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Tim Cook sobre impostos da Apple: “Ninguém fez nada de errado na Irlanda”

Em entrevistas a meios locais, o CEO da tecnológica garante que a Apple “não fez nada de errado na Irlanda” sobre os alegados impostos não pagos no país. E que o valor que Bruxelas afirma ter sido pago pela empresa em 2014 é “treta política”.

Bloomberg
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 01 de Setembro de 2016 às 10:39
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A decisão ainda não era oficial e as trocas de palavras já mostravam que a "guerra" estava aberta. Na última terça-feira, 30 de Agosto, a Comissão Europeia deliberou que a Irlanda tem de recuperar os impostos não pagos pela Apple que ascendem até 13 mil milhões de euros.

Agora, o CEO da Apple, Tim Cook (na foto), dá uma entrevista ao Irish Independent em que diz que "adora" ver Dublin a lançar um apelo contra a deliberação de Bruxelas. "Acho que vamos trabalhar em estreita colaboração, dado que temos a mesma motivação. Ninguém fez nada de errado e temos de nos manter unidos", assumiu. Rejeitando a afirmação da comissária europeia da concorrência, Margrethe Vestager, que a Apple apenas pagou 0,005% em impostos na Irlanda em 2014, Tim Cook disse tratar-se de uma "completa treta política".

"Eles apenas escolheram um número não sei de onde. Num ano em que a Comissão diz que pagamos esse número, na verdade pagamos 400 milhões de dólares. Acreditamos que isso faz de nós o maior contribuinte da Irlanda nesse ano", sustentou.

Há dias foi noticiado que a Apple vai expandir as suas instalações em Hollyhill, na região de Cork, na Irlanda. Este aumento das infraestruturas, que vai ocorrer através da construção de um edifício, vai permitir a criação de mais mil postos de trabalho nos próximos 18 meses. Uma estratégia que Cook assegurou que é para manter.


Entretanto, a comissária europeia, Margrethe Vestager, já respondeu a estas declarações do líder da companhia norte-americana, dizendo que o caso contra a Apple está baseado em factos, de acordo com o site euobserver.

"Em conjunto, a Irlanda e a Apple estão a prosperar e é assim que olho para esta relação. É um casamento de 37 anos e, como qualquer outro casamento, enfrentamos aqui um buraco e é por isso que temos de nos manter juntos", afirmou Tim Cook em entrevista a outro órgão de comunicação irlandês, a estação RTE.


O líder da tecnológica norte-americana disse ainda, citado pela Bloomberg, que a decisão de Bruxelas é "desapontante" mas "tem fé que o desfecho certo vá ocorrer".


Esta semana, e depois de ser conhecida a decisão de Bruxelas, os Estados Unidos da América lançaram críticas à Comissão Europeia. A Reuters adianta que o Tesouro e políticos norte-americanos consideraram que esta abordagem de Bruxelas tem como alvo empresas americanas. Além disso, esta abordagem desvia-se das práticas aceites em termos internacionais e ameaça o investimento norte-americano na Europa.

Já esta quinta-feira, o ministro das francês das Finanças, Michel Sapin, defendeu que: "é normal que a Comissão Europeia tratou esta ajuda de estado anormal... a Comissão Europeia fez o seu trabalho". "É normal fazer com que a Apple pague importos normais", disse numa conferência de impresa, citado pela Reuters.


(Notícia actualizada às 10:59 com declarações do ministro francês das Finanças; notícia actualizada pela segunda vez às 13:33)

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