Telecomunicações Altice diz que Anacom prejudica implementação da rede 5G

Altice diz que Anacom prejudica implementação da rede 5G

A Altice Portugal acusa a Anacom de, ao propor um calendário de implementação da rede 5G com seis meses de desfasamento entre regiões do continente e os arquipélagos, colocar em risco o projeto.
Altice diz que Anacom prejudica implementação da rede 5G
Vítor Mota
Negócios 11 de setembro de 2019 às 21:05

A Altice Portugal reafirma, em comunicado, "a gravidade do calendário proposto pela Anacom e da colocação da Região Autónoma dos Açores e da Madeira em último lugar na migração da faixa dos 700Mhz da TDT, face à grande probabilidade de tal calendário não poder ser cumprido, prejudicando a implementação da rede 5G no território".

 

A empresa liderada por Alexandre Fonseca (na foto) sublinha que a sua preocupação no âmbito deste processo "respeita à intrínseca defesa do interesse nacional" e que "são já várias as instituições de relevância nacional e internacional que visam negativamente o regulador português alertando para os perigos que este processo provocará ao país".

 

Segundo a operadora, a Anacom está a "ensaiar uma distração para ocultar a gravidade da situação em que colocou o país".

 

"A Altice Portugal lamenta que a Anacom, para desviar atenções dos seus próprios erros e incapacidade no processo de implementação do 5G, produza afirmações falsas, pois não é verdade que a Altice Portugal tenha sido consultada sobre qualquer questão relativa às Regiões Autónomas.

 

"Esta decisão é da Anacom e completamente unilateral e grave, porque para além de discriminatória negativamente para os arquipélagos, prejudica-os no processo de implementação técnica e comercial desta rede".

 

E prossegue: "Prova disto é o atraso já visível no processo de migração da TDT face ao calendário definido pelo regulador acrescido do facto das Regiões Autónomas terem sido injustificadamente remetidas para o fundo da lista. Esta discriminação é inconcebível, atento ao combate à insularidade praticada pelo Estado e pelas empresas há mais de 3 décadas".

 

A Altice Portugal diz que "sempre entendeu eficiente e dignificante para os seus projetos iniciar pilotos ou ensaios nos arquipélagos, sendo disso exemplo o recente projeto de Disaster Recovery ao nível dos cabos submarinos nas Regiões Autónomas, tornando o Porto Santo a primeira região do país 100% coberta com fibra ótica e tendo sido para a Ribeira Brava que descentralizou pela primeira vez os seus laboratórios da Altice Labs".

 

"É do conhecimento público a responsabilidade de elaboração do calendário de implementação do projeto, com seis meses de desfasamento entre regiões do continente e os arquipélagos, é exclusivamente da Anacom, e é completamente falacioso o que o regulador tenta insinuar no seu esclarecimento hoje enviado à comunicação social. A verdade é que os arquipélagos portugueses vão ficar mais atrasados na migração da TDT e na implementação da rede 5G, fator este que os prejudicará economicamente", acusa.

Assim sendo," neste contexto vago e de incertezas, a manutenção da data de 1 de julho para a disponibilização do 5G na faixa dos 700 Mhz está objetivamente em causa, com consequências nefastas para a economia nacional, bem como para a credibilidade das instituições e do próprio país", acrescenta a Altice Portugal.

"Lembramos que, no atual momento, países da União Europeia como Espanha, Itália, França, Alemanha, Inglaterra, viram já concluídos os seus processos de atribuição de frequências, alguns destes já com ofertas comerciais públicas, ou seja, perto de um ano adiantados face ao nosso país. É, provavelmente, a primeira vez que tal acontece na história das telecomunicações nacionais", remata.

Esta tarde, o regulador liderado por Cadete de Matos (na foto) tinha já abordado este assunto, dizendo que as declarações da dona da Meo "sobre o desenvolvimento do 5G [quinta geração móvel] em Portugal e a libertação da faixa dos 700 MHz [Megahertz] atualmente afeta à TDT [Televisão Digital Terrestre], bem como a existência de qualquer implicação para as Regiões Autónomas do calendário previsto para a respetiva migração, proferidas ontem [terça-feira] na Madeira, justificam o presente esclarecimento".




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