Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

PT cai 3% e fecha ligeiramente abaixo do valor a que a CGD vendeu as acções

O banco estatal vendeu, num processo dirigido a investidores qualificados, acções da Portugal Telecom a um preço de 3,48 euros. A operadora fica, assim, sem um dos seus accionistas de referência portugueses. Em bolsa, a reacção foi negativa e as acções encerraram nos 3,475 euros.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 5
  • ...

Tal como antecipavam os analistas, os investidores reagiram negativamente à venda da participação da Caixa Geral de Depósitos na Portugal Telecom. As acções da operadora nacional, que se encontra em processo de fusão com a brasileira Oi, começaram a perder menos de 2% mas acabaram a sessão a resvalar 3%.

 

As acções da PT encerraram nos 3,475 euros ao recuarem 3,01%. A cotação corresponde a um recuo ligeiro em relação aos 3,48 euros a que a Caixa Geral de Depósitos vendeu 54.771.741 acções da operadora que tinha em carteira, correspondentes a 6,11% do seu capital social.

 

Contudo, os títulos da cotada liderada por Henrique Granadeiro (na foto) não estiveram sempre abaixo do preço de venda do banco estatal. Estiveram suspensos, por ordem da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), durante grande parte dia e só foram readmitidos à cotação pelas 15 horas, quando os livros de ordens da operação de venda da participação da CGD foram encerrados. Aí, conseguiram negociar acima dos 3,50 euros. Contudo, no decorrer da sessão, desceram abaixo dos 3,48 euros, onde encerraram.

 

Volume em 1h30 idêntico ao de média semestral

 

A hora e meia de negociação foi suficiente para que trocassem de mãos 6.409.448 títulos da operadora sob o comando de Henrique Granadeiro. A média diária, nos últimos seis meses, aponta para um volume de 6.712.040 acções. O que quer dizer que foram transaccionadas, em hora e meia, quase tantas acções como nunca sessão normal (com oito horas e meia de negociação). 


No fecho da sessão, a Portugal Telecom ficou avaliada em 3.115 milhões de euros. Desde o início do ano, a dona do Meo acumula uma desvalorização de 7,31%.

 

Ainda não se sabe quem foram os compradores da posição da operadora nacional vendida pelo banco estatal.

 

Analistas já antecipavam recuo

 

O analista Steven Santos, contactado pelo Negócios, já tinha alertado para o impacto “claramente negativo” da operação. “A CGD é um accionista estratégico da PT e faz parte dos investidores portugueses. No contexto da operação de fusão com a Oi, era importante haver accionistas portugueses de referência para contrabalançar a influência dos investidores brasileiros”.

 

Pedro Lino, administrador da Dif Broker, tem uma opinião diferente e diz que “esta decisão já era esperada há algum tempo e até já tinha sido anunciada a intenção de venda assim que as condições de mercado o permitissem”, nomeadamente pela “necessidade de capital que iria obrigar a CGD a desinvestir de activos não estratégicos”. Contudo, também ele antecipava uma negociação em queda dos títulos da operadora.

 

Uma decisão da CGD que surpreendeu a PT

 

A operação de saída da Caixa Geral de Depósitos do capital da empresa portuguesa, que se encontra neste momento em processo de fusão com a brasileira Oi, foi comunicada esta segunda-feira em comunicado enviado através da CMVM. O negócio foi feito com uma oferta particular de acções, através de um processo que se dirigiu apenas a investidores qualificados.

 

Do lado do banco estatal, a venda insere-se na “estratégia de desinvestimento em activos não estratégicos”.

 

A decisão do banco dirigido por José de Matos terá apanhado de surpresa a cúpula da PT. De acordo com o que o Negócios noticiou, a administração e o núcleo duro accionista da operadora (de que fazem parte o Grupo Espírito Santo, a Ongoing e a Oi) não foram avisados da venda da posição.

 

Henrique Granadeiro, presidente do conselho de administração da PT, não querendo fazer comentários à operação, disse ficar entristecido ao “ver alguns indivíduos e instituições a desistir de Portugal”.

 

Da Caixa, a resposta veio pelo administrador, Nuno Fernandes Thomaz, que garantiu que a Caixa não desistiu do País. “A Caixa aposta ainda mais no país, através da cobertura do core da Caixa e do core do país que são as PME”, afirmou.

 

 

Ver comentários
Saber mais PT Portugal Telecom CGD Henrique Granadeiro
Outras Notícias