Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Acções da Zon Optimus impedem quebra nos lucros da Sonaecom

O resultado líquido da Sonaecom subiu 37,7% para 103,8 milhões de euros, à boleia da participação directa na Zon Optimus, que beneficiou da subida das suas acções. Já a participação indirecta, através da Zopt, cuja forma de cálculo é diferente, teve um impacto negativo nas contas da empresa.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 11 de Março de 2014 às 19:45
  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...

A Sonaecom apresentou um lucro de 103,8 milhões de euros em 2013, um crescimento de 37,7% em relação ao resultado líquido de 75,4 milhões de euros registado no ano anterior. Os números de 2012 foram recalculados para reflectir a estrutura da Sonaecom que resultou da fusão entre a sua antiga operadora, a Optimus, e a Zon.

 

Após a fusão, a nova estrutura de negócios da Sonaecom centra-se, essencialmente, na divisão de ‘Software’ e Sistemas de Informação (SSI). O volume de negócios da empresa ascendeu 12,1% para 117 milhões de euros, justificado sobretudo pelas quatro empresas que compõem aquela divisão, com destaque para a tecnológica WeDo, conforme aponta o comunicado emitido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Cerca de 30,2 milhões das receitas foram registados nos últimos três meses.

 

Os custos operacionais da empresa liderada por Ângelo Paupério (na foto) subiram 2,1% para 113,8 milhões de euros. Já o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) afundou 30,8% para os 71,7 milhões de euros. O EBITDA dos negócios da divisão SSI e do jornal “Público” ficou-se pelos 5,9 milhões de euros. O EBITDA global da Sonaecom inclui, ainda, 66,2 milhões que se referem ao contributo da Optimus até Agosto, antes da fusão com a Zon.

 

A contribuir negativamente para o EBITDA da cotada esteve a participação indirecta da Sonaecom na empresa resultante, a Zon Optimus, a partir de Agosto. Esta participação, através de 50% na Zopt, veículo que por sua vez detém 50,01% da Zon Optimus, é contabilizada segundo um método contabilístico (método da equivalência patrimonial) que, em 2013, retirou 500 mil euros ao resultado operacional da empresa (2,7 milhões no quarto trimestre). É após estes contributos que o EBITDA passa para 71,7 milhões de euros. 

 

Resultado operacional perde terreno

 
Duas participações
A Sonaecom tem uma participação de 50% no capital da Zopt (os restantes 50% são de Isabel dos Santos), veículo que detém uma posição de 50,01% na Zon Optimus. Esta é a participação indirecta.
 
Além dessa participação, a Sonaecom tinha, após a fusão (que terminou em Agosto), uma participação directa no capital social da Zon Optimus de 7,28% - entretanto reduzida para 2,14% após a OPA aos minoritários.

 

 

Depois de amortizações e depreciações, o resultado antes de juros e impostos (EBIT) da empresa liderada por Paupério fixou-se nos 65 milhões de euros, menos 27,3% do que o resultado comparável de 2012.

 

Ao EBIT da Sonaecom foram acrescidos 42,6 milhões de euros de resultados financeiros, que beneficiaram, em 2013, de maiores proveitos e menores custos financeiros. Aqui, o impulso foi dado, sobretudo, pela participação directa da Sonaecom na Zon Optimus que, após a fusão, era de 7,28%. Desde o final de Agosto, esta participação é contabilizada, ao contrário da posição directa, como um “investimento ao justo valor através de resultados”. Quer isto dizer que está condicionada à evolução das acções em bolsa.

 

Como refere a Sonaecom no comunicado emitido através da CMVM, a Zon Optimus passou de uma cotação de 4,40 euros para 5,50 euros no quarto trimestre, o que fez com a participação directa no capital da operadora registasse um ganho de 37,5 milhões de euros nesse período que é de 46,6 milhões no ano todo. Essa participação de 7,26% encontra-se, desde Fevereiro de 2014, em 2,14%, na sequência da oferta pública de aquisição que a Sonaecom lançou sobre os minoritários.

 

É em grande parte devido a esse o ganho financeiro que a companhia consegue registar um lucro de 103,8 milhões de euros em 2013, os referidos 37,7% acima dos 75,4 milhões. Retirando os 42,6 milhões de euros de resultados financeiros do ano, o lucro da Sonaecom seria de 61,2 milhões de euros, abaixo do lucro comparável.

 

De qualquer modo, o resultado líquido da Sonaecom no ano passado ficou em linha com o que era antecipado pela casa de investimento do BCP. O mesmo aconteceu em relação ao volume de negócios e ao EBITDA.

 

 

 
Fusão "fecha" um ciclo da vida

O “principal objectivo estratégico” da Sonaecom foi concretizado em 2013: a fusão da Optimus com a Zon, há uma década falada. Uma operação que esvaziou a empresa (“o principal activo passou a ser uma participação numa sociedade cotada”), razão pela qual a Sonaecom quis lançar uma oferta sobre as acções nas mãos dos minoritários.

 

Perto de 62% das acções alvo da oferta passaram para a Sonaecom. Ficaram cerca de 10% ainda na posse de investidores particulares (uma dispersão reduzida, que ditou a exclusão da empresa do principal índica da Bolsa de Lisboa, o PSI-20).

 

“Fecha-se assim um ciclo da vida da Sonaecom que, em pouco mais de 15 anos e tendo começado do zero, revolucionou o mercado das telecomunicações em Portugal, onde se afirmou como o seu agente mais inconformado, activo e inovador”, comenta o presidente executivo da companhia dona do jornal “Público” e da WeDo, Ângelo Paupério, no comunicado de resultados.

 

Os especialistas apontam a saída de bolsa como tendo uma elevada probabilidade, embora a Sonaecom precise ainda de ter mais de 90% dos direitos de voto da empresa. Apesar de estar próximo, esta fasquia ainda não foi ultrapassada.

Ver comentários
Saber mais Sonaecom Ângelo Paupério Zon Optimus Optimus
Outras Notícias