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Qimonda pode vir a ser financiada pelos seus principais clientes

"A Qimonda precisa de investidores. É provável que venha a ser financiada pelos seus principais clientes". Quem o diz é Hisao Baba, presidente da Qimonda Japão, em entrevista publicada hoje no "Tech.on".

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2009 às 16:54
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"A Qimonda precisa de investidores. É provável que venha a ser financiada pelos seus principais clientes". Quem o diz é Hisao Baba, presidente da Qimonda Japão, em entrevista publicada hoje no "Tech.on".

O responsável pela fabricante de "chips" no Japão salientou que a Qimonda tem vindo a implementar medidas de reestruturação desde o Verão de 2008, nomeadamente através da venda da Inotera Memories Inc. de Taiwan. “No entanto, a deterioração do mercado das memórias RAM começou a acelerar no final de 2008, o que obrigou a empresa a obter financiamento adicional”, explicou.

“Felizmente, a empresa conseguiu obter esse apoio financeiro do Estado alemão da Saxónia, de uma instituição financeira portuguesa e da sua casa-mãe, a alemã Infineon Technologies, em Dezembro de 2008. Foi um grande presente de Natal para a empresa”, afirmou Hisao Baba.

Depois disso, explicou o presidente da Qimonda Japão, a empresa prosseguiu com as negociações com a Saxónia. A fábrica da Qimonda em Dresdnen, que está localizada nesse Estado, tem mais de 3.000 empregados.

“A empresa esperava, naturalmente, chegar a um acordo final com a Saxónia em meados de Janeiro e obter financiamentos daquele Estado, bem como da instituição financeira portuguesa, que deveria começar a financiar assim que o Estado da Saxónia tomasse a sua decisão”, disse Baba.

Atrasos nas negociações

“No entanto, as negociações com a Saxónia não ficaram concluídas a tempo. Não é que tenham sido terminadas, mas as discussões dos detalhes exigiram mais tempo do que aquele que se tinha previsto”, explicou, salientando que o código para as empresas na Alemanha é mais estrito do que no Japão, já que as empresas alemãs têm de apresentar procedimentos de reabilitação civil junto de um tribunal assim que se preveja falta de pagamento.

“A Qimonda apresentou no tribunal de Munique o pedido de procedimento de insolvência a 23 de Janeiro de 2009”, referiu Baba. Em resposta a essa requisição, o tribunal nomeou um gestor judicial [Michael Jaffé] e tiveram início as conversações em relação à conservação dos activos e futuras medidas de reestruturação. A empresa prossegue a sua actividade, apesar de já ter requerido os procedimentos de reabilitação civil”, contou aquele responsável na entrevista à “Tech.on”.

Em relação às medidas de reestruturação, “a Qimonda decidiu suspender a produção na fábrica de Richmond, nos EUA, o que afectará cerca de 1.500 trabalhadores. Esta decisão foi tomada de forma a concentrarmos o investimento no desenvolvimento tecnológico, que é a parte mais importante do plano de reestruturação, em Dresden.

Desenvolvimento de tecnologias e vendas são indispensáveis

No entanto, segundo este responsável, a reestruturação de uma empresa não se consegue simplesmente através do encerramento de uma fábrica ou do despedimento de trabalhadores. “A tecnologia é indispensável para a reestruturação”, bem como as vendas.

Quando questionado sobre a data em que poderá haver uma conclusão deste processo, Baba declarou que, segundo o gestor judicial, isso será conseguido dentro de alguns meses. Actualmente, o gestor judicial e os executivos da Qimonda andam pelo mundo inteiro a negociar com potenciais investidores e a tentarem obter financiamento para a reestruturação da empresa. “Para começar, será muito importante obter financiamento público”, salientou o presidente da Qimonda Japão.

“As negociações com o Estado da Saxónia não redundaram num completo fracasso e o Governo de Portugal tem estado a ter uma resposta positiva. A Qimonda precisa de investidores. É provável que venha a ser financiada pelos seus principais clientes”, concluiu Hisao Baba.

Hoje corre a notícia de que a Qimonda – que em Portugal tem uma fábrica em Vila do Conde e para a qual já foi admitida uma redução do pessoal - poderá ser adquirida por um investidor chinês.

A imprensa deu conta da possibilidade e a Qimonda já confirmou à Bloomberg as negociações.

Em finais de 2008, a multinacional alemã já tinha obtido garantias de um empréstimo de 325 milhões de euros: 150 milhões do Estado da Saxónia, 100 milhões de Portugal, através de um grupo de bancos, e 75 milhões do principal accionista, a Infineon.

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