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Wirecard: EY à defesa aponta "fraude sofisticada"

"Mesmo os mais robustos e extensivos procedimentos de auditoria podem não descobrir uma fraude colusiva", defende-se a EY.

Reuters
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 26 de Junho de 2020 às 10:46
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A auditora Ernst & Young (EY) acusa o cliente Wirecard de uma "fraude elaborada e sofisticada" que resultou no ‘desaparecimento’ de 1,9 mil milhões de euros.  

Agora que a Wirecard tenta proteger-se dos credores em tribunal, os holofotes recaem também sobre a auditora EY, que acompanhava a empresa, e que está agora também no centro de um escândalo financeiro que deu conta do desaparecimento ou inexistência de quase 2 mil milhões de euros do balanço da alemã Wirecard, uma quantia que representava cerca de um quarto do valor da empresa.

"Há indicações claras de que isto se tratou de uma fraude elaborada e sofisticada, envolvendo múltiplas partes em torno do globo e de diferentes instituições, com um objetivo deliberado de logro", acusa a EY, ao mesmo tempo que ressalva que "mesmo os mais robustos e extensivos procedimentos de auditoria podem não descobrir uma fraude colusiva".

A auditora explica que a Wirecard terá, mais em específico, feito "falsas declarações e confirmações" no que toca a contas de garantia.

"A Ernst & Young tem responsabilidade nisto", defende um analista da Mirabaud, Neil Campling, em declarações à Bloomberg. Campling tinha colocado zero como preço-alvo desta cotada desde março do ano passado. "Eles (EY) foram defraudados como todos os outros mas, como auditores, deveriam ter olhado mais fundo. É impressionante que tenham ratificado a contabilidade de 2018", continua o mesmo analista.

Os alarmes soaram pela primeira vez na semana passada, quando a EY se recusou a subscrever o relatório financeiro de 2019. Desde então, as más notícias chegaram em catadupa: a Wirecard admitiu que havia sido descoberto um buraco de 1,9 mil milhões de euros em cash no balanço da empresa; o CEO, Markus Braun, demitiu-se do cargo; a empresa assumiu que os milhões em causa provavelmente nunca existiram e, finalmente, Braun foi detido, acusado pelo Mistério Público alemão de inflacionar artificialmente o balanço e as receitas da companhia alemã. Este saiu em liberdade após algumas horas, depois de pagar uma fiança de 5 milhões de euros.

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