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Ainda não foi desta que a Telefónica se desfez dos cabos submarinos para reduzir a dívida

Os preços de compra reduzidos oferecidos pela Telxius levaram a espanhola Telefónica a desistir da colocação em bolsa do capital da empresa de infra-estruturas. Mas a dívida continua por reduzir.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2016 às 08:02
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A espanhola Telxius, empresa de infra-estruturas de telecomunicações da Telefónica, já não vai ser distribuída por outros investidores em bolsa. A oferta foi cancelada. Mas terá de haver uma solução, já que a sua venda seria uma forma de a operadora espanhola mostrar vontade de reduzir a dívida.

 

"A Telefónica, de comum acordo com as entidades coordenadoras a nível global, decidiu desistir da oferta por não considerar adequada a avaliação da companhia Telxius que está implícita nas ordens de compra recebidas", assinala uma nota emitida no site do regulador espanhol dos mercados de capitais, a CNMV.

 

Os coordenadores globais, Goldman Sachs, JP Morgan, BBVA e CaixaBank, não conseguiram encontrar compradores para a empresa que a avaliassem ao nível pretendido pela Telefónica, antiga aliada da PT (que comprou a Vivo à empresa portuguesa, que depois investiu na Oi).

 

Segundo o El Confidencial, a procura dos investidores pelas acções da Telxius até foi superior à oferta. Só que os valores apresentados não eram elevados e terão ficado abaixo do intervalo de entre 12 e 15 euros pretendido pela Telefónica. Estavam disponíveis para alienação 90,9 milhões de acções, o que representa 36,36% do capital da empresa. Não houve, no entanto, preços suficientemente interessantes para ficar com a empresa, criada em Fevereiro deste ano, e que agrega cerca de 15.000 torres de telecomunicações e 31.000 quilómetros de cabos submarinos nos Estados Unidos. 

A intenção da Telefónica, liderada por José María Álvarez-Pallete, era encaixar entre 1 e 1,5 mil milhões de euros com esta operação, uma forma de reduzir a sua dívida que tem levantado algumas dúvidas aos investidores. Como a Bloomberg realça, é a empresa espanhola, do ramo não financeiro, com a dívida mais elevada do país: 52,6 mil milhões de euros. Esse trajecto tem de continuar a ser feito mas ainda não se sabe de que forma: "A Telefónica confirma que vai analisar alternativas estratégicas em relação a este activo", adianta o comunicado. 

Esta é mais uma pressão adicional para a empresa espanhola. Outra companhia à venda no grupo é a britânica O2, cuja alienação à também britânica Hutchison foi chumbada pela Comissão Europeia por motivos de concorrência antes do Verão . Por esse motivo, está prevista também a sua colocação em bolsa, dispersando por vários investidores. Mas até aí o Brexit trouxe incertezas e adiou a intenção. 

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