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Paulo Azevedo: OPA à PT? "Estavam todos feitos e isso fez-nos a vida difícil"

O líder do grupo Sonae reconhece "algum agrado" com as revelações sobre o processo decorrido há mais de 10 anos, que agora está a ser investigado no âmbito da Operação Marquês.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 16 de Março de 2017 às 13:45
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Mais de dez anos depois, a OPA lançada à Portugal Telecom está de volta à agenda e Paulo Azevedo lembra que a Sonae passou "muitos anos a dizer que o jogo estava distorcido e que não havia um 'level playing field'", ao mesmo tempo que "muita gente dizia que estava tudo muito bem feito e era concorrência limpa, e depois em privado riam-se um bocadinho nas [suas] caras". 

Durante a apresentação de resultados do grupo, na Maia, o chairman e co-CEO excluiu do discurso "os temas jurídicos, as causas, as culpas e se houve ou não dinheiro", mas não escondeu que "é com algum agrado que [se percebe agora que], de uma forma ou de outra, estavam todos feitos e que isso [lhes] fez a vida muito difícil e de uma forma muito injusta".

"Mas também não somos de ficar parados e de lamentarmos. Fizemos o nosso caminho, estamos muito contentes com o nosso caminho", acrescentou Paulo Azevedo.

A 2 de Março de 2007, há pouco mais de dez anos, a Caixa Geral de Depósitos, enquanto accionista da Portugal Telecom, chumbou a desblindagem dos estatutos da operadora, matando a OPA. "O Estado não quis influenciar e não deu qualquer orientação à Caixa Geral de Depósitos (CGD) que tomou uma decisão sozinha," garantiu o ministro das Comunicações da altura, Mário Lino.

Dias depois, o presidente da Sonaecom, Paulo Azevedo, dizia que a OPA não tinha chegado ao mercado por duas razões: o papel do Governo e o "facto dos oponentes terem iludido o mercado até ao final". "Estamos desapontados com o papel que o Governo teve nisso", criticando o facto de a "política se envolver nos negócios", afirmou.

A OPA à então Portugal Telecom é um dos eixos em torno dos quais se desenrolam as investigações da Operação Marquês, que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que é arguido no processo tal como o antigo "chairman" da PT, Henrique Granadeiro e o ex-CEO, Zeinal Bava.


Entre os dados apurados pela investigação estará um alegado acto de corrupção por parte do Grupo Espírito Santo e exercido sobre José Sócrates, no âmbito de uma suposta intervenção do primeiro-ministro no chumbo da OPA da Sonae e, mais tarde, na venda da Vivo e entrada da operadora portuguesa na Oi.


O antigo primeiro-ministro alega que nunca pediu à Caixa para votar contra a OPA da Sonae, ao lado do BES. E, em relação à Vivo, diz que a "história está mal contada", defendendo que o seu Governo impediu que a PT saísse do Brasil, na "prossecução do interesse nacional" e lembrando que a fusão entre PT e Oi foi celebrada depois do seu Governo ter saído de funções.

Ricardo Salgado, o antigo líder do Banco Espírito Santo, assumiu pagamentos a Bava e Granadeiro, logo depois da OPA da Sonae sobre a PT e em 2010 e 2011. Mas justificou-os como forma de premiar o "sábio agrícola" Granadeiro e com uma "garantia fiduciária" a Bava.

Salgado garantiu que "não são verdadeiras as afirmações de qualquer tipo de relação de influência do primeiro-ministro da altura, o eng. José Sócrates, em relação a qualquer operação que fosse. Nunca falei com o José Sócrates sobre a história da PT, sequer. E muito menos entregar valores a um primeiro-ministro, portanto, subornos, directa ou indirectamente, por qualquer outra forma".

O prazo para investigação na Operação Marquês terminará esta sexta-feira, 17 de Março, mas o Ministério Público já pediu mais tempo à Procuradoria-Geral da República. A imprensa fala na possível extensão da fase de investigação por mais dois meses.

(Notícia actualizada às 14:17 com mais informação)
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