Telecomunicações S&P corta rating da Oi para nono nível de "lixo"

S&P corta rating da Oi para nono nível de "lixo"

A agência de notação financeira Standard & Poor’s desceu em um nível a classificação da dívida da Oi, que está agora no nono nível de lixo, tendo voltado a colocar um "outlook" negativo.
S&P corta rating da Oi para nono nível de "lixo"
Reuters
Carla Pedro 27 de abril de 2016 às 00:09

A Standard & Poor’s voltou a cortar a classificação da Oi, desta vez de CCC para CCC-, ou seja, do oitavo para o novo nível de "lixo" – que recai na categoria de investimento especulativo. Neste patamar, significa que há um elevado risco de incumprimento, sendo que a capacidade de pagamento depende de condições favoráveis e sustentáveis.


Além disso, considera "negativa" a perspectiva para a evolução da dívida da empresa, o que significa que pode vir a descer novamente a sua notação. Na sua decisão anterior, a 11 de Março, a S&P tinha retirado o "outlook" negativo.


Recorde-se que existem dez níveis de "junk" antes de entrar em "default", que é quando se considera que há um grande risco de falta de capacidade integral de pagamento (reembolso das suas obrigações), com poucas perspectivas de recuperação do investimento ou dos juros.


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A Oi S.A. informa os seus accionistas e ao mercado em geral que a Standard & Poor’s anunciou hoje a revisão do rating de crédito atribuído à companhia, diminuindo o rating de longo prazo na escala global de CCC para CCC-. O outlook é negativo", diz o comunicado da operadora brasileira.

 

No passado dia 15 de Fevereiro, a S&P cortou o rating da operadora de telecomunicações brasileira Oi, do primeiro (BB+) para o terceiro nível de "junk". Nessa altura, manteve o "outlook" negativo.

 

Depois, no dia 26 de Fevereiro, "voltou à carga", descendo a classificação da dívida da Oi, do terceiro (BB-) para o quarto (B+) nível de "junk". E voltou a colocar a dívida sob revisão, com implicações negativas.

 

Ou seja, ao manter, em ambas as decisões, o "outlook" negativo, isso significava que poderia vir a cortar de novo o rating da operadora brasileira no período de três meses. E cortou mesmo: no dia 11 de Março anunciou uma descida da notação da Oi de B+ para CCC, naquele que era o oitavo nível de "lixo". E justificou a medida com o facto de acreditar que a estratégia da operadora brasileira para reduzir o endividamento deverá envolver uma troca de dívida com algum nível de desconto.

 

"A Oi anunciou recentemente que contratou a PJT Partners como assessora financeira para a ajudar a avaliar as alternativas estratégicas e financeiras de modo a optimizar a sua liquidez e perfil de endividamento. Estamos convictos de que a estratégia da Oi para reduzir o seu endividamento irá provavelmente passar por uma troca de dívida com algum nível de desconto, dado o elevado nível de alavancagem e os baixos preços do mercado para as obrigações", salientava o relatório do mês passado.

 

E, quanto a isto, "muito provavelmente iremos avaliar uma tal transacção como estando [a empresa] em crise financeira", destacava a agência.

 

A S&P referia-se ao comunicado de 9 de Março, através do qual a Oi anunciou ter contratado a consultora PJT Partners como sua assessora financeira "para a ajudar na avaliação de alternativas financeiras e estratégicas que visam optimizar a sua liquidez e o perfil de endividamento". Nesse mesmo documento, a operadora dizia que manterá "os seus esforços para melhorias operacionais e para transformação do negócio, com foco na austeridade, optimização de infra-estruturas, revisão de processos e acções comerciais".

 

No seu relatório de 15 de Fevereiro, a Standard & Poor’s estimava que a Oi apresentasse "crescentes níveis de endividamento, uma vez que os custos mais elevados e as despesas pressionam a sua capacidade de gerar ‘cash flow’ ainda mais do que aquilo que se previa".

 

A 26 de Fevereiro, não foi apenas a S&P que desceu a classificação da dívida de longo prazo da Oi. A Fitch tomou a mesma decisão. E ambas justificaram a medida com o facto de a TIM (operadora da Telecom Itália) ter informado o fundo russo LetterOne que não pretende aprofundar as negociações com a Oi para avançar com uma fusão dos activos, isto depois de quatro meses de conversações.

 

A fusão, se fosse em frente, seria acompanhada de uma injecção de capital por parte do LetterOne que poderia ascender a quatro mil milhões de dólares.

 

O fracasso das negociações levou a que a S&P ficasse convicta de que a Oi enfrenta agora ainda mais desafios no sentido de reduzir o seu elevado endividamento. A mesma opinião teve a Fitch, considerando que a operadora brasileira poderá confrontar-se com graves problemas de liquidez a partir de 2017.

 

A 1 de Março foi a vez da Moody’s, que justificou o corte de rating da Oi com o "aumento persistente da alavancagem e o consumo de liquidez da empresa, que reduziu a flexibilidade financeira e resultou numa estrutura de capital insustentável". A agência de rating acrescentava ainda que também o fim das negociações entre a Oi e a Tim, com vista à fusão patrocinada pelo fundo russo LetterOne, pesou na decisão.

Entretanto, a operadora brasileira anunciou a 25 de Abril ter celebrado um acordo com a norte-americana Moelis & Company para assessorar a negociação com o grupo de credores de dívida da empresa. O objectivo é agilizar o processo de reestruturação de dívida.

Recorde-se que a Pharol (ex-PT SGPS) detém 27,5% do capital da Oi e que a desistência da TIM relativamente a uma fusão levou a que a empresa liderada por Palha da Silva afundasse na bolsa de Lisboa nas sessões seguintes, chegando mesmo a mínimos históricos.

 

A Oi tinha ficado com a PT Portugal no âmbito da aliança estratégica que acordou com a PT mas que acabou por não ser bem sucedida – o que levou a Oi a vendê-la à francesa Altice, que agora agrega os negócios da operadora (nomeadamente a marca Meo). 




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