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PT garante que não investe em novas redes sem definição do quadro regulatório

O presidente da Portugal Telecom (PT) garantiu na noite de quarta-feira que a maior operadora portuguesa de telecomunicações não vai investir em redes de nova geração em Portugal enquanto se mantiver a indefinição do quadro regulatório.

Negócios com Lusa 06 de Março de 2008 às 10:29
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O presidente da Portugal Telecom (PT) garantiu na noite de quarta-feira que a maior operadora portuguesa de telecomunicações não vai investir em redes de nova geração em Portugal enquanto se mantiver a indefinição do quadro regulatório.

Henrique Granadeiro, que esteve presente numa conferência organizada pelo Clube do Chiado, em Lisboa, disse que a indefinição do quadro regulatório quanto aos investimentos que considera necessários em redes de fibra óptica é uma questão, em primeiro lugar, da União Europeia (UE), e não só de Portugal.

"As necessidades das sociedades modernas estão acima da capacidade de oferta das redes clássicas [de telecomunicações]", afirma o presidente do conselho de administração e da comissão executiva da PT, sublinhando que já há produtos que requerem velocidades de 30 megabites por segundo (mbps), contra os actuais cerca de 22 mbps disponíveis.

Granadeiro deu como exemplos de solução os Estados Unidos da América (EUA), onde as novas redes de fibra óptica estão isentas de qualquer regulamentação (o dono da rede dispõe dela e pode vedá-la à concorrência), e o Japão, onde o Estado subsidia a operadora dominante, a NTT, para trocar a rede de cobre pela nova rede de fibra óptica.

Por outro lado, contrapõe-se a estes exemplos a situação da UE, onde "a regulação da fibra não [está] definida", onde se registam "diversas declarações contraditórias entre a Comissão Europeia e reguladores nacionais" e a "intervenção estatal [está] interdita [na subsidiação do investimento]".

"Uma não-decisão nesta matéria é pior do que uma [qualquer] decisão", afirmou Granadeiro, apontando que na Europa "existe um vazio".

Para a PT, as consequências directas deste "vazio" são, por um lado, os baixos investimentos per capita em telecomunicações, quando comprados com os do EUA e do Japão e Coreia, e, por outro, a criação de uma Europa, na prática, a duas velocidades, porque alguns reguladores avançaram com a definição de quadros regulatórios sem esperar por uma clarificação de Bruxelas, beneficiando as maiores empresas desses mercados.

"A Europa está já a duas velocidades, [existindo] os consolidadores e os patos, que, provavelmente, vamos ser consolidados", avisou.

Em Portugal, ainda não existe uma definição e, assim, a PT garante que não inicia o processo de investimento.

"Não vamos na aventura de lançar o investimento sem o quadro regulatório estar definido", afirma Henrique Granadeiro.

Questionado sobre quanto tempo pode a empresa esperar por uma definição, Granadeiro afirma que a rapidez em entrar no mercado (time to market) é fundamental em telecomunicações e que esse tempo, para a PT, está "muito próximo".

"Esperamos com tranquilidade, mas com impaciência", disse.

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