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Avião russo: Está tudo em aberto mas aumentam receios de ataque terrorista

O avião partiu-se ao meio em pleno voo e despenhou-se. O que o provocou, ninguém sabe, mas aumentam os receios em torno da hipótese de a queda ter sido provocada por um engenho explosivo, não um míssil mas uma bomba.

Reuters
Inês F. Alves inesalves@negocios.pt 05 de Novembro de 2015 às 18:50
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Vários dias após o desastre com o avião russo que vitimou 224 pessoas  - a 31 de Outubro - continuam em cima da mesa todas as possibilidades, mas aumentam os receios em torno da hipótese de a queda ter sido provocada por um engenho explosivo.

As transportadoras aéreas britânicas estão a ultimar um plano para evacuar do Egipto os turistas. Além do Reino Unido, também a Irlanda e a Holanda cancelaram voos de e para Sharm al-Sheikh. Um grupo fiel ao autodenominado Estado Islâmico já reivindicou o alegado ataque, mas as autoridades do Cairo e de Moscovo diminuem o acto. Mantém-se o estado de alerta, enquanto as informações chegam a conta-gotas.

As autoridades britânicas disseram esta quinta-feira, 5 de Novembro, que há uma "hipótese significativa" de o desastre ter sido provocado por um alegado atentado bombista.

Questionado sobre se o autoproclamado grupo Estado Islâmico esteve por detrás este desastre, o secretário dos Assuntos Estrangeiros britânico, Philip Hammond, começou por dizer que a célula do Sinai fiel ao grupo terrorista "reivindicou ter feito o avião despenhar-se, fizeram-no logo a seguir ao desastre". "Analisámos as informações disponíveis, incluindo essa reivindicação, mas claro outras informações também, e concluímos que há uma hipótese significativa", acrescentou, citado pela Reuters.

"Não podemos ter a certeza que a queda do avião russo foi provocada por uma bomba terrorista, mas parece cada vez mais ser esse o caso", disse, por sua vez, o primeiro-ministro britânico David Cameron, também citado pela agência.

Segundo a Reuters, peritos europeus e norte-americanos dizem que as provas sugerem agora que uma bomba plantada dentro do avião estará na origem do desastre, salvaguardando porém que ainda não há conclusões finais sobre o tema.

Entretanto, o Reino Unido, a Irlanda e a Holanda cancelaram os voos de e para Sharm al-Sheikh, no Egipto. As transportadoras britânicas estão inclusivamente a ultimar um plano para retirar do país cerca de 10 mil turistas. A Alemanha, por sua vez, apela aos viajantes que evitem a Península do Sinai. Os aviões russos, no entanto, continuam a fazer viagens de ida e volta para Sharm al-Sheikh, informou Dmitry Peskov, porta-voz de Putin.

O responsável fez questão de minimizar os receios em torno da possibilidade da queda ter sido provocada por um engenho explosivo.

"Teorias sobre o que aconteceu e sobre as causas do desastre só podem ser pronunciadas pela investigação", disse. "Até ao momento, não ouvimos nada [deste género] da investigação. Qualquer tipo de assunção similar é baseada em informações que ainda não foram confirmadas ou são especulações", acrescentou.

O próprio primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, salientou numa reunião de Governo esta quinta-feira que é ainda muito cedo para tirar conclusões, escreve a Reuters.

Já o ministro responsável pela aviação civil egípcia, Hossam Kamal, disse que "a equipa de investigação não tem até ao momento qualquer prova ou dado que confirme esta hipótese".

Apesar das autoridades russas minorarem para já esta possibilidade, a agência de aviação russa Rosaviatsia garantiu que os investigadores vão averiguar se existia ou não material explosivo a bordo do aparelho.

Uma fonte russa próxima da investigação adiantou, porém, esta quarta-feira à Reuters que "há duas versões agora a serem consideradas: algo foi colocado no interior [do aparelho] e uma falha técnica. No entanto, o avião não podia simplesmente partir-se no ar – tem de haver alguma acção [a provocar isso]. Um míssil é pouco provável, não há sinais disso".

Especialistas em segurança e investigadores têm vindo a defender que é pouco provável que o avião tenha sido atingido no exterior e não se crê que o grupo terrorista em causa tenha na sua posse tecnologia capaz de atingir um avião a mais de 30 mil pés de altitude.

Na passada segunda-feira, 2 de Novembro, a companhia russa Kogalymavia, que operava o voo, descartou a possibilidade de problemas técnicos ou erros humanos na origem do desastre.

"O avião estava em excelentes condições" disse Alexander Smirnov, director-geral da companhia aérea Kogalymavia, citado pela Reuters. Segundo o responsável, o desastre terá sido resultado de "outra acção técnica ou física", que levou o avião a partir-se ao meio em pleno voo e a cair depois no solo. "Descartamos uma falha técnica ou qualquer erro da tripulação", disse o responsável numa conferência de imprensa em Moscovo.

No dia anterior, o responsável pela investigação das autoridades russas havia confirmado que o avião se partiu no ar, antes de atingir o solo. "A ruptura ocorreu no ar e os fragmentos estão espalhados por uma grande área de cerca de 20 quilómetros quadrados", disse Viktor Sorotchenko, director do Comité Intergovernamental de Aviação (MAK), citado por agências de notícias russas.

Enquanto todas as hipóteses se mantêm em cima da mesa, filiados ao grupo terrorista Estado Islâmico continuam a reivindicar o alegado ataque. Esta quarta-feira, foi publicada na rede social Twitter uma mensagem onde estes reforçam o seu envolvimento no desastre.

Além de reivindicarem o alegado ataque, os autores da publicação deixaram um desafio aos peritos que estão a investigar as causas do desastre: "Vão aos destroços, investiguem, tragam as vossas caixas negras e analisem, dêem-nos o resumo da vossa pesquisa e o produto do nosso conhecimento, e provem que não o fizemos despenhar ou mostrem como se despenhou". Os autores acrescentam ainda que não são obrigados a revelar como conduziram este alegado ataque, mas que o farão "quando quiserem e como quiserem".

O reiterar da reivindicação acontece depois de um grupo egípcio da província de Sinai leal ao grupo terrorista ter assumido a responsabilidade pelo desastre em comunicado, dizendo que se tratou de uma "resposta pelos ataques aéreos russos que mataram centenas de muçulmanos na Síria".

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