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Sonangol paga 900 milhões à Oi por 25% da Unitel

A empresa estatal angolana passa a controlar 50% do capital da operadora angolana que é detida em 25% por Isabel dos Santos.

Simon Dawson/Bloomberg
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 24 de Janeiro de 2020 às 17:19
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Está confirmada a notícia que impulsionou as ações da Oi nas últimas sessões. A operadora brasileira confirmou que chegou a acordo para vender a posição de 25% que detém na companhia de telecomunicações angolana Unitel.

A Sonangol é a compradora, pelo que a estatal angolana passa a ter uma posição superior à de Isabel dos Santos no capital da Unitel, sendo que este é um dos ativos da empresária angolana que está arrestado pelas autoridades do país.

 

Em comunicado, a Oi afirma que "a sua subsidiária indireta Africatel acaba de alienar e transferir a integralidade das ações de emissão da holding portuguesa PT Ventures à sociedade angolana Sonangol".

 

O negócio foi fechado por mil milhões de dólares (903 milhões de euros), sendo que a companhia brasileira recebe 699,1 milhões de dólares de imediato, 240 milhões de dólares até julho de 2020 e o restante com uma periodicidade mensal a partir de fevereiro de 2020.

 

Além dos 25% na Unitel, a PT Ventures detém 40% da Multitel e direitos de crédito de dividendos declarados pela Unitel e já vencidos e de um conjunto de direitos decorrentes da decisão final proferida pelo Tribunal Arbitral", no âmbito dos processos interpostos contra a companhia angolana pelo não pagamento de dividendos.

 

Estes processos são oriundos dos tempos em que os 25% da Unitel estavam na posse da Portugal Telecom, que reclamou por não ter recebido dividendos da companhia angolana durante vários anos. A PT Ventures passou para as mãos da Oi quando esta efetuou uma fusão com a companhia portuguesa.

 

Há muito que a Oi pretendia alienar este ativo, por forma a utilizar o encaixe para ajudar a empresa a sair do processo de recuperação judicial em que se encontra há vários anos. No comunicado de hoje a empresa que tem a portuguesa Pharol como acionista diz que "o ingresso de novos recursos e a redução de gastos em virtude da desvinculação com os litígios em curso proporcionarão o incremento de liquidez financeira e a melhoria no fluxo de caixa das Recuperandas" e vai permitir à empresa "concentrar seus esforços nas operações e negócios conduzidos no Brasil, no cumprimento do seu Plano de Recuperação Judicial e na maior efetividade e rapidez do seu processo de soerguimento".

 

As ações da Oi, que tem subido fortemente no Brasil neste arranque de ano, estão hoje a descer 4,67%.

 

Sonangol passa a controlar 50%

 

Com a concretização deste negócio, a Sonangol passa a ser o maior acionista da operadora angolana, com 50%. Isabel dos Santos, que tem os seus bens arrestados em Angola, controla 25% e já chegou a ser a presidente da operadora africana.

 

Os outros 25% são detidos pela empresa do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, que tem alinhado com Isabel dos Santos.

 

O desentendimento entre os acionistas da Unitel tem paralisado a companhia angolana, que é liderada pelo português Miguel Geraldes.

  

Quando a 6 de janeiro o Negócios noticiou que a Sonagol estava prestes a comprar a posição da Oi, dava conta que a alteração de estratégia da petrolífera angolana era motivada pela deterioração financeira da Unitel e também pelo novo quadro político criado com o arresto dos bens da Isabel dos Santos. Esta opção conta com o respaldo do Governo angolano, o qual entende que esta é a melhor via para rentabilizar este ativo não "core" da Sonangol, permitindo que, no futuro, em caso de venda, proporcione uma receita maior à petrolífera.

 
(corrige valor do negócio)

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