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Porto cria app StayAway, o “big brother” da covid-19

Deteta a proximidade física entre smartphones e informa os utilizadores que estiveram no mesmo espaço de alguém infetado nos últimos 14 dias com o novo coronavírus. Deverá ser disponibilizada até ao final do próximo mês.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 28 de Abril de 2020 às 10:36
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Na semana passada, numa entrevista ao novo "podcast" Política com Palavra, do PS, o primeiro-ministro revelava ao país que Portugal estava trabalhar numa aplicação para rastrear contactos com infetados, admitindo a possibilidade de a Direção-Geral da Saúde (DGS) ter acessos aos telemóveis dos portugueses para efetuar o rastreio.

A app de que António Costa falava chama-se StayAway e está a ser desenvolvida por uma equipa de investigadores coordenada pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que afiançam que, ao contrário do que o chefe de Governo deu a entender, esta aplicação "é voluntária, não intrusiva e não discriminatória, garantindo a privacidade e proteção de dados dos utilizadores".

Trata-se de uma aplicação móvel para rastreio rápido e anónimo das redes de contágio por covid-19 em Portugal. De acordo com os seus criadores, a StayWay deteta a proximidade física entre smartphones e informa os utilizadores que estiveram no mesmo espaço de alguém infetado nos últimos 14 dias com o novo coronavírus.

"Esta é uma plataforma de uso voluntário que informa os utilizadores de uma ocasião de proximidade, ocorrida nos últimos 14 dias, com alguém confirmado como infetado. É um método que poderá estender e acelerar, preservando o anonimato dos envolvidos, a identificação das cadeias de transmissão que as autoridades de saúde realizam desde o início da pandemia", afirma José Manuel Mendonça, presidente da administração do IESC TEC e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em comunicado.

"Cada telemóvel difunde na sua proximidade identificadores anónimos e armazena localmente os identificadores difundidos pelos telemóveis com quem se cruze. Ainda que absolutamente desprovida de uma relação com os telemóveis que a gerou e, consequentemente, com os utilizadores desses telemóveis, esta informação permitirá ao próprio detetar a sua proximidade com uma pessoa infectada", descreve.

Então, continua, "uma pessoa confirmada como infetada com covid-19 poderá publicar online, com a legitimação das autoridades de saúde, os seus identificadores anónimos que partilhou nos últimos 14 dias".

Com esta informação pública, afirmam os criadores da StayAway, a aplicação de cada pessoa pode facilmente avaliar autonomamente se nos dias anteriores esteve próximo da pessoa infetada.

E insiste-se que a utilização desta app é voluntária e não intrusiva. "No caso de uma pessoa que não contraia a doença e que não tenha contacto com nenhum infetado, a única interação que terá com a app será a instalação da mesma no seu smartphone. Mas esta aplicação será tanto mais eficaz quanto maior for o número de utilizadores", acrescenta José Manuel Mendonça.

De resto, assegura que "a aplicação cumpre as legislações europeia e nacional de proteção de dados", estimando-se que a aplicação possa ser disponibilizada para todos até ao final do próximo mês, para Android e iOS.

"O utilizador apenas tem de a instalar, não sendo necessário, para o efeito, partilhar qualquer tipo de informação pessoal", esclarece o INESC TEC.

O projeto foi apresentado esta segunda-feira, 27 de abril, aos ministros da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Coesão Territorial, Manuel Heitor e Ana Abrunhosa, respetivamente, numa sessão na Reitoria da Universidade do Porto.
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