Aviação Aeroportos europeus pedem continuidade de Schengen

Aeroportos europeus pedem continuidade de Schengen

O Conselho Internacional de Aeroportos da Europa avisa que o fim do sistema que veio suprimir o controlo de fronteiras entre 26 Estados teria impactos na economia, no turismo e na aviação.
Aeroportos europeus pedem continuidade de Schengen
Bloomberg
Negócios 03 de março de 2016 às 12:47

O Conselho Internacional de Aeroportos da Europa (ACI Europe), que representa perto de 500 aeroportos em 45 países, apelou esta semana à continuidade do espaço Schengen, sublinhando que a supressão dos controlos nas fronteiras aéreas internas entre os 26 Estados "desempenhou um papel essencial na disponibilização de serviços aéreos eficientes e acessíveis para os cidadãos europeus".

Em comunicado, a ACI sublinha o crescimento contínuo do tráfego aéreo, frisando que em 1990 eram pouco mais de 600 milhões os passageiros que utilizaram os aeroportos da Europa, quando no ano passado se estima que tenham sido 1,95 mil milhões - com mais de 60% (1,2 mil milhões) destes a usarem um dos 443 aeroportos localizados dentro do espaço Schengen.


"Nos últimos meses, o sistema Schengen tem enfrentado dificuldades crescentes devido a uma crise migratória sem precedentes e ameaças terroristas renovadas", reconhece esta entidade em comunicado, sublinhando o seu apoio à agenda da Comissão Europeia de reforçar as fronteiras externas ao espaço Shengen para preservar o trânsito livre na sua área interna.


Citado no comunicado, Olivier Jankovec, director-geral da ACI Europe considera que a reinstalação de fronteiras aéreas entre estados Schengen "não está em cima da mesa - e nunca deverá estar, já que o impacto seria devastador".


Em seu entender, isso obrigaria a uma difícil reestruturação dos terminais, que "envolveria facilmente centenas de milhões de euros em cada um dos grandes aeroportos".


O impacto imediato seriam "níveis de congestionamento sem precedentes e disrupções de voos, com potenciais efeitos sobre toda a rede aeroportuária europeia", frisa o responsável, acrescentando que "os 'hubs' não teriam capacidade para garantir tempos mínimos de conexão de voos e o resultado seriam viagens mais demoradas, redução das escolhas para os consumidores e a degradação da conectividade na Europa".


"O impacto não só seria sentido na aviação, como também no turismo e na economia", afirma.


O director-geral da ACI Europe destaca ainda no comunicado que o "conselho de ministros da semana passada apoiou o 'Pacote de Fronteiras' da Comissão Europeia, que aponta para a verificação sistemática de documentação e de segurança nos aeroportos a todas as pessoas - incluindo cidadãos do espaço Schengen -, sempre que saiam ou entrem na área comum Schengen".


Considerando que este é um passo essencial para reforçar as fronteiras externas de Schengen e que deve ser implementado logo que possível, Olivier Jankovec lembrou que isso requer mais polícia e funcionários do controlo de fronteira nos aeroportos "recursos sobre os quais os aeroportos não têm controlo".


"Estamos muito preocupados sobre se é possível haver mais recursos disponíveis", disse ainda, lembrando que "se manter níveis de serviço de passageiros já é um desafio, se não recebermos recursos humanos adequados a situação vai piorar". "Esperemos que os governos cumpram as suas responsabilidades", concluiu.




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