreendedores, a mu­dança tam­bém tem que passar pe­las uni­versidades. “As universidades não estão a fazer o seu trabalho para promover os empreendedores e não é só em Portugal”, acrescenta.

 

Afonso Santos acredita que a crise está a ser positiva para o País. Desabafa dizendo: “espero que a crise não me mate, mas esta crise foi boa, as pessoas tornaram-se mais humildes, as pessoas aprenderam a gerir o seu dinheiro e não o crédito”. 

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