Aviação Air Berlin pede insolvência. Acções afundam mais de 34%

Air Berlin pede insolvência. Acções afundam mais de 34%

A companhia aérea alemã deu entrada esta terça-feira de um pedido de protecção de credores. As operações vão manter-se, garante. A Lufthansa está a analisar a compra de activos e o Governo dá apoio.
Air Berlin pede insolvência. Acções afundam mais de 34%
A Air Berlin, a segunda maior companhia aérea da Alemanha, apresentou esta terça-feira, 15 de Agosto, um pedido de insolvência, depois de o seu principal accionista, a Etihad Airways, ter deixado de fornecer apoio financeiro.

A decisão foi tomada, de acordo com um comunicado da empresa, depois de a administração ter concluído que a companhia "já não tinha um prognóstico positivo de continuidade", uma vez que a Etihad se mostrou indisponível para injectar mais dinheiro na empresa.

As operações não estão em risco, sendo o funcionamento regular dos voos programados garantido por um empréstimo-ponte de 150 milhões de euros a conceder pelo banco de fomento alemão.

As acções chegaram a perder mais de 50% durante a sessão, levando a suspensões temporárias da negociação. Encerraram o dia com uma desvalorização de 34%.

Reacção diferente tiveram as outras companhias aéreas. A Lufthansa e a Easyjet ganharam mais de 4,5%. E a Ryanair e IAG subiram cerca de 3%. A Lufthansa perfila-se como uma candidata a absorver os activos da Air Berlin.

A ministra da Economia, Brigitte Zypries, fez uma declaração sobre o tema, defendendo que o apoio financeiro dado garante a continuidade das operações durante a administração judicial da Air Berlin.

 

Em afirmações transmitidas pela Bloomberg, a governante afirmou que têm existido conversações "positivas" entre a Air Berlin e a Lufthansa, esperando desenvolvimentos ao longo dos próximos meses. Zypries afirmou que acredita que a Air Berlin possa ser capaz de vender "slots" nos aeroportos, ou seja, alienar as faixas horárias a si destinadas a outras companhias. 


Lufthansa quer comprar activos

 

"A Lufthansa está a apoiar os esforços de reestruturação da companhia aérea em conjunto com o governo alemão", admite, por sua vez, a maior empresa do sector da Alemanha num comunicado colocado no site oficial.

 

"A Lufthansa está já em negociações com a Air Berlin para comprar partes do grupo e está a explorar a possibilidade de adquirir mais funcionários", continua o documento, que não aponta nenhuma data específica para o fim das conversações, mencionando apenas que espera fazê-lo "no tempo devido".


Num comunicado publicado no site da Air Berlin, a companhia reconhece que as negociações "com a Lufthansa e outros parceiros" - não identificados - para "a aquisição das unidades de negócio" da companhia estão "muito avançadas e são muito promissoras". "As negociações podem ser concluídas rapidamente", lê-se ainda.

O CEO da Air Berlin, Thomas Winkelmann, citado num comunicado no site da companhia, diz que a empresa está a "trabalhar de forma incansável para, dada a situação, garantir a melhor solução para a companhia, os nossos clientes e funcionários".

Etihad quer solução viável

 

A companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, cuja retirada de apoio financeiro determinou o pedido de insolvência da Air Berlin, reforçou que não irá aumentar a exposição à empresa germânica. Contudo, assumiu que está disponível para ajudar a encontrar uma solução comercialmente viável para a companhia, segundo cita a Bloomberg.

 

Também de acordo com a agência, a Etihad afirmou que vai continuar a apoiar a gestão Air Berlin (mesmo depois da saída de dois administradores seus representantes), acrescentando que se mantém comprometida com as ligações aéreas com a Alemanha.

Os dois administradores nomeados pela Etihad demitiram-se entretanto dos cargos que ocupavam na Air Berlin. No ano passado, a Etihad Airways, companhia de Abu Dhabi, registou prejuízos de 1.870 milhões de dólares, penalizados por imparidades relacionadas com a sua presença no capital da Alitalia e da Air Berlin. Aliás, depois de conduzir à queda da italiana Alitalia, deixando de a apoiar financeiramente, segue-se agora a insolvência da companhia germânica.  

Insolvência após reestruturação


O pedido de insolvência da transportadora aérea de baixo custo foi apresentado num tribunal da capital alemã (Berlin-Charlottenburg), incluindo subsidiárias como a Luftverkehrs KG e a airberlin technik GmbH. De fora ficam, no entanto, outras subsidiárias como a Niki Luftfahrt GmbH e a Leisure Cargo GmbH.

A Air Berlin estava em reestruturação desde Setembro do ano passado, que passou pela concentração da empresa em rotas dentro da Alemanha, para as maiores cidades europeias e mais destinos de longo curso, reduzindo o número de rotas em mais de dois terços - de 387 para menos de 100.

Além disso reduziu a frota para 75 aviões, tendo transferido 35 aeronaves para a Lufthansa (Eurowings) no âmbito de um acordo de leasing. Em Março foram realocados 35 aparelhos para a Niki, estando dependente de aprovação do regulador a criação de uma joint-venture entre Air Berlin, Niki e TUI.

Em Janeiro, a Air Berlin reduziu o número de rotas que opera directamente, o que teve reflexos na operação em Portugal. As rotas de Viena e Munique para o Porto passaram a ser asseguradas pela Eurowings. Na maioria dos voos com origem ou destino noutros aeroportos portugueses - Funchal, Ponta Delgada e Faro - as ligações que eram da Air Berlin passaram a ser operadas por aviões da austríaca Niki, embora em "codeshare" com a companhia alemã. Os voos para Lisboa foram descontinuados.

Histórico de prejuízos

No final de 2016, a empresa anunciou a venda de 49,8% na austríaca Niki à Etihad, o que representaria uma injecção de 300 milhões de euros na companhia alemã. A Etihad, com 29,21% da empresa, é o maior dos seus mais de 33.000 accionistas. 

O exercício de 2016 encerrou com prejuízos de 781,9 milhões de euros, tendo arrancado 2017 com um resultado líquido negativo de 293,3 milhões, abaixo dos 464,9 milhões de prejuízos no trimestre anterior.

No ano passado, a Air Berlin transportou 29,9 milhões de passageiros para 135 destinos em todo o mundo.  

(Notícia actualizada com valores de fecho das acções)



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