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Os 50 mil milhões de dívida da Altice não tiram o sono a Patrick Drahi

Patrick Drahi garante que dorme “melhor” com a actual dívida, do que com os 50 mil euros que tinha quando começou a construir o grupo. E quando perde um cliente, “dói-lhe” o coração. “E mais que o coração, a carteira”.

Patrick Drahi é o 10.º Mais Poderoso
Patrick Drahi é o todo-poderoso homem da Altice. Com uma fortuna avaliada em cerca de 14 mil milhões de euros, segundo a Forbes, entrou, já, para a lista dos mais ricos da Bloomberg. E é o homem que entrou em Portugal pela compra da Cabovisão e da Oni, mas que assim que pôde foi ao coração do sector das telecomunicações. Comprou a PT Portugal, a operadora que lidera o mercado nacional e que já foi outrora concessionária do serviço público e até já foi empresa pública. Anos de poder que Drahi, com um cheque de 7,4 mil milhões de euros, comprou.
Reuters
Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt 09 de Junho de 2016 às 10:14
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Os planos da Altice, fundada por Patrick Drahi, têm sido seguidos de perto pelo Executivo francês, que já manifestou algumas preocupações com os movimentos de consolidação no sector de telecomunicações em França. Por isso, a comissão de assuntos económicos chamou Patrick Drahi para esclarecer algumas dúvidas.

Durante a audição, que decorreu na quarta-feira, o patrão da Altice, dona da Meo, respondeu a várias questões sobre o negócio do grupo no mercado francês, a dívida do grupo no âmbito da onda de aquisições, a sua ligação aos media ou sobre a optimização fiscal da empresa.

No campo fiscal, Drahi explicou que se vive no exterior - a sua residência principal é em Genebra - é porque "criar um negócio em França, ainda representa uma pista de obstáculos". Quanto à "optimização fiscal, quem é que quer preencher a declaração de impostos a pagar mais impostos? Ninguém!", disse Patrick Drahi durante a audição, segundo a imprensa francesa. Uma resposta que provocou alguns risos aos responsáveis da comissão.  

O dono da Altice, que detém alguns títulos de media como o Libération e o L’Express, explicou ainda que se conseguiu "tanto capital, também é porque não vivo em França. Os fundos estão em Londres, Nova Iorque, Pequim… Um dos meus principais bancos é o BNP, o qual vai expandir a minha procura no mercado mundial", adiantou. E sublinhou que a SFR, operadora francesa do grupo, "paga impostos em frança, e paga muito. Quando fazemos negócios em França, pagamos impostos em França", sustentou. 

Quanto à actual dívida do grupo, no seguimento das várias aquisições que tem realizado, Patrick Drahi respondeu: "durmo melhor hoje com os 50 mil milhões de dívida do que com os 50 mil euros que tinha quando comecei".

O presidente da Altice garantiu ainda à comissão que não tem intenção de avançar com movimentações de consolidação que não considere necessários para a viabilidade da SFR, que no primeiro trimestre teve uma quebra de 41 milhões de euros de receitas.

 

Drahi sublinhou que têm em curso um plano de expansão de rede de fibra óptica, o qual vai permitir que a SFR em 2017 chegue a 12 milhões de lares, enquanto a Orange (principal rival) terá uma cobertura de 9 milhões.

A insatisfação dos clientes está no topo das preocupações de Patrick Drahi, explicou o presidente da Altice. Até porque, acrescentou, pode levar à mudança de operador. "Um cliente que me deixe, dói-me o coração, e mais do que o coração, a carteira", confessou.

Durante a audição, Patrick Drahi aproveitou ainda para falar de Portugal, nomeadamente no campo da inovação: "Quando comprei a Portugal Telecom (PT), também comprei o equivalente da CNET, mas português. Mas como não comprei a France Telecom vocês não anotaram", disse.

Na altura, "diziam que o Drahi é um investidor, um financeiro (...). O problema da pesquisa não é um problema, é uma razão de ser, e eu preciso engenheiros […]. A pesquisa e desenvolvimento são fundamentais para a nossa estratégia", acrescentou.

"Eu comprei Portugal Telecom e o meu maior centro de investigação está em Portugal [Aveiro]", disse, sublinhando que "não é assim tão longe", E "os investigadores portugueses são muito competentes. Há uma tendência em França para pensar que os outros são menos competentes do que nós. Não se enganem, a competência é global", acrescentou.

(Notícia actualizada às 13:10 com declarações sobre Portugal)

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