Telecomunicações Nos diz que rede da PT está paga 5,6 vezes. Meo quer pagamento que Vodafone recusa

Nos diz que rede da PT está paga 5,6 vezes. Meo quer pagamento que Vodafone recusa

A Nos reclama descida nos preços nas ofertas reguladas de acesso às condutas e postes da PT, que diz já ter amortizado a sua rede em 5,6 vezes.
Nos diz que rede da PT está paga 5,6 vezes. Meo quer pagamento que Vodafone recusa
Pedro Elias
A batalha entre a Vodafone e a Meo em torno do acesso aos postos de telecomunicações para instalação de rede ao cliente final chegou também ao Congresso das Comunicações que decorre em Lisboa, organizado pela APDC.

A Vodafone, pela voz da directora de regulação Madalena Sutcliffe, explicou que não paga à Meo o chamado "drop" do cliente porque tal pagamento não está, na óptica da Vodafone, previsto no regulamento de acesso, regulamento que existe desde 2010, lembrou a responsável no painel do Congresso sobre regulação.

"Desde 2010 a PT nunca pediu nada a ninguém, não pediu que pagassem as instalações do drop de cliente e em 2015 chega a Altice com entendimento diferente. É absolutamente claro que nas regras não existe procedimentos para a obrigação de pagamento do drop dos clientes finais", declarou Madalena Sutcliffe, dizendo ainda que a Altice não está a exigir a nenhum outro operador o pagamento pelo acesso. A Vodafone contesta, ainda, o pedido da Meo para avisar quando vai instalar um acesso, já que se trata de informação sensível, e a Vodafone diz ter detectado que no tempo em que avisou houve taxas de retenção dos clientes da Meo superiores mesmo antes de a Vodafone chegar a instalar o seu serviço.

E foi assim que a Vodafone justificou ter cumprido por algum tempo os pedidos da Meo, mas ter deixado de o fazer. A Anacom considerou, numa primeira decisão provisória que a Meo tinha razão e que a Vodafone teria de pagar (valores próximos do 1 milhão de euros), mas entretanto suspendeu a decisão até que produzida a solução final.

Sofia Aguiar, responsável da regulação da Altice, contestou, dizendo que os operadores tem de ter acesso às infra-estruturas "de acordo com as regras e procedimentos e preços a pagar. Para nós é surpreendente haver um operador que tente ou ambicione utilizar a infra-estrutura sem correspondente pagamento e sem querer cumprir os procedimentos", realçando que "tudo vamos fazer para que a nossa infra-estrutura seja utilizada por terceiros mas obviamente de acordo com o que está previsto nomeadamente ao nível do preço". 

À parte da discussão, Filipa Carvalho, directora de regulação da Nos, preferiu reclamar do regulador a imposição na descida dos preços das ofertas reguladas grossistas de acesso às condutas e aos postes da Meo, as designadas ORAC e ORAP. "Falta uma revisão estrutural dos preços", até porque, acrescentou, "é das ofertas mais caras a nível europeu", e que tem como referencia os custos actualizados e não os históricos. É por isso que a Nos faz a conta: "a rede da Meo está paga 5,6 vezes".





Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI