Tecnologias Tecnológica do Porto levanta 2,7 milhões para ligar o mundo sem internet

Tecnológica do Porto levanta 2,7 milhões para ligar o mundo sem internet

A HypeLabs, empresa de software que põe os dispositivos a comunicar sem rede, fechou uma ronda de financiamento “seed” no valor de três milhões de dólares, que foi liderada pelo alemão Innogy Innovation Hub.
Tecnológica do Porto levanta 2,7 milhões para ligar o mundo sem internet
Carlos Lei Santos, que fundou a HypeLabs com André Francisco, é o CEO da tecnológica do Porto.
Rui Neves 10 de dezembro de 2019 às 13:45

Web Summit, Dublin, novembro de 2014: Carlos Lei Santos e André Francisco deixam meio mundo pasmado com a sua tecnologia: falaram um com o outro através do sistema "push-to-talk", sem precisarem de ligação à rede. E assim descobriram que tinham, provavelmente, achado o "ovo de Colombo" da internet.

 

Participaram em três programas de aceleração: o primeiro em Portugal, na Startup Braga, depois na Polónia, a convite da Deutsche Telekom, e, finalmente, nos Estados Unidos, no programa de aceleração AngelPad.

 

Em 2016, fundam a HypeLabs no seio da UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto), sendo aqui que esta start-up desenvolve a tecnologia que permite comunicações sem internet via redes "mesh" através do Hype SDK (Software Development Kit).

 

O SDK, explica a HypeLabs, conecta dispositivos para criar redes "mesh" locais que funcionam com qualquer sistema operativo e canal de transporte, usando tecnologias de conectividade como bluetooth e wi-fi, permitindo que o conteúdo seja transmitido entre os dispositivos de forma segura até chegar a um destino ou um ponto de saída da internet.

 

Caixa Capital, EDP Ventures e a Deutsche Telekom também financiam

 

Após ter obtido um primeiro financiamento junto de investidores como a T Mobile, a Caixa Capital, a NovaBase Capital e a Mustard Seed, por um valor não determinado, a HypeLabs anunciou esta terça-feira, 10 de dezembro, que levantou mais três milhões de dólares (2,7 milhões de euros).

 

Uma ronda de financiamento "seed" liderada pelo alemão Innogy Innovation Hub, que contou, também, com a EDP Ventures, a Deutsche Telekom, a AngelPad, a Caixa Capital, a NovaBase Capital e a Mustard Seed.

 

"A HypeLabs vai usar o novo financiamento para fortalecer a sua equipa e apoiar o crescimento internacional da empresa, que conta atualmente com mais de 2.500 ‘developers’ a utilizar a tecnologia – número que cresceu 33% no último trimestre", garante a empresa, em comunicado.

 

Já a nível de empresas, avança que iniciou recentemente projetos com algumas empresas líderes mundiais em setores como o da energia, do espaço, do entretenimento e até mesmo organizações não-governamentais (ONG) – "o caso de maior destaque foi o projeto realizado no Zimbabwe, onde agora existe uma comunidade na capital que está ligada à internet devido à tecnologia da HypeLabs.

 

Os três milhões de euros agora angariados pela HypeLabs deverá permitir a esta startup portuense "continuar a crescer internacionalmente, procurando novos clientes e utilizadores mas também duplicando a equipa, bem como focar num mercado-chave - o utilitário de energia", adianta Carlos Lei Santos, CEO da empresa. E duplicar a equipa para duas dezenas de pessoas.

 

Alemão líder da ronda de financiamento considera a HypeLabs "especial"

 

Para o CEO, o futuro da HypeLabs está delineado: "Num mundo onde vemos dispositivos mais conectados e inteligentes nas nossas vidas diárias, é necessário surgirem novos paradigmas de comunicação. O nosso objetivo é conectar todos os dispositivos de forma simples, mesmo em situações previamente impossíveis, construindo redes que se auto-configuram, ajustam, aperfeiçoam e protegem. É hora de trazer inteligência para a pilha de rede", aponta o jovem empresário.

 

Já para Kerstin Eichmann, Strategy Lead, Machine Economy no Innogy Innovation Hub, "o que torna a HypeLabs especial é que não depende de ‘hardware’ ou canais de rádio específicos para gerir a rede. Têm um grande número de casos de uso, adicionando outra camada de conectividade para dispositivos conectados que podem ser implementados simplesmente na camada da aplicação", descreve.

 

"Estamos particularmente entusiasmados com o papel desta tecnologia dentro do sistema de energia descentralizado baseado em IoT, onde casas inteligentes exigirão conectividade inteligente, resiliente e confiável", enfatiza o mesmo gestor do Innogy Innovation Hub, que criou um portfólio de 162 milhões de euros através do investimento em indivíduos disruptivos, startups e empresas em estágio inicial, e proporcionou oportunidades para quase 90 empresas iniciantes e de escala para colaborar.

 

Sediado em Berlim, o Innogy Innovations Hub tem equipas em toda a Europa, incluindo Londres, Varsóvia e Essen, assim como escritórios na Califórnia (Palo Alto) e Israel (Tel Aviv).

 

O Innogy Innovation Hub é financiado pela Innogy SE, uma empresa alemã líder de energia, com receitas de cerca de 37 mil milhões de euros e que emprega 43 mil pessoas.




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