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Murteira Nabo: “No meu tempo a PT nunca fez empréstimos, nem ao BES nem a ninguém. A PT não é um banco”

O ex-presidente da Portugal Telecom, Murteira Nabo, afirma que a partir do que é conhecido sobre a compra pela PT de 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte "não tomaria essa decisão". "Disso não tenha dúvidas", garante.

João Carlos Malta joaomalta@negocios.pt 18 de Julho de 2014 às 12:02
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O homem que liderou a Portugal Telecom entre 1996 e 2003 diz não entender o que justifica uma operação deste género por parte da gestão liderada por Henrique Granadeiro. "Não faço ideia [do que possa justificar]. Já procurei saber e não consigo saber. Não conheço a operação, o problema está na dimensão e no desconhecimento dos outros accionistas, e dos decisores que estão a negociar uma fusão e não conhecem a operação", respondeu o gestor à margem do evento Best Ethical Awards 2014, organizado pelo Negócios e Capgemini.

 

Poderia acontecer enquanto esteve na liderança PT? "No meu tempo, [estas operações] eram prática corrente, mas as regras que estabeleci com os accionistas é que qualquer operação com o BES ou outra qualquer instituição obrigava a uma consulta e à apresentação de uma proposta. Ganhava a melhor", responde.

 

E de seguida, acrescentou: "No meu tempo a PT nunca fez empréstimos

Não faço ideia [do que possa justificar]. Já procurei saber e não consigo saber. Não conheço a operação, o problema está na dimensão e no desconhecimento dos outros accionistas, e dos decisores que estão a negociar uma fusão e não conhecem a operação
 
Murteira Nabo, ex-presidente da PT

nem ao BES nem a ninguém. A PT não é um banco".


Sobre se o caso do Grupo Espírito Santo pode ou não criar outros casos PT, Murteira Nabo não acha provável. "Ninguém sabe, mas caso mais grave não deve haver porque casos como este são inimagináveis. É impossível acontecerem outros", defende.

 

Regulação arrasada

 

Primeiro o BPN, depois o BPP, agora o BES. Que tipo de reflexão é que o sistema financeiro e a banca devem fazer? Murteira Nabo coloca o foco noutro ponto. "São tudo situações diferentes", começa por afirmar. Mas o que é que isto quer dizer do sistema? "O que significa é que a supervisão não tem funcionado e desta vez também não funcionou", revela.

 

Mas então não participa nos elogios à acção do governador do Banco de Portugal ,Carlos Costa? "Elogio, mas a intervenção foi tardia", entende.

 

Questionado se Carlos Costa caiu no mesmo erro de Vítor Constâncio que alegou que a reputação de Oliveira e Costa e dos elementos da administração do BPN era acima de qualquer suspeita, o gestor anuiu. "Acho que a regulação também falhou aí. Mas não é só em Portugal, quando se desregulamenta a economia, os mecanismos de regulamentação têm de aumentar", sintetiza

 

Estado deve entrar no banco se for preciso

 

Murteira Nabo esclarece que ainda não é possível perceber a extensão dos danos do caso GES e que consequências terá no BES, mas caso o banco esteja em risco defende uma "intervenção rápida" do Estado. "Se necessário o Estado deve entrar, porque é um banco muito importante. O primeiro-ministro já disse que não. Tenho dúvidas que não o tenha de fazer", crê o ex-presidente da PT.

 

"É desejável que o faça se for necessário, porque estamos a falar de uma irradiação enorme e com um grande efeito na economia toda. Estamos a

Se necessário o Estado deve entrar, porque é um banco muito importante. O primeiro-ministro já disse que não. Tenho dúvidas que não o tenha de fazer
 
Murteira Nabo, ex-presidente da PT

falar de algo perigoso que pode afectar muitas empresas. É perigoso manter esta situação por muito tempo", diz.

 

Em relação ao caso em concreto, o gestor acredita que o BES "é um banco relativamente seguro enquanto banco, mas penso que a mistura dos interesses da família e do banco não foram bons".

 

Todos estes problemas à volta dos Espírito Santo podem ser um ponto final na influência que a família tinha na economia e sociedade portuguesa? "Poderá não ser, a família Espírito Santo tem um problema de liquidez. Não sei se tem activos suficientes para pagar a divida". Não haverá questões do foro jurídico para esclarecer? "Da informação que é pública vemos que houve negligência da supervisão. Isso poderá criar consequências jurídicas", remata.

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