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Operadores defendem que lançamento em Janeiro «é matar o UMTS à nascença»

Os três operadores móveis nacionais são unânimes em considerar estarem preparados para o arranque do UMTS em Janeiro, mas não haverá condições técnicas nem de mercado nessa data. António Coimbra, vice-presidente da Vodafone Telecel destacou mesmo que isso

Bárbara Leite 19 de Novembro de 2003 às 13:19
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Os três operadores móveis nacionais são unânimes em considerar estarem preparados para o arranque do UMTS em Janeiro, mas não haverá condições técnicas nem de mercado nessa data. António Coimbra, vice-presidente da Vodafone Telecel destacou mesmo que isso seria «matar o UMTS à nascença».

O ministro da Economia, Carlos Tavares, disse, ontem, à margem do 13º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) que desejaria que o arranque das operações na terceira geração móvel acontecesse a 1 de Janeiro, não estando, portanto, favorável a um adiamento do lançamento comercial.

Em contraste, o presidente da Optimus, terceiro operador móvel em Portugal reitera «que (o adiamento) é inevitável, tecnicamente». António Casanova entende que «somos claramente desfavoráveis a meter, no ar, o UMTS até acharmos que ele está num padrão de qualidade igual ao GSM/GPRS».

Esta convicção é partilhada por António Coimbra que vai mais longe. «Achamos que é mau para a indústria que seja lançado com poucas condições. O lançamento comercial em grande, a 1 de Janeiro, é um disparate completo», disse em declarações ao Canal de Negócios.

Coimbra reforçou esta ideia. «É um tiro no pé, é lançar uma má imagem» do UMTS, disse.

O administrador da TMN, Gomes de Azevedo sublinhou estas ideias, adiantando que «a questão é saber se há mercado, ou se há condições para fazer um arranque comercial. Já dissemos várias vezes que terá que ser um arranque meramente experimental».

E por ser com reduzida dimensão, Coimbra entende que isso poderia mostrar ao mercado que «o UMTS afinal era um flop. É matar o UMTS à nascença e o risco podia ser esse».

Redes preparadas mas faltam telemóveis

Além da ainda reduzida apetência do mercado para este tipo de terminais, os operadores queixam-se da falta de telemóveis robustos e com qualidade para o arranque em Janeiro.

A TMN garante ter feito uma encomenda de «várias centenas» de terminais UMTS à Siemens, mas a Vodafone Telecel garante que terá «meia dúzia de terminais, uns 30 a 40 no máximo» na altura do eventual arranque. A Optimus é mais pessimista. Casanova afirmou que «qualquer número de ultrapasse as unidades vai ter grandes dificuldades».

«Já adquirimos alguns telemóveis mas não está fácil», disse o representante da TMN.

A Vodafone Telecel assegura não ter garantidos terminais para Janeiro, tendo somente terminais de teste da Siemens, da Motorola e da Samsung, da LG e da NEC.

Os problemas técnicos dos terminais são ainda outro dos entraves, segundo Casanova. Gomes de Azevedo destacou, por seu lado, os elevados custos dos terminais.

Os terminais «têm uma série de bugs, não aguentam períodos prolongados de utilização, não operam bem com a rede, a percentagem de queda de chamadas é enorme. Os dados que temos é que caem entre 4 e 7% das chamadas em UMTS Julgamos que a tecnologia não está pronta para uso», disse Casanova.

«Os terminais de UMTS são caros, custarão mais de 500 euros», disse Gomes de Azevedo, acrescentando que «obviamente que vamos ter que os subsidiar».

Neste âmbito, este responsável lembrou que os operadores móveis com a actual tecnologia «estiveram muito tempo a perder dinheiro (não só pela rede, como pela subsidiação dos terminais)».

Apesar de encontrarem dificuldades técnicas e de mercado, os operadores dizem estar preparados para o arranque na data prevista, caso lhe seja imposta.

Pelo menos «cobertura de 20% da população, já todos temos. O que importa saber é a que velocidade temos», disse Casanova.

Coimbra avançou que «estamos preparados, até para lançar hoje, se for preciso. Achamos é que não há condições de qualidade do serviço para lançar».

O responsável da TMN sublinhou que «temos que estar preparados para arrancar a 1 de Janeiro. Temos que estar preparados para cumprir a licença». Gomes de Azevedo salientou a necessidade de estabelecer acordos de «roaming» entre os operadores nacionais para implementar mais rapidamente a nova tecnologia.

GSM vai durar mais que esperado

Os operadores defendem, assim, que só em «meados de 2004», ou antes do Natal do próximo ano, haverá condições para lançar a nova tecnologia sem dificuldades.

Gomes de Azevedo acredita que «o UMTS vai ser uma evolução natural do GSM» e Casanova destacou que o «GSM/GPRS vão durar mais tempo do que se estava a pensar».

As declarações foram proferidas à margem do 13ª Congresso da APDC que decorre até amanhã.

Na nota diária de hoje o BPI estima que o UMTS só arrancará em 2005, altura em que as receitas com esta tecnologia deverão representar 2% do total.

Só em 2007-2008 o UMTS terá um peso de 10% nas receitas dos operadores móveis.

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